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NASA revela descoberta de 7 planetas extrassolares que podem abrigar vida

descoberta de 7 planetas que podem abrigar água e vida

Descoberta fantástica mostra que planetas na zona habitável de suas estrelas não são algo incomum!

O telescópio espacial Spitzer da NASA revelou o primeiro sistema conhecido de sete planetas do tamanho da Terra em torno de uma única estrela. Três desses planetas estão firmemente localizados na zona habitável, a área em torno da estrela mãe onde um planeta rochoso é capaz de abrigar água no estado líquido.

A descoberta estabelece um novo recorde para o maior número de planetas de zonas habitáveis encontrados em torno de uma única estrela fora do nosso Sistema Solar. Todos esses 7 planetas poderiam ter água líquida (a chave para a vida como a conhecemos) sob as condições atmosféricas corretas, mas as chances são maiores com os três exoplanetas na zona habitável.

Ilustração artística da estrela TRAPPIST-1 e seus 7 planetasIlustração artística da estrela anã ultrafria TRAPPIST-1 e seus 7 planetas.Créditos: NASA / JPL-Caltech

34 imagens para você repensar completamente sua existência

34 imagens para você repensar completamente sua existência

Qual é a razão da existência humana?

Esta talvez seja a pergunta mais antiga já feita pelo homem. As imagens a seguir colocam um pouco mais de tempero nas possíveis respostas.

Quer ver? Acompanhe.

1. Esta é a Terra. Você e eu moramos aqui.

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2. E aqui é onde estamos exatamente em nossa vizinhança, o Sistema Solar

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Da Estação Espacial, astronauta lança teste de geografia no Twitter

Scott Kelly, da Nasa, postará fotos da Terra para instigar usuários.

Quem acertar primeiro ganhará foto autografada pelo astronauta.

 

O astronauta da Nasa, Scott Kelly, vai desafiar os usuários do Twitter a descobrirem o local da Terra mostrado na foto feita da Estação Espacial Internacional (Foto: Divulgação/Nasa)
O astronauta da Nasa, Scott Kelly, vai desafiar os usuários do Twitter a descobrirem o local da Terra mostrado na foto feita da Estação Espacial Internacional (Foto: Divulgação/Nasa)

O astronauta americano Scott Kelly lançou nesta quarta-feira (22) um teste de geografia no Twitter, no qual publicará semanalmente uma foto capturada da Estação Espacial Internacional para que seus seguidores identifiquem sua localização.

Kelly está passando um ano na estação espacial com o cosmonauta russo Mikhail Kornienko para realizar uma pesquisa sobre como a mente e o corpo humanos aguentam longos períodos no espaço, antes de futuras missões mais longas a Marte nas próximas décadas.

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‘Supervazio’ no Universo que ‘suga’ luz intriga astrônomos

A área onde fica o chamado Ponto Frio fica na constelação de Eridano no hemisfério galático sul, como mostra a imagem feita pela Agência Espacial Europeia em colaboração com o telescópio Planck
A área onde fica o chamado Ponto Frio fica na constelação de Eridano no hemisfério galático sul, como mostra a imagem feita pela Agência Espacial Europeia em colaboração com o telescópio Planck.

Astrônomos de uma universidade no Havaí podem ter decifrado um mistério de dez anos e encontrado a maior estrutura conhecida do Universo.

Em 2004, ao examinar um mapa da Radiação Cósmica de Fundo (CMB, na sigla em inglês), resíduo do Big Bang presente em todo o Universo, astrônomos descobriram uma área diferente, surpreendentemente ampla e fria, batizada de Ponto Frio.

A física que estuda a teoria do Big Bang para a origem do Universo prevê pontos quentes e frios de vários tamanhos em um Universo ainda jovem, mas um ponto tão grande e tão frio como o desta descoberta não era esperada pelos cientistas.

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5 provas de que o Big Bang ocorreu

Não se deixe enganar: o Big Bang é um fato consumado. Aconteceu mesmo. Tudo que vemos hoje no Universo observável é resultado dele. Mas não pense você que foi fácil para a comunidade científica aceitar essa ideia, gestada e aprimorada durante quase um século. Ela só foi devidamente assimilada depois que muitas evidências, obtidas de modo independente, a confirmaram, de forma conclusiva. Hoje, apresentamos cinco provas que acabarão com todas as suas dúvidas.

