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Espaçonave movida pela luz solar é lançada com sucesso

LightSail foi pensada pelo astrofísico Carl Sagan na década de 1970 e pode revolucionar a exploração espacial


O foguete Atlas V, da Nasa, decolou da base aérea de Cabo Canaveral, na Flórida, nesta quarta-feira – Divulgação/Sociedade Planetária

A Sociedade Planetária, ONG fundada em 1980 por Carl Sagan, Bruce Murray e Louis Friedman, anunciou o sucesso do lançamento da LightSail, pequena espaçonave do tamanho de um pacote de pão de forma, mas com uma vela solar de 32 metros quadrados e apenas 4,5 micrômetros de espessura. Ela foi enviada ao espaço nesta quarta-feira a bordo de um foguete Atlas V, da Nasa, que decolou da base aérea de Cabo Canaveral, na Flórida, às 12h05, pelo horário de Brasília.

“Manhã perfeita para o lançamento de um foguete. Vamos mudar o mundo!”, escreveu pelo Twitter Bill Nye, diretor executivo da Sociedade Planetária.

Este primeiro teste não levou a espaçonave à altitude suficiente para o funcionamento da vela solar. A ideia era apenas testar a sequência de lançamento e abertura da vela. Um segundo teste, programado para abril do ano que vem, será completo, com lançamento a bordo do Falcon Heavy, da SpaceX. Ela será liberada a uma altitude de 720 quilômetros, o suficiente para escapar da atmosfera terrestre.

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Observatório Nacional lança software de Astronomia

ASTRO: Um Conjunto de Ferramentas de Astronomia‏
Foto: Divulgação Observatório Nacional

O Observatório Nacional acaba de lançar um software de Astronomia chamado ASTRO: Um Conjunto de Ferramentas de Astronomia‏.

Desenvolvido com ferramentas modernas para tornar sua funcionalidade amigável e intuitiva a partir de um website, o ASTRO conta também com aplicativos para os diversos dispositivos móveis que operam com o sistema Android ou iOS.

Um dos principais objetivos do ASTRO é torná-lo explorável, onde o público poderá aprender conceitos, simular e experimentar novos parâmetros para testar seus conhecimentos.

Confira o programa no endereço: http://daed.on.br/astro

© Copyright Clube de Astronomia Órion / Observatório Nacional

Relógio atômico bate recorde de precisão

Dispositivo não varia nem um segundo em 15 bilhões de anos.
Precisão deste novo pêndulo mais do que triplicou em comparação a 2014.

Foto mostra o relógio atômico ultra estável fabricado por cientistas americanos.
Foto mostra o relógio atômico ultra estável fabricado por cientistas americanos.

Uma equipe de pesquisadores desenvolveu o relógio atômico mais preciso do mundo, que não varia nem um segundo em 15 bilhões de anos, mais do que a idade estimada do universo — relatou um estudo publicado nesta terça-feira (21).

A precisão deste novo pêndulo mais do que triplicou em comparação a 2014, quando ele já havia batido um recorde, segundo estudo publicado na revista científica “Nature Communications”.

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Brasileira cria app que poupa água e ganha bolsa em universidade na Nasa

Mineira de 23 anos criou aplicativo para tornar plantações ‘inteligentes’.
Tecnologia reduz em até 60% consumo de água na irrigação.

Mariana Vasconcelos, de 23 anos, criadora do Agrosmart (Foto: Divulgação/Agrosmart)Mariana Vasconcelos, de 23 anos, criadora do Agrosmart (Foto: Divulgação/Agrosmart)

Um aplicativo que conecta o agricultor à sua plantação, reduzindo o consumo de água na irrigação, rendeu a uma brasileira de 23 anos uma bolsa para estudar em uma universidade na Califórnia ligada à Nasa (a agência espacial americana).

A administradora Mariana Vasconcelos, que mora em Itajubá (MG), foi selecionada entre mais de 500 pessoas para representar o Brasil como bolsista na Singularity University. A instituição, que funciona em um centro de pesquisa da Nasa no Vale do Silício, na Califórnia, selecionou empreendedores de 19 países para seu programa de imersão “Call to Innovation”.

