O que aconteceria a nós se a Lua deixasse de existir?

Saiba por que a vida na Terra depende tanto da presença de nosso satélite natural.

Fonte da imagem: Reprodução/Pixabay O que aconteceria a nós se a Lua deixasse de existir?

Você consegue imaginar em quantos aspectos aquele corpo celeste que orbita o nosso planeta é importante para a manutenção de nossas vidas? A Lua é responsável por diversos fatores que influenciam o nosso ecossistema, que vão desde o controle da rotação da Terra até o equilíbrio das estações e da temperatura na superfície terrestre.

Se por acaso a Lua deixasse de existir de uma hora para outra no universo, a vida na Terra mudaria dramaticamente. O efeito imediato seria a baixa das marés oceânicas, pois a interferência do campo gravitacional da Lua é responsável por grande parte do movimento das águas marítimas.

De maneira simplificada, as massas oceânicas sofrem uma aceleração de intensidade quando estão mais próximas do satélite natural. Isso significa que regiões diferentes da superfície terrestre recebem intensidades diferentes de acordo com o posicionamento da Lua e o movimento do satélite em torno do nosso planeta.

A mudança no fluxo das marés seria sentida por muitas espécies que têm seus ciclos de vida associados pelos movimentos oceânicos. Até mesmo animais que vivem em ambiente terrestre, na costa ou na superfície, teriam seus padrões de comportamento afetados na ausência da Lua, pois a luminosidade do satélite natural orienta aves e mamíferos de vida noturna.

Uma Terra fora do eixo

Em longo prazo, porém, as consequências de um desaparecimento da Lua seriam muito mais graves. O satélite ajuda a estabilizar o eixo de rotação do nosso planeta dentro de uma inclinação de mais ou menos 23 graus. Isso significa dizer que a Lua define a existência de nossas estações e mantém a temperatura do planeta em níveis moderados.

Na ausência do satélite, a Terra teria um movimento de rotação similar ao de Marte. O Planeta Vermelho apresenta uma variação de eixo de 15 a 35 graus ao longo de dezenas de milhares de anos devido à influência do campo gravitacional de todos os outros planetas do sistema solar. Essa variação provoca climas e temperaturas extremas em sua superfície e pode fazer com o que o gelo que se encontra hoje nos polos se movimente até próximo da faixa central do planeta.

Fonte da imagem: Reprodução/PixabayO fato de a Lua estabilizar o eixo de rotação do nosso planeta é o que permitiu a evolução de seres e organismos multicelulares mais complexos e sensíveis às condições do ambiente. Sem um ecossistema estável, a vida como conhecemos simplesmente não existiria. A Lua foi determinante no processo de formação de nosso ecossistema ao longo dos milhões de anos de existência.

Como se isso tudo já não bastasse, alguns astrônomos acreditam que a Lua desempenha ainda um papel fundamental em limpar o céu de cometas e pequenos asteroides que poderiam atingir o nosso planeta. Sem o satélite em órbita, a Terra seria alvo de muitos mais corpos vindos do espaço.

Saiba como a Lua era vista por aqueles que viviam há 200 anos

Os astrônomos daquela época acreditavam que nosso satélite natural era habitado por criaturas bizarras.
Fonte da imagem: Pixabay Saiba como a Lua era vista por aqueles que viviam há 200 anos

Sua avó entende de tecnologia ou atende o controle remoto quando toca o telefone? Se ainda hoje percebemos a dificuldade de pessoas do nosso convívio com a modernidade de tudo, imagina como eram as coisas há séculos!

Já houve um tempo em que o homem achava que a Terra era chata, que logo depois do fim do oceano vinha uma queda livre assustadora a nos levar a alguma espécie de limbo. E a Lua, que hoje sabemos se tratar de um satélite natural lindão, sem luz própria, cheio de fases e crateras, já foi vista de uma maneira completamente diferente no passado, sabia?

Denúncia! Há vida na Lua!

Fonte da imagem: Reprodução/SmithsonianLibraries

O site Boing Boing publicou uma matéria a respeito de como a Lua era vista em 1836. As pessoas, àquela época, acreditavam que havia vida por lá. Mas não estamos falando de uma vida semelhante à que há na Terra, mas uma um pouco mais mítica, repleta de pessoas cabeludas e com asas, unicórnios e senhoras nuas que pareciam insetos.

O cenário descrito acima mais parece roteiro de algum filme de fantasia, mas, acredite, esse era o pensamento das pessoas que habitavam a Terra há quase 200 anos e, historicamente falando, isso nem é tanto tempo assim, certo?

Um táxi para a estação lunar

Fonte da imagem: Reprodução/SmithsonianLibraries

O Instituto de Imagem e Coleções Smithsonian, em Washington, nos EUA, comenta uma série de desenhos dessa época cujas intenções eram anunciar a descoberta de vida na Lua. A notícia foi publicada no jornal New York Sun, que já existia na época, divulgando que o astrônomo britânico Sir John Herschel havia descoberto vida na Lua.