Tudo isso aí começou comprimido num espaço menor que a cabeça de um alfinete (Crédito: Nasa)

Antes, contudo, é importante definir exatamente o que foi o Big Bang. A teoria, apelidada assim justamente por um de seus antigos adversários, sugere que tudo que vemos hoje no Universo já esteve, no passado, reunido numa região muito compacta, extremamente densa e muito quente. E isso inclui o próprio espaço! O Big Bang não é uma explosão convencional, em que a matéria se espalha de um ponto central para regiões circundantes. Ele é mais parecido com o inflar de um balão. Imagine que a superfície de uma bexiga é o próprio espaço. Ao inflá-la, você está meramente esticando a superfície que já existia. É por essa razão que não faz sentido falar de um lugar específico em que o Big Bang aconteceu. Ele aconteceu em toda parte, inclusive onde você está hoje. A diferença é que o espaço que hoje abriga você confortavelmente, há 13,8 bilhões de anos estava amontoado junto com o espaço que é ocupado por todo o resto do Universo — e toda a energia que compõe o cosmos estava lá também, espremida.

Isso tudo pode parecer maluquice, mas é a mais pura verdade. O que ainda é objeto de discussão entre os cientistas não é o fato de o Universo tal qual o vemos hoje ter começado num estado extraordinariamente comprimido e quente há 13,8 bilhões de anos. O que ainda se pode discutir é se esse estado em algum momento correspondeu a uma condição extrema conhecida como singularidade, em que a densidade e a temperatura atingem valores infinitos, e se esse foi de fato o princípio absoluto do Universo ou se havia algo antes desse nosso (re)começo. É justamente por isso que o cosmólogo Mario Novello, do CBPF (Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas), chama o Big Bang de “o mito científico da Criação”. Não por que ele não tenha acontecido, mas por que não há nenhuma confirmação de que ele tenha sido de fato o começo do próprio tempo e tenha partido de uma singularidade. O Big Bang é com certeza um princípio claro para as condições prevalentes no Universo observável hoje, mas isso não exclui a ideia de que houve outra instância do cosmos antes da atual — possivelmente se estendendo pela eternidade na direção do passado. E não são poucos os cosmólogos que defendem isso, inclusive Novello.

Essa ressalva é importante porque diversos grupos pseudocientíficos querem apresentar essas dúvidas e especulações legítimas como evidências de que o Big Bang, tal como definido dois parágrafos atrás, nunca passou de uma ideia disparatada. E nada poderia estar mais longe da verdade, como ficará claro pelas cinco provas que começaremos a apresentar agora. Vamos lá?

1. Galáxias em fuga

Galáxias fotografadas pelo Telescópio Espacial Hubble -- quanto mais distantes, mais depressa se afastam. (Crédito: Nasa)

Você certamente já ouviu falar do Telescópio Espacial Hubble. Mas talvez ainda não saiba quem foi o homem homenageado pelo venerável satélite da Nasa. Edwin Hubble foi um dos astrônomos mais importantes do século 20 e sua descoberta mudou para sempre nossa compreensão do Universo. Ele estudou a luz vinda de um sem número de galáxias e fez uma constatação literalmente bombástica: quando mais distante uma galáxia está, mais rápido ela parece se afastar de nós.

Sua descoberta foi feita ao constatar que a assinatura de luz das galáxias — o chamado espectro — é tão mais avermelhada quanto mais distante ela está. Esse chamado desvio para o vermelho tem dois componentes. Um deles é o conhecido efeito Doppler, que percebemos com clareza em ondas sonoras. Sabe quando uma ambulância passa por você e o som da sirene muda de tom conforme ela se aproxima e se afasta? Pois bem, isso acontece porque as ondas sonoras são comprimidas quando ela está chegando perto e esticadas quando se afasta. E o mesmo acontece com ondas de luz. Ao serem esticadas, elas ficam mais avermelhadas. Ao serem comprimidas, ficam mais azuladas. Então, uma galáxia se afastando de nós terá seu espectro de luz mais avermelhado.

Contudo, o efeito mais importante para a cosmologia é o que acontece pela expansão do próprio espaço, um fenômeno descrito pela teoria da relatividade geral. Imagine você que uma onda de luz atravessa o espaço enquanto ele mesmo está se esticando. A onda acaba esticada junto. Maior comprimento de onda, mais vermelha ela fica. Hubble notou que as galáxias mais próximas podiam ter distorções variadas. Andrômeda, por exemplo, sofre desvio para o azul, porque está se aproximando da Via Láctea (vamos bater em alguns bilhões de anos!). Contudo, quando vamos para as maiores escalas, a distâncias superiores a alguns milhões de anos-luz, o Universo parece bem mais uniforme, obedecendo à hoje famosa lei de Hubble — quanto mais longe a galáxia, maior o desvio para o vermelho e maior o afastamento. Moral da história: o Universo está em expansão. Salvo pela escala local, tudo está se afastando de tudo mais.