Criada na fazenda do pai, Mariana desenvolveu em 2014 o Agrosmart, um aplicativo que promete tornar as plantações “mais inteligentes”.

A tecnologia utiliza sensores espalhados pelo campo, que avaliam a umidade do solo e a presença de pragas, entre outros parâmetros. Esses dados são interpretados pelo aplicativo, que indica ao agricultor os intervalos de irrigação e outras variáveis em tempo real.

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Câmara aprova adesão do Brasil a megatelescópio

 Concepção artística mostra como deve ser o E-ELT no pico do Cerro Armazones, no Chile

Concepção artística mostra como deve ser o E-ELT no pico do Cerro Armazones, no Chile

A Câmara dos Deputados aprovou na quinta-feira (19) a adesão do Brasil ao maior consórcio de pesquisas astronômicas  do mundo, o Observatório Europeu do Sul (ESO). A aprovação veio com mais de quatro anos de atraso. O acordo de adesão do país ao grupo foi assinado em dezembro de 2010 pelo então ministro brasileiro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende. O projeto segue agora para votação no Senado.

A construção do E-ELT no deserto chileno do Atacama custará cerca de 1 bilhão de euros e as primeiras observações são esperadas para daqui a dez anos. O telescópio, com 39 metros de diâmetro, ficará na cúpula do Monte Armazones, a 20 km do Monte Paranal, onde já está instalado o Telescópio Muito Grande (VLT), da ESO.

O novo aparelho “permitirá a caracterização inicial de exoplanetas com massa similar à da Terra, o estudo de populações estelares em galáxias próximas e observações ultra-sensíveis do universo profundo”, indicou a ESO, que tem sede em Garching, perto de Munique (Alemanha).

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Sistema Galileu: 6º satélite recolocado em órbita

FOTO: J.Huart/ESA

 

O satélite Sat-6 do sistema europeu de navegação Galileu, um dos dois satélites colocados em agosto passado numa órbita ruim, foi reposicionado numa trajetória melhor, anunciou a Agência Espacial Europeia (ESA), nesta sexta-feira.

Agora, os pesquisadores vão realizar testes até o final do mês para avaliar as performances dos instrumentos de navegação, e verificar se é possível se integrar ao sistema, garante a ESA em comunicado.

O programa Galileu foi desenvolvido para permitir ter uma alternativa ao sistema de navegação por satélite norte-americano GPS.

Lançado em 22 de agosto no foguete lançador russo Soyuz, a partir da Guiana Francesa, os dois satélites Sat-5 e Sat-6 não conseguiram chegar na órbita circular prevista para 23.522 km de altitude. Ao contrário, ficaram em uma órbita elíptica 6.000 km mais abaixo que o previsto e o erro não pôde ser retificado, tornando o sistema Galileu inoperante.

Desde então, a ESA iniciou uma missão de “resgate” e conseguiu, em novembro, reposicionar o Sat-5 numa órbita degradada, “um pouco mais adaptada às operações de navegação”.

Para o Sat-6, as operações de salvamento começaram em meados de janeiro e foram concluídas após seis semanas – ou 14 manobras depois.

A posição atual o coloca numa posição espelhada com relação ao Sat-5, com os dois satélites ficando simetricamente de um lado do planeta.

Quando os testes forem concluídos, caberá à Comunidade Europeia decidir se serão integrados na constelação do satélite, ressaltou a ESA.

Quatro primeiros satélites do sistema Galileu já haviam sido lançados anteriormente.

O sistema Galileu contará, ao todo, com 30 satélites. Vinte serão lançados de hoje até 2017, e seis outros serão acrescentados até 2020.

Os dois próximos satélites serão lançados em 27 de março.

 

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© AFP / UOL

Cientistas constroem torre maior do que a Eiffel no meio da Amazônia

A mais alta estrutura construída na América do Sul não é um arranha-céu e não é uma antena de comunicação.

Com 325 metros –um a mais que a torre Eiffel–, ficou pronta em janeiro no meio da floresta amazônica a torre do projeto ATTO (Amazon Tall Tower Observatory), em São Sebastião do Uatumã (AM), que servirá para estudar a interação entre a mata e o clima.

