Arquivo da categoria: Racismo

Elza Goersh – 3º Ano – Etnia, Diversidade Cultural e Conflitos

Material auxiliar para prova global do 3º Ano (1º período)

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Etnia, Diversidade Cultural e Conflitos

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Páginas correspondentes no livro didático: 11 a 28

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Líbia prendeu mais de 600 migrantes que iam a Europa nos últimos 3 dias

Ao menos dois barcos foram interceptados navegando para fora da Líbia.
País se tornou um dos principais centros para traficantes de humanos.

Migrantes que esperavam chegar à Europa de barco foram presos na Líbia nesta terça-feira (21) (Foto: AFP PHOTO / MAHMUD TURKIA)Migrantes que esperavam chegar à Europa de barco foram presos na Líbia nesta terça-feira (21) (Foto: AFP PHOTO / MAHMUD TURKIA)

A Líbia interceptou nos últimos três dias várias embarcações lotadas de africanos que tentavam chegar à costa da Itália, detendo mais de 600 imigrantes, disse um representante do gabinete de imigração do país nesta terça-feira (21).

O país do norte da África, assolado pela violência e o colapso da autoridade governamental quatro anos após a derrubada de Muammar Gaddafi, se tornou um dos principais centros de ação para traficantes de humanos, que dali embarcam os imigrantes africanos para a Itália.

As forças de segurança líbias detiveram cerca de 70 africanos em Trípoli nesta terça-feira, enquanto aguardavam por traficantes para serem colocados em barcos com destino a Lampedusa, disse à Reuters um alto representante do gabinete de imigração líbio na capital.

 

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Itália resgatou 638 imigrantes em alto-mar na segunda

Balanço foi divulgado pela Guarda Costeira nesta terça.
Capitão e ajudante de navio líbio naufragado foram presos.

 Depoimentos dos sobreviventes ajudaram a definir o número de mortos (Foto: REUTERS/Alessandro Bianchi)Depoimentos dos sobreviventes ajudaram a definir o número de mortos (Foto: REUTERS/Alessandro Bianchi)

Mais 638 imigrantes foram resgatados nesta segunda-feira (20) em alto-mar após seis operações de socorro diferentes, informou nesta terça-feira (21) a Guarda Costeira da Itália em comunicado.

Os imigrantes viajavam a bordo de seis barcos em águas da costa da Líbia e receberam assistência do navio “Fiorillo” da guarda-costeira, de uma embarcação mercante e da Marinha italiana.

As primeiras 93 pessoas resgatadas, entre elas 12 mulheres e duas crianças, foram levadas na noite passada à ilha de Lampedusa, no sul do país.

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Questão de classe: O charme e a dor da aristocracia retratadas em Downton Abbey

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A série Downton Abbey revive o luxo e os conflitos de classe numa mansão inglesa de 1912

Downton Abbey, a série que retrata a vida da aristocracia inglesa no início do século passado, estreou no início deste mês na televisão aberta pela TV Cultura, em sua versão dublada em português. O canal adquiriu as quatro primeiras temporadas, que serão exibidas de quarta a sexta-feira.

Sua entrada na televisão brasileira tem muito a ensinar sobre uma das questões que atravessa a desigualdade brasileira: a divisão em classes. Downton Abbey conta a história de uma família aristocrática em lenta decadência, confrontada por um lado com a ascensão da classe média, por outro com o início da desnaturalização da posição dos criados, estes por sua vez também organizados em um rigoroso sistema hierárquico (mordomos, governantas, damas de companhia, cozinheiras, assistentes de cozinha, valetes).

A atriz Maggie Smith na série Downton Abbey

Nesse contexto, há inúmeros dramas, mortes, nascimentos, casamentos, e tudo mais que pode acontecer na vida de uma família ao longo dos anos.  Esta é a característica, digamos, novelesca da série, na qual chamam a atenção dois aspectos. O primeiro parece explícito e intencional: mostrar o processo de transformação da aristocracia, então ameaçada de perder seus privilégios, seja pela escalada econômica e cultural da classe média, seja por que a classe trabalhadora já não está mais disposta a se manter submissa.

 

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Ataques contra imigrantes se multiplicam no centro de Johannesburgo

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Carros incendiados ficam nas ruas de Joannesburgo, África do Sul. Doze pessoas foram detidas na madrugada desta sexta-feira (17) por ataques contra estrangeiros na cidade sul-africana, que vive um aumento nos casos de xenofobia.