A suposta vida lunar incluía os já citados homens com asas, que, pelas ilustrações, parecem com as de morcego – viria daí a ideia de criar o Batman? –, e formas extravagantes, dantescas. A ideia, naquela época, era criar uma expedição para a Lua, usando um navio (!) que seria suspenso por balões de hidrogênio. Simples assim.

AMS da Estação Espacial pode ter dados sobre a existência da matéria escura

O estudo do fluxo de raios cósmicos no campo do invisível pode responder a questões sobre a origem do Universo.

Fonte da imagem: Reprodução/NASA/AMS AMS da Estação Espacial pode ter dados sobre a existência da matéria escura

Acoplado à Estação Espacial Internacional, o módulo Espectômetro Magnético Alpha, ou AMS na sigla em inglês, em órbita desde maio de 2011 para coletar dados sobre as matérias cósmicas, teve seus primeiros resultados divulgados pelo centro de pesquisa do CERN, em Genebra.

Os dados obtidos nos últimos 18 meses de operação parecem confirmar algumas teorias sobre a natureza da matéria escura e a composição das partículas de antimatéria encontradas no espaço. O módulo tem circulado a Terra captando as reações cósmicas que estão no campo do invísivel, detectando as energias produzidas pelo encontro das partículas.

O registro de bilhões de eventos cósmicos em níveis de energia, na medição dos elétrons gerados próximos à atmosfera terrestre, aumenta a suspeita sobre a existência da matéria escura e sugere ainda que as partículas de matéria escura e as antipartículas se aniquilam no espaço.

Fonte da imagem: Reprodução/NASA/AMS

Essa possibilidade vai de acordo com a teoria da supersimestria, que afirma que os pósitrons (elétrons de carga positiva) se originam quando partículas de matéria escura colidem e se aniquilam no espaço. Apesar dos dados coletados, a teoria alternativa de que os pósitrons são originados de pulsares distribuídos no cosmos ainda não pode ser descartada.

A matéria escura e a origem do Universo

As evidências astronômicas indicam que o universo é feito de matéria. A teoria do Big Bang sugere, entretanto, que a origem do Universo exigia quantidades iguais de matéria e antimatéria. Para o teórico físico George Gamov, o Big Bang representa o momento em que a matéria começou a predominar em relação à antimatéria.

Há também uma grande diferença entre o que os físicos acreditam que deve ser a quantidade total de massa no Universo e o que eles têm observado até agora. A existência ou não de uma quantidade significativa de antimatéria é uma das questões fundamentais da origem e da natureza do Universo que o módulo AMS pode ser capaz de ajudar a responder.

A matéria escura, que corresponde a um quarto da densidade de energia do Universo, se mantém como uma dos grandes mistérios da Física dos dias de hoje. Através do seu estudo, cientistas esperam responder a questões sobre os campos gravitacionais de corpos físicos como estrelas e galáxias e entender o papel da matéria na expansão do universo espaço-temporal.

O projeto AMS: Alpha Magnetic Spectrometer

O Espectômetro Magnético Alpha é o mais importante estudo científico, junto com o CERN, no campo da antimatéria e da matéria escura. O projeto AMS começou em 1994 quando o professor do MIT e Nobel de Física Samuel Ting iniciou um novo experimento com Física de Alta Energia (nuclear).

Após o anúncio do projeto da Estação Espacial Internacional em 1993, Ting e seus colaboradores viram a oportunidade de realizar pesquisas inéditas e inovadoras no espaço. Esse grupo de físicos apresentou o conceito do “Espectômetro da Antimatéria no Espaço” e recebeu o apoio do Departamento de Energia dos Estados Unidos para colocar o módulo AMS no espaço.

Fonte da imagem: Reprodução/NASA/AMS

O equipamento AMS, que custou US$ 1,6 bilhão e foi construído nas instalações do CERN, é composto por um ímã e oito detectores que fornecem aos cientistas as informações das partículas que atravessam o ímã da unidade. Todos os dados são coletados dentro da fração de segundo que leva para uma partícula passar pelo módulo AMS.

De acordo com o idealizador do projeto, “o AMS é o primeiro experimento para medir com precisão 1% do fluxo de raios cósmicos do espaço. Esse nível de precisão permitirá dizer se nossa observação atual de pósitrons tem uma origem na matéria escura ou em pulsares”. Ting e sua equipe esperam muitos outros resultados para os próximos meses de estudo.

A equipe do projeto AMS inclui hoje mais de 600 físicos de 56 instituições em 16 países da Europa, Ásia e América do Norte. Entidades da comunidade científica como o CERN, a NASA e o Instituto de Tecnologia de Massachusetts participam diretamente do projeto.