Não é preciso ser muito criativo para imaginar que, se hoje o Universo comprovadamente está em expansão, no passado ele deve ter sido mais compacto. Levando isso às últimas consequências, chegamos à conclusão de que ele já foi radicalmente compactado no passado. Na verdade, essa já era uma implicação natural da teoria da relatividade geral, que foi primeiro notada por Georges Lemaître, um padre e físico belga, em 1927. Quando Hubble apresentou sua descoberta, dois anos depois, ela foi tratada como evidência de que de fato o Universo observável começou num ponto muito quente e denso que se expandiu.

2. O eco de radiação do Big Bang

Polarização da radiação cósmica de fundo, medida pelo satélite Planck (Crédito: ESA)

A partir da descoberta da expansão cósmica, não tardou para que os cientistas começassem a modelar o que aconteceria num Universo muito quente e denso que gradualmente se resfria. Uma das previsões mais arrepiantes é a de que ainda hoje ele não teria se resfriado completamente. Conforme ele foi se expandindo e se diluindo, as partículas de luz pararam de trombar e puderam transitar pelo Universo. Essa radiação suave deve ter começado com altíssima energia, perdida gradualmente pelo próprio processo de expansão cósmica. Como ela reflete algo que aconteceu na época em que o Universo ainda era bastante compacto, seus resquícios devem hoje parecer vir de todas as direções — um fundo de radiação. A primeira sugestão de que o Big Bang teria deixado algo assim foi feita pelo físico russo-americano George Gamow, em 1946, e depois acabou modelada com mais detalhes por Ralph Alpher e Robert Herman, em 1948. Caso a radiação pudesse ser detectada, teríamos aí um eco deixado pelo Big Bang na época em que o Universo tal qual o conhecemos tinha apenas cerca de 400 mil anos!

Legal. Saltamos para 1964. Arno Penzias e Robert Wilson trabalhavam nos Bell Labs, nos Estados Unidos, e estavam com um problema. Uma antena que eles pretendiam usar para radioastronomia e experimentos de telecomunicações parecia detectar um ruído constante. De início acharam que era cocô de pombos. Mas, depois de tanto limpar a antena, notaram que o zumbido ainda estava lá. E era detectado não importava para que direção eles apontassem a antena. Por acidente, eles encontraram a radiação cósmica de fundo prevista pela teoria do Big Bang.

A análise da radiação derrubou a única alternativa ao Big Bang, a chamada teoria do estado estacionário, desenvolvida principalmente pelo físico britânico Fred Hoyle. Em vez de presumir que o Universo teria tido um começo quente e denso, Hoyle preferiu postular que a expansão era um estado perpétuo e que matéria é constantemente criada nos vazios gerados pela expansão, mantendo o Universo eternamente com o mesmo jeitão. Jocoso, Hoyle desdenhou da teoria rival, cunhando a expressão “Big Bang”. Só que o padrão detectado da radiação cósmica de fundo não era compatível com a ideia do estado estacionário. Só mesmo o Big Bang para explicá-la. Mas calma, tem mais.

3. A fantástica fábrica de elementos

Supernovas produzem os elementos pesados, mas de onde vieram o hidrogênio e o hélio que a formaram? (Crédito: Nasa)

Outro efeito de ter um início quente e denso é que aquela fornalha primordial teria sido capaz de produzir elementos químicos. Do mesmo modo que o interior de alta pressão das estrelas induz um processo de fusão nuclear, colando núcleos de hidrogênio (os mais simples que existem, com um próton) e formando assim hélio (o segundo mais simples, com dois prótons), o Universo primordial ultradenso também teria esse poder — pelo menos até resfriar.

Mais uma vez, George Gamow foi o “pai” da matéria aqui. Em 1948, ele escreveu com Ralph Alpher um trabalho histórico, modelando o efeito do esfriamento pós-Big Bang na capacidade de produzir elementos químicos. É basicamente o que explica por que o átomo mais comum é o hidrogênio, respondendo por cerca de 75% de toda a matéria bariônica do cosmos, e em seguida temos o hélio, respondendo por cerca de 25%, e por fim uma pitadinha de lítio, o terceiro elemento mais pesado. Todos os demais elementos conhecidos não podem ter sido fabricados pelo Big Bang e acabaram surgindo mais tarde, cozidos na fornalha das estrelas e nas explosões conhecidas como supernovas.