Doze pessoas foram detidas na madrugada desta sexta-feira por ataques contra estrangeiros em Johannesburgo, onde a onda de xenofobia aumentou, informou a polícia.

“Doze suspeitos foram detidos por tentar atacar lojas que eram propriedade de estrangeiros”, explicou um porta-voz da polícia, o tenente-coronel Lungelo Dlamini.

De acordo com informações locais, os manifestantes de uma residência de trabalhadores saíram às ruas para exigir que os estrangeiros deixem a África do Sul, atearam fogo em carros e enfrentaram a polícia.

Não foram registrados feridos, disse Dlamini.

Este foi o último incidente em uma onda de violência que começou no início do mês no porto de Durban e que até o momento deixou seis mortos.

A tensão era palpável nesta sexta-feira, e trabalhadores desta residência seguiam exigindo diante dos jornalistas que os imigrantes deixem a cidade.

“Condenamos a violência de forma contundente. Convocamos a calma e pedimos o fim da violência”, declarou na quinta-feira ante o Congresso o presidente sul-africano, Jacob Zuma.

No início do ano, outros ataques em Soweto, ao sul de Johannesburgo, obrigaram comerciantes de nacionalidade estrangeira a abandonar suas propriedades e fugir, diante do medo de serem assassinados.

O desemprego chega a 25% na África do Sul, e as perspectivas econômicas são ruins para este ano.

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‘Olhos azuis’ explica a discriminação pela cor dos olhos

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Jane Elliott

A professora e socióloga Jane Elliott ganhou um Emmy pelo documentário de 1968 “The Eye of the Storm”, em que aplicou um exercício de discriminação em uma sala de aula da terceira série, baseada na cor dos olhos das crianças.

Hoje aposentada, aplica workshops sobre racismo para adultos. “Olhos Azuis” é a documentação de um desses workshops em que o exercício de discriminação pela cor dos olhos também foi aplicado.

O objetivo do exercício é colocar pessoas de olhos azuis na pele de uma pessoa negra por um dia.

Para isso, ela rotula essas pessoas, baseando-se apenas na cor dos olhos, com todos rótulos negativos usados contra mulheres, pessoas negras, homossexuais, pessoas com deficiências físicas e todas outras que sejam diferentes fisicamente.

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Somos todos iguais: a luta pela diversidade e contra o preconceito

somos-todos-iguais-luta-diversidade-contra-preconceito-abre-560“Eu tenho um sonho que um dia meus filhos irão viver numa nação onde eles não serão julgados pela cor de sua pele, mas pelo conteúdo de seu caráter”.

A frase, que faz parte de um dos textos mais famosos da história – não somente a americana, mas a mundial – foi dita pelo reverendo e ativista negro Martin Luther King, durante seu discurso “I have a dream”, em 1963, em Washington D.C., capital dos Estados Unidos, diante de uma plateia enorme de pessoas, que lutavam pelos direitos raciais.

Se Martin Luther King não tivesse sido assassinado e ainda estivesse vivo, ele veria um país bem diferente nos dias de hoje. Menos de 50 anos depois de seu inesquecível discurso, os Estados Unidos elegeram seu primeiro presidente negro, que se chama Barack Hussein Obama. Filho de um queniano com uma americana, formou-se em Direito na mais prestigiada universidade daquele país: Harvard.

Assim como Obama, o americano Raphaël Sambou acredita que muito de seu sucesso pessoal e profissional se deve a Luther King. Foi o diplomata quem relembrou a história acima. “Eu não estaria aqui hoje se não fosse por ele e outros tantos ativistas americanos”, disse.

Sambou foi um dos convidados a participar da 12ª Semana Martin Luther King, promovida pela Associação Palas Athena, no Sesc Vila Mariana, em São Paulo. Com apoio institucional da Unesco e do Consulado Geral dos Estados Unidos, o encontro teve dois temas “Diversidade nos Estados Unidos – Uma Perspectiva Atual” e “Linha de Montagem do Preconceito – Reprodução de Uma Mentira”.

Para a  primeira rodada de conversa, além de Raphaël Sambou, outro diplomata do Consulado Americano, Christopher Johnson também deu seu depoimento. Já sobre preconceito, falaram Alexandra Loras, consulesa da França em São Paulo, Renato Janine Ribeiro, ministro da Educação e Thiago Tobias, representante da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi) do Ministério da Educação.

