Arquivo da categoria: Recursos Naturais

Transposição peca na revitalização do rio São Francisco, apontam especialistas

obras-do-eixo-leste-da-transposicao-do-rio-sao-francisco-1489097735336_615x300

Obras do eixo leste da transposição do rio São Francisco

A chegada das águas do rio São Francisco ao semiárido paraibano, nesta sexta-feira (10), marca a conclusão do eixo leste da transposição e contará com a presença do presidente Michel Temer. Mas o final da tão esperada obra no semiárido nordestino não encerra as polêmicas geradas pelo projeto, que custou R$ 10 bilhões.

Segundo especialistas, ficaram marcas na região ao serem deixadas de lado a revitalização do rio –que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu ao bancar a obra– e a negociação com comunidades afetadas. “Nós queremos revitalizar, recuperar as margens, as matas ciliares, fazer saneamento básico nas cidades para que não joguem dejetos no São Francisco, e começamos fazendo isso”, disse Lula, em 2009, durante o programa “Café com o Presidente”, em outubro de 2009.

Continuar lendo Transposição peca na revitalização do rio São Francisco, apontam especialistas

Pelo fim dos lixões

Programa Sou Resíduo Zero quer engajar empresas e sociedade a acabar com a geração de lixo. Ao reduzir o consumo de embalagens e dar destino correto aos resíduos, será possível dar adeus aos lixões do país

Estima-se que o brasileiro produza por dia um quilo de resíduos sólidos. Esta seria a quantidade de embalagens, restos de alimentos e outros tipos de materiais que o cidadão joga no lixo diariamente. Em 2013, este volume todo somado chegou a 76 milhões de toneladas.

Apesar da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) já ter entrado em vigor e ter estabelecido agosto de 2014 como prazo para que resíduos sólidos e rejeitos tivessem destinação final ambientalmente adequada, em muitas cidades do Brasil os lixões ainda estão funcionando livremente.

Com o objetivo de engajar pessoas, comunidades e empresas a reduzir a geração de resíduos e estimular ao máximo o reaproveitamento, reciclagem e compostagem, foi lançado este mês, em São Paulo, o Programa Sou Resíduo Zero, idealizado pela consultoria Eccaplan.

Continuar lendo Pelo fim dos lixões

Dia Mundial da Reciclagem, conheça os benefícios

11148620_654405277994402_8930617268485523925_nNeste Dia Mundial da Reciclagem faça a sua parte: separe o lixo de sua casa e valorize o trabalho do catador de materiais recicláveis!

A reciclagem é um importante componente da gestão de resíduos sólidos, pois ajuda a reduzir o consumo de matérias-primas, água e energia. Além disso, diminui os impactos ambientais provocados pela disposição inadequada dos resíduos e proporciona a abertura de novos mercados, gera trabalho, emprego e renda, conduzindo à inclusão social.

A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) traz diretrizes sobre o tratamento e o destino dos materiais descartados diariamente e prevê a “responsabilidade compartilhada”, que envolve sociedade, empresas, prefeituras e governos municipais, estaduais e federais na gestão do resíduo. Todos podem colaborar com o meio ambiente!

© Copyright MMA

Brasileira cria app que poupa água e ganha bolsa em universidade na Nasa

Mineira de 23 anos criou aplicativo para tornar plantações ‘inteligentes’.
Tecnologia reduz em até 60% consumo de água na irrigação.

Mariana Vasconcelos, de 23 anos, criadora do Agrosmart (Foto: Divulgação/Agrosmart)Mariana Vasconcelos, de 23 anos, criadora do Agrosmart (Foto: Divulgação/Agrosmart)

Um aplicativo que conecta o agricultor à sua plantação, reduzindo o consumo de água na irrigação, rendeu a uma brasileira de 23 anos uma bolsa para estudar em uma universidade na Califórnia ligada à Nasa (a agência espacial americana).

A administradora Mariana Vasconcelos, que mora em Itajubá (MG), foi selecionada entre mais de 500 pessoas para representar o Brasil como bolsista na Singularity University. A instituição, que funciona em um centro de pesquisa da Nasa no Vale do Silício, na Califórnia, selecionou empreendedores de 19 países para seu programa de imersão “Call to Innovation”.

Criada na fazenda do pai, Mariana desenvolveu em 2014 o Agrosmart, um aplicativo que promete tornar as plantações “mais inteligentes”.

A tecnologia utiliza sensores espalhados pelo campo, que avaliam a umidade do solo e a presença de pragas, entre outros parâmetros. Esses dados são interpretados pelo aplicativo, que indica ao agricultor os intervalos de irrigação e outras variáveis em tempo real.