O fato de a teoria ser capaz de explicar as proporções dos elementos primordiais é considerado uma das evidências mais conclusivas em favor de um Universo que começa compacto, quente e denso, como sugere a teoria. Não há outro caminho conhecido capaz de explicar a atual composição observada no Universo. O Big Bang reina sozinho.

4. O gás primordial

Nuvens de gás primordial feito de hidrogênio e hélio dominaram o Universo bebê (Crédito: UCSC)

Hoje, as nuvens de gás interestelar já estão altamente enriquecidas com elementos pesados, como carbono, oxigênio, ferro, enxofre, flúor etc. Ainda bem, aliás, porque sem esses elementos nada mais interessante que estrelas poderia se formar. Para a vida, dependemos do hidrogênio primordial, mas também precisamos da rica diversidade da tabela periódica, fabricada mais tarde no Universo pelas estrelas.

Contudo, se a teoria do Big Bang está certa, ao olharmos para as profundezas do cosmos com nossos melhores telescópios — e assim enxergarmos condições tais quais elas se apresentavam poucos bilhões de anos após o início do cosmos como o conhecemos –, encontraremos nuvens de gás cuja composição lembra a da nucleossíntese original.

Pois bem. Em 2011, um grupo de astrônomos encontrou nuvens de gás cuja luz observada partiu delas 12 bilhões de anos atrás. E a composição delas era praticamente livre de elementos pesados — só hidrogênio e hélio. Isso mostra conclusivamente que o Universo foi gradualmente enriquecido por elementos pesados, como sugere a teoria do Big Bang. Mesmo que cientistas rebeldes encontrassem alguma outra formulação teórica que explicasse a atual distribuição dos elementos, eles teriam dificuldade em explicar o fato de que há nuvens sem elementos pesados sem evocar um começo quente e denso para o Universo.

5. Reprodução em laboratório

Imagem do projeto Illustris compara Universo real fotografado pelo Hubble (à esquerda) com o simulado (à direita)

Por fim, o poder de uma teoria só pode ser devidamente apreciado quando se pode replicar o fenômeno que ela descreve de forma controlada e confirmar sua veracidade. Claro, ninguém criou um novo Universo em laboratório (ainda bem, aliás, porque, caso seja possível, duvido que fosse seguro). Mas já criamos algumas simulações incríveis da evolução do Universo em laboratório, do Big Bang aos dias atuais.

E é impressionante como essas simulações, munidas apenas da teoria, seis parâmetros pré-definidos e o poder computacional dos supercomputadores, conseguem reproduzir com exatidão a evolução do Universo. O projeto Illustris, concluído no fim de 2013, chegou ao cúmulo de produzir imagens “simuladas” do Telescópio Espacial Hubble que são praticamente indistinguíveis das reais produzidas pelo satélite.

Elas mostram que entendemos com razoável sofisticação e precisão a evolução do Universo desde seu início quente e denso, 13,8 bilhões de anos atrás, até seu presente estado. É verdade que os modelos fazem uso de coisas como matéria escura e energia escura — que ainda não compreendemos exatamente o que são, apesar de conhecermos seus efeitos –, mas o fato de que tudo funciona não deixa de impressionar. Um sinal de que realmente conseguimos reconstruir a história pregressa do Universo de forma consistente e compatível com as observações.

Importante ressaltar que não há incompatibilidade entre o Big Bang e concepções metafísicas da origem do Universo. Com nossas teorias atuais, só conseguimos ir até um determinado ponto — uma fração de segundo após o surgimento da instância do espaço-tempo que hoje ocupamos. No intante t=0, em que tudo começou, nossas teorias se quebram. Podemos especular sobre singularidades, um passado anterior ao Big Bang, uma pré-existência eterna ou mesmo a existência de outros universos, desconectados ou não do nosso próprio espaço-tempo. Mas não temos (pelo menos hoje e possivelmente nunca) instrumentos para verificar essas ideias mais arrojadas e transuniversais, por assim dizer. Um mistério, talvez indecifrável, ainda paira sobre nossa existência. Apesar disso, não há motivo para não nos admirarmos com nossa capacidade de recontar a história do cosmos até onde a ciência nos permite chegar.