Logo no início do evento, Raphaël Sambou contou sobre sua trajetória e os avanços que a comunidade negra conquistou em seu país. Apesar da abolição da escravatura ter sido proclamada em 1863 nos Estados Unidos, apenas cem anos depois os negros ganharam direito ao voto. “Mas hoje, além de Barack Obama, temos muitos negros à frente de grandes multinacionais também”, afirmou. “Já percorremos um longo caminho, entretanto, temos muito ainda a vencer. A marcha de Selma não terminou”, referindo-se à caminhada histórica de manifestantes no Alabama, estado onde aconteceram confrontos trágicos por causa do racismo.

O diplomata americano destacou que o preconceito contra os negros persiste nos Estados Unidos. Recentemente, jovens foram assassinados no país por policiais –claramente por causa da cor de sua pele. Nas prisões americanas, 1,7 milhão de detentos são negros.

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Raphael Sambou e Christopher Johnson falaram sobre racismo e preconceito nos Estados Unidos

Filho de uma imigrante da Nicarágua e pai caribenho, o diplomata negro Christopher Johnson contou que sofreu muito preconceito mesmo dentro de sua comunidade. Por não ter a pele tão negra, era visto como “mais branco do que os outros”. “A imagem do americano africano em meu país ainda é negativa”, acredita.

É justamente como é passada a imagem dos negros, não somente nos Estados Unidos, como em todo mundo – mesmo aqui no Brasil e sobretudo na França – que Alexandra Loras se tornou uma ativista e palestrante sobre o assunto. “Por gerações e gerações fomos condicionados a pensar que homens eram superiores às mulheres, assim como negros eram inferiores aos brancos”.

A consulesa mostrou um vídeo chocante, realizado na década de 50, em que crianças americanas eram confrontadas com bonecas negras e brancas e questionadas quais eram boas ou más. “Imaginem um mundo em que todos os inventores, filósofos e artistas fossem negros. E nas páginas dos livros, só aparecessem duas páginas de seus ancestrais – brancos – que haviam sido escravizados”, disse.

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Alexandra Loras acredita que a história dos negros precisa ser recontada

Ao comparar a quantidade de escravos trazida para o Brasil com a daqueles levados aos Estados Unidos, Alexandra falou que em nosso país, o número foi muito maior. Todavia, eles se transformaram numa massa invisível. Ela defende que a imagem do negro deva ser trabalhada de maneira diferente nos livros didáticos e nomes como Teodoro Sampaio, Machado de Assis ou André Rebouças – todos negros – sejam mais valorizados. É hora de parar de buscar culpados. “Precisamos contar coisas positivas, melhorar a autoestima. Não são brancos contra negros, somos todos iguais”.

Filósofo e professor de Ética e Filosofia Política da USP, o ministro da Educação Renato Janine Ribeiro falou sobre tolerância. Segundo ele, temos que aprender com os outros, mesmo que pensemos de forma diferente. Como único branco do debate, como se intitulou, o ministro afirmou que os brancos não são culpados pelo preconceito, mas são responsáveis.

“A maior vergonha é sermos indiferentes ao racismo e ao preconceito”, ressalta Ribeiro. Ele citou Charles Darwin, que ao deixar o Brasil, teria dito que nunca mais queria pisar num país onde houvesse escravidão.

somos-todos-iguais-luta-diversidade-contra-preconceito-ministro-educacao-560“A maior vergonha  é sermos indiferentes ao preconceito”, afirmou o ministro da Educação Renato Janine Ribeiro

Convidado pelo ministro, Thiago Tobias explicou como é o trabalho da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão do governo. O órgão busca integrar ao ensino do país as minorias – negros, mulheres,  indígenas. “Somente o encontro entre inclusão, tolerância e ética vai conseguir superar as desigualdades no Brasil”.

Uma das principais lições que ficou da noite que discutiu diversidade e preconceito veio da francesa Alexandra Loras. Depois de uma infância difícil, em que sofreu muito com o racismo, hoje a mulher linda e bem-sucedida – orgulhosa da cor de sua pele – prega que “o passado não pode definir nosso futuro”.

Ela é certamente um exemplo disso. E é nosso dever fazer com que todos tenham oportunidades iguais e nossa sociedade seja tolerante e aberta à diversidade.

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