Continuar lendo Brasileira cria app que poupa água e ganha bolsa em universidade na Nasa

A ameaça sobre os rios da Amazônia, em relatório da Rede WWF

Construção de barragens e hidrelétricas, expansão da agropecuária e outras atividades exploratórias colocam em risco a conectividade dos ecossistemas aquáticos da Bacia Amazônica. Sem esta ligação, há grande perda da biodiversidade e série ameaça à economia das populações locais. O alerta vem de relatório elaborado pela Iniciativa Amazônia Viva, da Rede WWF

Além da beleza natural ofuscante, a Amazônia é detentora de números grandiosos. A vegetação da maior floresta tropical do mundo, com aproximadamente 6,5 milhões de km², cobre parte do território de nove países da América do Sul. Mas não é somente mantendo suas árvores em pé que será possível preservar o equilíbrio deste bioma vital para o planeta. É necessário cuidar de suas águas.

A região amazônica possui o maior sistema fluvial do planeta. São mais de 100 mil quilômetros de rios, riachos, igapós, várzeas e outros tipos de áreas alagáveis. Só a foz do Rio Amazonas é responsável por desaguar cerca de 6.700 km3 de água doce por ano no Oceano Atlântico, o que representa quase 20% de todo fluxo global de água fluvial de superfície.

Todavia, muita atenção foi dada ao desmatamento na Amazônia nos últimos anos – algo fundamental e importantíssimo -, mas a proteção de seus rios foi negligenciada. Com o intuito de alertar sobre esta questão, a Iniciativa Amazônia Viva, da organização não-governamental WWF-Internacional, em parceria com suas instituições sulamericanas, lançou hoje (13/04) o relatório “O Estado da Amazônia: Conectividade e Saúde dos Ecossistemas de Água Doce”*. O estudo foi divulgado em evento paralelo do VII Fórum Mundial de Água, realizado pelo Conselho Mundial da Água*, que acontece em Gyeongju, na Coréia do Sul (de 12 a 17/4).

O relatório mostra como a ligação hidrológica da Bacia Amazônia é imprescendível para a sobrevivência de inúmeras espécies. Muitos peixes dependem das migrações laterais ou longitudinais em algumas partes de seus ciclos de vida. É o caso do bagre, por exemplo. A espécie viaja milhares de quilômetros desde o estuário da Amazônia até as cabeceiras dos rios de água branca (barrenta) e deixa suas ovas nos contrafortes dos Andes. Ou seja, o bagre só consegue se reproduzir graças aos chamados corredores de migração.

A conexão entre a água doce da Amazônia também regula o fluxo de material orgânico e inorgânico, necessários para o desenvolvimento da vida aquática e terrestre. Durante épocas de cheias e inundações, sedimentos que são carregados pelo rio influenciam o crescimento de plantas e trazem alimentos para os animais. Alguns rios chegam a subir entre 15 a 20 metros de altura nestes períodos. A floresta Xixuaú, na divisa dos estados de Amazonas e Roraima, depende exatamente deste ciclo para sua preservação.

Entretanto, todo este equilíbrio harmônico do bioma aquático da Amazônia está sob ameaça. Na região Amazônica (não só no Brasil, mas como em seus vizinhos), atualmente 154 usinas hidrelétricas e barragens estão em funcionamento, outras 21 se encontram em construção e nada menos que 277 novas estão sendo planejadas. Se estas obras forem concretizadas, apenas três rios afluentes do Amazonas manterão seu fluxo livre.

“A eletricidade pode ser importante para o desenvolvimento sustentável da Amazônia. A energia hidrelétrica não é uma energia limpa, mas ela é melhor do que a energia proveniente de combustíveis fósseis e do que a energia nuclear. Mesmo assim, o planejamento e o desenvolvimento hidrelétrico precisam levar em conta que abordagens integradas são viáveis na Amazônia”, destaca Claudio Maretti, líder da Iniciativa Amazônia Viva.

© Copyright Planeta Sustentável

Fotos de satélite da Nasa registram drásticas mudanças ambientais no mundo

Impacto do derretimento de geleiras, represamento de águas e da urbanização podem ser vistos do alto ao longo dos anos
150409123327_mirani_dam_1920x1200
A represa de Mirani, no sul do Paquistão, foi finalizada em 2006, para prover água potável, irrigação e energia elétrica. A imagem à esquerda mostra a região antes da construção da represa; à direita, a represa em 2011, com o avanço agrícola propiciado pela água (Foto: Nasa)

Vistas de cima, áreas enormes do planeta sofreram profundas transformações nas últimas décadas.

Imagens da Nasa mostram como o derretimento de geleiras, lagos em extinção e cidades em expansão alteraram o seu redor, da China à América do Sul.

O projeto completo, chamado Images of Change (Imagens da mudança), pode ser visto no site climate.nasa.gov/state_of_flux.