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Dias de Saturno são seis minutos mais curtos do que se acreditava

A Terra cabe 5,6 vezes no espaço da largura dos anéis de Saturno
A Terra cabe 5,6 vezes no espaço da largura dos anéis de Saturno

Cientistas da Universidade de Tel Aviv, em Israel, descobriram que o período de rotação de Saturno é diferente do que se acreditava até então. A confusão sobre a duração exata do dia no planeta começou no início dos anos 80, quando a nave Voyager definiu o período como de 10 horas e 39 minutos (em escala da Terra, é claro). A nave fez o cálculo baseado nas emissões de ondas de rádio emitidas pelo planeta. Porém, a nave Cassini, que chegou ao planeta em 2004, calculou um período mais longo, de 10 horas e 47 minutos.

Intrigados com essa discrepância, os cientistas, liderados pela professora Ravit Helled, perceberam que o campo magnético em volta do planeta é diferente de outros campos como o de Júpiter, por exemplo, que libera ondas de rádio que não deixam dúvida sobre a duração do dia em seu planeta (que é de 9 horas e 55 minutos, caso esteja curioso).

Os números conflitantes das duas naves mostraram que os períodos medidos não refletiam a rotação de Saturno. O time de Ravit deduziu a duração do dia a partir do campo gravitacional do planeta. Ao rodar rapidamente, o planeta distorce sua “linha do Equador” e seu campo gravitacional. Os cientistas calcularam essa distorção e chegaram à conclusão de que o dia em Saturno dura 10 horas, 32 minutos e 45 segundos, com uma margem de erro de 46 segundos.

O novo cálculo muda o que se sabia até então sobre a velocidade rotacional do planeta e também sobre a velocidade dos ventos.

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Europa e EUA preparam missões espaciais ‘para o Inferno’

Nenhum satélite jamais chegou tão perto do Sol como pretendem chegar o Solar Orbiter e o Solar Probe Plus
Nenhum satélite jamais chegou tão perto do Sol como pretendem chegar o Solar Orbiter e o Solar Probe Plus

Elas provavelmente são as duas missões espaciais mais audaciosas em desenvolvimento atualmente. Solar Orbiter e Solar Probe Plus serão enviadas para entrar na órbita de Mercúrio com o objetivo de estudar o Sol.

De lá, a temperatura na superfície frontal desses satélites vai ultrapassar as centenas de graus. Seria possível dizer que essas missões são, literalmente, “missões para o Inferno”.

Projetar um sistema seguro para proteger as naves para resistirem a temperaturas tão altas é algo que tem dado trabalho aos engenheiros.

Eles precisam de algo que funcione como um “escudo de calor”. Para o Solar Orbiter, da Agência Espacial Europeia, a solução é usar titânio. Para o Solar Probe Plus, da Nasa, o material deverá ser composto por carbono.

Os instrumentos dos dois satélites terão de se esconder por trás dessas barreiras para fazer as medições que os cientistas esperam na tentativa de desvendar alguns dos maiores e mais duradouros mistérios do Sol.

As duas missões parecem estar progredindo.

A Nasa já escolheu o foguete para lançar o Solar Probe Plus. Um poderoso Delta-IV Heavy – o maior foguete do mundo – vai lançar esse satélite de 610 quilos em direção ao Sol no fim de 2018.

E a indústria europeia – pela Airbus Defence and Space – anunciou que conseguiu produzir o que chamou de “modelo estrutural e térmico” do Solar Orbiter.

Seria como uma cópia do satélite, com instrumentos representativos. Ela será aquecida, submetida a explosões de sons e receberá impactos em uma simulação para testar seu design.

Se a cópia do satélite sobreviver a tudo isso, os engenheiros saberão que tipo de modelo também resistiria às condições extremas que irão encontrar no ambiente espacial.

Esta não é a primeira missão solar – já houve algumas nos últimos anos. A nave espacial americana DSCOVR foi a última, lançada em fevereiro.

Mas a maioria desses satélites não se aventurou muito longe, preferindo estudar o “inferno” do Sol de uma distância segura, como a da órbita da Terra.

Objetivos

Os satélites Solar Orbiter e Solar Proble Plus, porém, querem “entrar no fogo” para valer – para observar a atividade solar de perto e provar diretamente os efeitos das partículas e dos campos magnéticos que as contêm.

“Nós queremos obter três medidas”, afirmou Tim Horbury, o principal investigador do Solar Orbiter. “Com o Solar Orbiter, queremos obter uma medida remota, queremos ver o que está acontecendo no Sol com nossos telescópios, e depois queremos obter uma segunda medida, para sentir o que está saindo dele.”

