Arquivo da tag: Xenofobia

Líbia prendeu mais de 600 migrantes que iam a Europa nos últimos 3 dias

Ao menos dois barcos foram interceptados navegando para fora da Líbia.
País se tornou um dos principais centros para traficantes de humanos.

Migrantes que esperavam chegar à Europa de barco foram presos na Líbia nesta terça-feira (21) (Foto: AFP PHOTO / MAHMUD TURKIA)Migrantes que esperavam chegar à Europa de barco foram presos na Líbia nesta terça-feira (21) (Foto: AFP PHOTO / MAHMUD TURKIA)

A Líbia interceptou nos últimos três dias várias embarcações lotadas de africanos que tentavam chegar à costa da Itália, detendo mais de 600 imigrantes, disse um representante do gabinete de imigração do país nesta terça-feira (21).

O país do norte da África, assolado pela violência e o colapso da autoridade governamental quatro anos após a derrubada de Muammar Gaddafi, se tornou um dos principais centros de ação para traficantes de humanos, que dali embarcam os imigrantes africanos para a Itália.

As forças de segurança líbias detiveram cerca de 70 africanos em Trípoli nesta terça-feira, enquanto aguardavam por traficantes para serem colocados em barcos com destino a Lampedusa, disse à Reuters um alto representante do gabinete de imigração líbio na capital.

 

Continuar lendo Líbia prendeu mais de 600 migrantes que iam a Europa nos últimos 3 dias

Itália resgatou 638 imigrantes em alto-mar na segunda

Balanço foi divulgado pela Guarda Costeira nesta terça.
Capitão e ajudante de navio líbio naufragado foram presos.

 Depoimentos dos sobreviventes ajudaram a definir o número de mortos (Foto: REUTERS/Alessandro Bianchi)Depoimentos dos sobreviventes ajudaram a definir o número de mortos (Foto: REUTERS/Alessandro Bianchi)

Mais 638 imigrantes foram resgatados nesta segunda-feira (20) em alto-mar após seis operações de socorro diferentes, informou nesta terça-feira (21) a Guarda Costeira da Itália em comunicado.

Os imigrantes viajavam a bordo de seis barcos em águas da costa da Líbia e receberam assistência do navio “Fiorillo” da guarda-costeira, de uma embarcação mercante e da Marinha italiana.

As primeiras 93 pessoas resgatadas, entre elas 12 mulheres e duas crianças, foram levadas na noite passada à ilha de Lampedusa, no sul do país.

Continuar lendo Itália resgatou 638 imigrantes em alto-mar na segunda

Filme brasileiro “Olhos Azuis”, aborda preconceito contra imigrantes brasileiros nos EUA

Personagem de David Rasche viaja ao Brasil em ''Olhos Azuis'', filme de José Joffily
Personagem de David Rasche viaja ao Brasil em ”Olhos Azuis”, filme de José Joffily
Sinopse:

Marshall (David Rasche) é o chefe do Departamento de Imigração do aeroporto JFK, em Nova York. Comemorando seu último dia de trabalho, Marshall resolve se divertir complicando a entrada no país de vários latino-americanos. Entre eles está Nonato (Irandhir Santos), um brasileiro radicado nos EUA, dois poetas argentinos, uma bailarina cubana e um grupo de lutadores hondurenhos. Dois anos depois, Marshall vem ao Brasil procurar uma menina de nome Luiza. Quando ele conhece Bia (Cristina Lago), uma jornada em busca de redenção se inicia. Olhos Azuis foi o grande vencedor do II Festival Paulínia de Cinema com seis prêmios, incluindo o de Melhor Filme.

Continuar lendo Filme brasileiro “Olhos Azuis”, aborda preconceito contra imigrantes brasileiros nos EUA

Ataques contra imigrantes se multiplicam no centro de Johannesburgo

17abr2015---carros-incendiados-ficam-nas-ruas-de-joanesb_002
Carros incendiados ficam nas ruas de Joannesburgo, África do Sul. Doze pessoas foram detidas na madrugada desta sexta-feira (17) por ataques contra estrangeiros na cidade sul-africana, que vive um aumento nos casos de xenofobia.