© Copyright BBC Brasil

Para Ibama, estudo de impacto da usina de São Luiz do Tapajós é falho

  Ribeirinhos de Pimental vivem em integração com o Tapajós: hábito de lavar a louça no rio ajuda a atrair os peixes

O processo de licenciamento da hidrelétrica de São Luiz do Tapajós, no Pará, pode demorar mais que o esperado pelo governo federal. Em avaliações técnicas divulgadas entre novembro de 2014 e o início de março, o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) aponta diversas falhas no estudo de impactos sociais e ambientais da hidrelétrica e pede sua reformulação. Do jeito que o estudo está é impossível para o órgão licenciador julgar a viabilidade ambiental do empreendimento.

A expectativa do governo é de que a hidrelétrica de São Luiz entre em operação em agosto de 2020, de acordo com o último Plano Decenal de Expansão de Energia. Essa é a primeira das sete hidrelétricas planejadas para o Complexo Tapajós, que junto às hidrelétricas do rio Teles Pires se ligará ao sistema de energia do Sudeste/Centro-Oeste. Se construída, a barragem irá alagar território indígena Munduruku e remover completamente os ribeirinhos da comunidade centenária de Pimental, além de impactar as cidades de precária infraestrutura social no oeste do Pará, entre elas, Itaituba.

Os pareceres do IBAMA, publicados em seu site, somam 478 páginas de comentários sobre as informações apresentadas na pesquisa feita pela CNEC Worley Parsons, empresa de consultoria contratada pela Eletrobras, líder do Grupo de Estudos Tapajós. O grupo tem participação de outras empresas do setor de energia elétrica, como Endesa, as francesas GDF Suez e EDF, e da construtora Camargo Corrêa, acusada de pagar cerca de R$ 20 milhões em propina no projeto da usina de Belo Monte.
A avaliação do órgão ambiental sobre empreendimentos que possam gerar grandes impactos socioambientais é obrigatória por lei. Sem as licenças emitidas pelo IBAMA, a hidrelétrica não pode ser construída.

A Eletrobras foi notificada oficialmente dia 2 de março sobre a necessidade de detalhar e discutir questões relacionadas às alternativas técnicas para o empreendimento, como a localização da barragem, e as interferências causadas no Tapajós pelo enchimento e operação do reservatório da hidrelétrica. Entre mais de 180 pontos que precisam ser aprofundados no estudo, de acordo com os técnicos ambientais, o IBAMA também julgou necessário um detalhamento maior sobre o modo de vida, infraestrutura, educação, segurança e pesca nas áreas diretamente afetadas pelo projeto.

Conforme apontado nos pareceres, até dados básicos – como os índices de educação dos municípios de Itaituba e Trairão, por exemplo, estão errados. O estudo declara se basear no Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil, mas classifica os índices desses municípios como “alto”, enquanto a avaliação do Atlas é de “muito baixo”. “Pode-se dizer que os erros nos dados do EIA comprometem de tal forma a avaliação dos impactos relacionados ao tema que não é possível dimensionar a carência na educação nos municípios”, escreveram os técnicos do IBAMA. A observação vai de encontro às críticas feitas pela administração de Itaituba, que em outubro de 2014, apontou à CNEC WorleyParsons erros nas informações apresentadas no estudo de impactos.

Os técnicos também observaram que, embora o estudo cite questionamentos dos moradores da comunidade ribeirinha de Pimental, as dúvidas sobre como foi feito o cadastramento da população não foram resolvidas. “As respostas às questões apresentadas não foram descritas no EIA [Estudo de Impacto Ambiental]. Assim como não foram detalhadas a forma de lidar com essas questões nem no diagnóstico, nem nos impactos e nem nas propostas de medidas mitigadoras.”

O parecer ainda recomenda atenção para a possível diminuição de peixes na região. O pescado é a fonte principal de proteína para os ribeirinhos e o risco é de que o empreendimento comprometa a segurança alimentar dessa população.

Essa não é a primeira vez que o Grupo de Estudos Tapajós precisa refazer o trabalho sobre impactos sociais e ambientais. Em julho de 2014, o grupo apresentou os estudos de impacto às comunidades indígenas do Tapajós, mas a Funai julgou as informações precárias. A segunda versão do estudo foi apresentada em setembro. Nela, os pesquisadores apontam que aldeias indígenas serão diretamente afetadas e recomendam sua remoção, o que é vetado por lei. Por isso, a Funai produziu um parecer interno que considerou o projeto de São Luiz do Tapajós inviável.

Mas o IBAMA ainda aguarda manifestação oficial do órgão indigenista. Também são necessárias as manifestações das prefeituras das cidades afetadas, do IPHAN sobre o patrimônio arqueológico presente na região e do ICMBio sobre os impactos nas áreas de conservação que circundam a área planejada para a barragem.

A Pública questionou o IBAMA sobre os prazos e condições dadas à empresa para refazer os estudos, mas até o fechamento desse texto não obteve resposta.

© Copyright Agência Pública / UOL