“A terceira medida viria do próprio Solar Probe, que avançaria um pouco o campo de visão muito rápido de vez em quando só para dar uma ideia do que estaria acontecendo lá também”, disse.

O Solar Probe chegará até a 43 milhões de quilômetros do Sol – significativamente mais perto de Mercúrio, que gira em torno do Sol a uma distância que varia de 46 milhões a 70 milhões de quilômetros.

Já o Solar Probe Plus é quem vai fazer o verdadeiro trabalho “infernal” quando correr pela superfície solar a meros 6 milhões de quilômetros de distância. E “correr” é a palavra certa porque a expectativa é que ele alcance velocidades de 200 quilômetros por segundo em partes da órbita.

E aproximações distintas como essas também precisam de estratégias distintas.

Ficando mais distante, o Solar Orbiter consegue liberar telescópios. E as imagens captadas por eles provavelmente serão espetaculares, revelando características do sol com uma resolução nunca conseguida antes.

Chegando bem próximo do Sol, o Solar Probe Plus poderá conseguir dados notáveis, mas olhar diretamente para o Sol é algo que está realmente fora de questão.

A pouco mais de 6 milhões de quilômetros, a temperatura da superfície deve atingir 1,3 mil graus. O Solar Probe Plus não pode sequer se dar ao luxo de ter pequenos buracos em seu escudo revestido com cerâmica e carbono.

Já o Solar Orbiter, de 1,8 mil quilos, pode. “Temos alguns orifícios de passagem”, diz Dan Wild, um dos engenheiros térmicos da Airbus. “Esses são apenas grandes cilindros feitos de titânio e revestidos de preto para o controle da luz, para que a gente não pegue muito reflexo.”

“E na frente dos cilindros têm portas. Nós podemos fechar essas portas e isso significa que não vamos perder a nave espacial se alguma coisa der errado”, afirmou.

O que pode dar errado? Uma coisa – é preciso apontar diretamente para o Sol o tempo todo para que o escudo térmico não pare de jogar uma sombra resfriadora no resto da nave.

“Se você perde a atitude – em outras palavras, se em algum momento, quando você está muito perto do Sol, você não está apontando diretamente para ele – então a nave pode ficar iluminada por trás do escudo térmico, com as consequências óbvias.”

“Então temos que ter um sistema de direccionamento para o Sol bastante robusto”, explica Philippe Kletzkine, gerente de projetos do Solar Orbiter.

“A parte frontal do escudo do Solar Orbiter vai experimentar temperaturas na ordem dos 600 graus, mas atrás elas devem atingir apenas 60 graus.”

Curiosamente, o instrumento de trás do Solar Orbiter, que carrega alguns experimentos magnéticos e de plasma, irá ficar tão na sombra, que ficará frio o suficiente – numa temperatura inferior a 10 graus – para requisitar um aquecimento ativo.

Possíveis conclusões

Então o que obtemos com essa engenharia dos extremos? Esperamos que a chance de solucionar alguns enigmas solares. Ao ficar posicionado diretamente na atmosfera externa do Sol – a coroa solar -, o Solar Probe Plus pode ajudar a explicar porque essa extensa região é tão mais quente do que a superfície do Sol. Isso é realmente um quebra-cabeças.

Já o Solar Orbiter deve nos dar melhores ideias sobre o que impulsiona seu ciclo de atividade de 11 anos. Sua órbita será alta o suficiente para ter uma visão polar do Sol. Pela primeira vez, poderemos ver corretamente o que acontece quando o campo magnético solar gira.

“Nós sabemos quando ele gira, mas não sabemos os detalhes porque nunca conseguimos chegar perto dos polos”, diz Louise Harra, do Laboratório de Ciência Espacial da University College London.

“Chegando na altura dos polos, teremos uma vista excelente e isso nos dará uma ideia muito melhor sobre o mecanismo que rege o ciclo solar e sobre por que esse ciclo começou a ficar mais fraco nos últimos anos.”

As duas missões juntas estão custando US$ 2,5 bilhões (mais de R$ 8 bilhões). A missão americana custa quase o dobro da europeia. Mas há um reconhecimento crescente de que conseguir compreender melhor o comportamento do Sol trará grandes benefícios para a Terra. Grandes tempestades solares têm o potencial de destruir satélites, comunicação de rádio e redes de eletricidade.

Há muitos cientistas trabalhando nas duas missões. E as duas serão enviadas ao espaço daqui três anos, em 2018.

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