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Plataformas de gelo da Antártica estão perdendo volume rapidamente

Dados de satélite mostram encolhimento nas últimas duas décadas.

Se ritmo continuar o mesmo, placas poderiam desaparecer em 100 anos.

Foto de arquivo mostra aeronave DC-8, da Nasa, sobrevoando a plataforma de gelo Brunt, em outubro de 2010: observações de satélite revelam declínio das plataformas de gelo da Antártica ao longo dos anos  (Foto: Reuters/Michael Studinger/Nasa)
Foto de arquivo da Reuters mostra aeronave DC-8, da Nasa, sobrevoando a plataforma de gelo Brunt, em outubro de 2010: observações de satélite revelam declínio das plataformas de gelo da Antártica ao longo dos anos (Foto: Reuters/Michael Studinger/Nasa)

As plataformas de gelo que flutuam ao redor da Antártica estão perdendo volume cada vez mais rapidamente, alertou uma equipe de cientistas em um estudo publicado nesta quinta-feira (26) pela revista “Science”.

A pesquisa, feita por especialistas de duas instituições dos Estados Unidos (a Universidade da Califórnia, em San Diego, e o Centro de Pesquisa de Terra e Espaço em Corvallis, no Oregon), ressaltou a preocupação com a rapidez com a elevação do nível global do mar à medida que o clima esquenta.

As plataformas de gelo ao redor da Antártica têm se estreitado aceleradamente nas últimas duas décadas, sobretudo no oeste do continente, mostrou o estudo, que se baseia em dados de satélite recolhidos durante 18 anos.

O manto de gelo da Antártica, a espessa camada de gelo que cobre grande parte do continente, está ancorada por sua franja flutuante, plataformas de gelo que se projetam para fora no oceano. Essas placas agem como um contraforte para o gelo “aterrado”, ajudando a manter o fluxo das geleiras do manto de gelo no oceano.

Perigo de desaparecer
Se essas plataformas de gelo continuarem se estreitando a essa velocidade, poderiam desaparecer, o que faria com que as placas de gelo “aterradas” que sustentam a terra colapsassem no oceano.

As plataformas de gelo que rodeiam a Antártida ajudam a conter a libertação do manto de gelo no oceano.

Este efeito diminui quando as plataformas de gelo ficam mais finas, o que leva a um aumento da descarga de gelo no oceano.

O pesquisador Fernando Paolo e seus companheiros, que combinaram dados de três missões de satélite realizadas entre 1994 e 2012, descobriram que a maior parte da massa perdida era das plataformas de gelo dos mares de Amundsen e de Bellingshausen, no litoral oeste da Antártica.

As duas regiões representam menos de 20% do total da área de plataforma de gelo do oeste da Antártida, mas contribuem para mais de 85% do total do volume de plataforma de gelo perdido nessa zona.

Fim em 100 anos
Ao ritmo atual, duas das plataformas de gelo do litoral oeste poderiam desaparecer completamente em 100 anos, alertou a pesquisa.

O estudo também mostrou que a massa da plataforma de gelo do leste da Antártica cresceu entre 1994 e 2003, embora venha se estreitando rapidamente desde então.

Os dados em que o estudo se baseia foram recolhidos por três missões de satélites com altitudes sobrepostas (ERS1, 1992-1996; ERS2, 1995-2003; e Envisat, 2002-2012) entre 1994 e 2012.

Segundo os pesquisadores, suas conclusões demonstram que estudos anteriores sobre o afinamento das plataformas de gelo que rodeiam a Antártica, baseados em dados de satélite de cinco anos, não foram representativos de tendências mais longas.

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Amazônia absorve menos carbono por morte precoce de árvores, mostra estudo

A capacidade da Floresta Amazônica para absorver gases causadores do efeito estufa diminuiu drasticamente, possivelmente porque a mudança climática e as secas estão fazendo mais árvores morrerem, afirmou uma equipe internacional de cientistas nesta quarta-feira (18).

A maior floresta tropical do mundo vem assimilando grandes quantidades de dióxido de carbono. As plantas usam o gás, que acumula calor, para crescer, e o eliminam quando apodrecem ou queimam, mas o relatório afirma que essa função de compensação do aquecimento global pode estar ameaçada.

O estudo com 321 trechos de partes da Amazônia jamais afetadas por atividades humanas estimou que a quantidade de dióxido de carbono absorvida pela floresta caiu 30 por cento, ou de 2 bilhões de toneladas por ano nos anos 1990 para 1,4 bilhão nos anos 2000.

“O crescimento florestal zerou ao longo da última década”, disse o principal autor do relatório, Roel Brienen, da Universidade de Leeds, à Reuters a respeito das descobertas reveladas no periódico científico Nature. Ao mesmo tempo, “a floresta toda está vivendo mais rápido — as árvores crescem mais rápido, morrem mais rápido”.

“A absorção líquida de carbono de florestas se enfraqueceu significativamente”, comentou sobre o estudo de quase 100 especialistas.

Pela primeira vez, as emissões humanas de carbono na América Latina estão superando as quantidades absorvidas pela Amazônia, informou a Universidade de Leeds em um comunicado à imprensa.

Os cientistas disseram não estar claro se o declínio irá continuar e se a tendência se aplica a outras florestas tropicais, como a bacia do Congo ou a Indonésia.

As descobertas são uma surpresa, já que alguns modelos de computador indicam que as florestas tropicais podem crescer melhor porque o dióxido de carbono emitido pelo uso humano de combustíveis fósseis age como um fertilizante que se dispersa no ar.

O estudo afirma que a morte acentuada de árvores pode estar ligada a secas severas como a de 2005.

Outra possibilidade é que o dióxido de carbono gerado pelo homem está fazendo as árvores crescerem mais rápido e morrerem mais cedo, e que só agora o número maior de mortes está se tornando aparente.

Se a tendência se mantiver, o panorama da Floresta Amazônica pode mudar. As lianas, da família dos cipós, podem ser algumas das beneficiadas, disse Brienen.

Christof Bigler, especialista em florestas do Instituto Federal Suíço de Tecnologia de Zurique, que não participou do estudo, disse que as árvores de crescimento rápido fora dos trópicos muitas vezes também têm um ciclo de vida mais curto.

“As árvores de crescimento rápido tendem a ter uma densidade de raiz menor e podem ser mais vulneráveis a ataques de insetos e patógenos”, afirmou ele à Reuters sobre suas descobertas na Suíça e na América do Norte.

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Terremoto de magnitude 5,5 no sudoeste da China deixa 20 feridos

  • Moradores de Lincang recebem assistência médica em hospital pouco depois do terremoto
    Moradores de Lincang recebem assistência médica em hospital pouco depois do terremoto

Ao menos 20 pessoas ficaram feridas e numerosos danos materiais é o saldo provisório de um terremoto de magnitude 5,5 na escala Richter que sacudiu no domingo (1º) a província chinesa de Yunnan, localizada no sudoeste da China, segundo informou nesta segunda-feira a agência oficial “Xinhua”.

O terremoto teve seu epicentro na comarca de Cangyuan às 18h24 (horário local do domingo, 7h24 de Brasília) e causou graves danos nas casas da região, situada na fronteira com Mianmar.

As autoridades enviaram para a área mil tendas, 2.000 cobertores e 20.000 metros quadrados de lonas para atender as famílias que perderam seus lares.

A zona é habitada sobretudo por minorias étnicas camponesas, cujas casas não são preparadas para resistir a movimentos sísmicos.

Na mesma região, um terremoto de 6,5 graus de intensidade ocorrido em 3 de agosto causou mais de 600 mortos e destruiu ao redor de 80 mil casas.

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