A torre é basicamente um espigão preso por cabos, instalados numa área 156 km ao norte de Manaus, sem nenhum centro urbano perto. De lá, seguindo para o norte, até o Atlântico, só existe mata.

Editoria de Arte/Folhapress
OBSERVATÓRIO FLORESTAL Como é a torre do projeto ATTO, usada para ciência atmosférica

A torre terá instrumentos em diferentes alturas para medir a concentração de gás carbônico, metano, óxido nitroso, ozônio e outros gases, além de estudar o fluxo de vapor d’água e de aerossóis (partículas sólidas e líquidas em suspensão), importantes na formação de nuvens.

Com instrumentos para medir força e direção do vento, os cientistas também buscam entender o papel da floresta no transporte de grandes massas de ar pela América do Sul.

Estimado em R$ 20 milhões, o projeto foi 50% bancado por verbas federais da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) captadas pelo Inpa (Instituto Nacional de pesquisas da Amazônia).

A outra metade veio da Alemanha, pelo MPIC (Instituto Max Planck de Química). A Universidade Estadual do Amazonas (UEA) abriu a estrada do rio Uatumã até o sítio do projeto. O traçado de 13 km já existia, aberto há três décadas por exploradores ilegais de pau-rosa (madeira usada na fabricação de perfume), mas foi preciso restaurá-lo, a um custo de R$ 1,8 milhão.

A logística de construir o ATTO não foi simples. A torre foi feita pela San Engenharia, de Curitiba, e segmentos de seis metros de altura foram transportados de caminhão e balsa do Paraná até a floresta, por 4.000 km.
Uma vez lá, a torre foi montada no chão e depois foi içada.

“No começo foi difícil içar a torre com guincho, porque queimou muito motor”, diz o técnico Mário Haracemko. “O desafio maior foi por os cabos dos estaios [sustentação], porque não podíamos derrubar nenhuma árvore. Só podar ramos para passar os cabos.”

TAPETE VERDE
A reportagem da Folha subiu os 108 lances de escada que levam ao topo da torre. O elevador não estava disponível. No alto, a vista da floresta se estende até o horizonte em todas as direções, e o rio Uatumã é a única coisa que se vê além do tapete verde separando a terra do céu. A 325 metros de altura, as árvores maiores, de 45 metros, parecem ramos de brócolis.

Mas não é só pela vista que os cientistas decidiram investir na torre. O LBA (Experimento de Grande Escala da Biosfera e Atmosfera na Amazônia), projeto do qual o ATTO faz parte, discutia a necessidade de uma estrutura assim desde o fim da década de 1980. Em 2007, os alemães chegaram com a proposta.

“O LBA possui outras torres, com alturas entre 50 m e 80 m, que são capazes de monitorar fenômenos de interação entre floresta e atmosfera num raio de 10 km”, diz o físico Paulo Artaxo, da USP, que ajudou a articular o projeto. “O ATTO será capaz de fazer isso num raio de 1.000 km.”

Esse incremento permitirá agora dados representativos da Amazônia inteira, que tem 3.000 km de leste a oeste.

A torre foi inaugurada em fevereiro ainda sem instrumentos. A Folha presenciou a instalação do único dispositivo elétrico ligado até agora: uma lâmpada de segurança no topo para alertar aviões. Ao longo deste ano, serão instalados os aparelhos científicos.

“Queremos colocar a torre para funcionar uns 30 anos, no mínimo, e acompanhar os impactos da mudança climática na floresta”, diz Antônio Manzi, pesquisador do Inpa.

O alemão Christopher Pöhlker, do MPIC, que opera uma torre secundária do ATTO, de 80 metros, lembra que “num lugar assim, sempre há coisas que dão errado”. Ele é um dos responsáveis por ter “ideias criativas para consertá-las”.

Coisas inesperadas são, por exemplo, quedas de árvores. Uma já destruiu um transformador de energia. Mais raramente, há encontros com animais. “Um dia desses tivemos uma onça na nossa frente.”

Roteiro, fotografia e montagem DOUGLAS LAMBERT

Para ver a matéria original, clique aqui.

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