Doze pessoas foram detidas na madrugada desta sexta-feira por ataques contra estrangeiros em Johannesburgo, onde a onda de xenofobia aumentou, informou a polícia.

“Doze suspeitos foram detidos por tentar atacar lojas que eram propriedade de estrangeiros”, explicou um porta-voz da polícia, o tenente-coronel Lungelo Dlamini.

De acordo com informações locais, os manifestantes de uma residência de trabalhadores saíram às ruas para exigir que os estrangeiros deixem a África do Sul, atearam fogo em carros e enfrentaram a polícia.

Não foram registrados feridos, disse Dlamini.

Este foi o último incidente em uma onda de violência que começou no início do mês no porto de Durban e que até o momento deixou seis mortos.

A tensão era palpável nesta sexta-feira, e trabalhadores desta residência seguiam exigindo diante dos jornalistas que os imigrantes deixem a cidade.

“Condenamos a violência de forma contundente. Convocamos a calma e pedimos o fim da violência”, declarou na quinta-feira ante o Congresso o presidente sul-africano, Jacob Zuma.

No início do ano, outros ataques em Soweto, ao sul de Johannesburgo, obrigaram comerciantes de nacionalidade estrangeira a abandonar suas propriedades e fugir, diante do medo de serem assassinados.

O desemprego chega a 25% na África do Sul, e as perspectivas econômicas são ruins para este ano.

© Copyright AFP / UOL

‘Olhos azuis’ explica a discriminação pela cor dos olhos

jane-elliott-001
Jane Elliott

A professora e socióloga Jane Elliott ganhou um Emmy pelo documentário de 1968 “The Eye of the Storm”, em que aplicou um exercício de discriminação em uma sala de aula da terceira série, baseada na cor dos olhos das crianças.

Hoje aposentada, aplica workshops sobre racismo para adultos. “Olhos Azuis” é a documentação de um desses workshops em que o exercício de discriminação pela cor dos olhos também foi aplicado.

O objetivo do exercício é colocar pessoas de olhos azuis na pele de uma pessoa negra por um dia.

Para isso, ela rotula essas pessoas, baseando-se apenas na cor dos olhos, com todos rótulos negativos usados contra mulheres, pessoas negras, homossexuais, pessoas com deficiências físicas e todas outras que sejam diferentes fisicamente.

Continuar lendo ‘Olhos azuis’ explica a discriminação pela cor dos olhos

Onda de xenofobia assusta imigrantes na África do Sul; pelo menos quatro pessoas foram mortas

AFRICA DO SUL
 Mais de 2.000 estrangeiros estão refugiados em um campo na cidade portuária de Durban, na África do Sul.

O país vive uma onda de xenofobia: pelo menos quatro pessoas foram mortas desde a semana passada e 74 foram presas, de acordo com o porta-voz da polícia Jay Naicker.

No total, pelo menos 5.000 estrangeiros tiveram que deixar suas casas em Durban, importante ponto de saída para o Oceano Índico. Nesta quarta-feira (15), a onda de violência atingiu cidades vizinhas também.

Em Joanesburgo, onde lojas de imigrantes foram saqueadas no começo do ano, vários estabelecimentos fecharam as portas, para evitar atos de violência. De acordo com a Reuters, mesmo que a cidade não tenha registrado ataques nas últimas semanas, os comerciantes foram ameaçados via mensagens, que afirmavam que todos os estrangeiros seriam mortos.

Embora o governo tenha condenado a onda de violência, segundo o site australiano News, Zulu King Goodwill Zwelithini, líder de um grande grupo étnico no país, disse que os estrangeiros tinham que “fazer as malas e irem embora”.

Edward Zuma, filho do presidente Jacob Zuma disse à uma agência local que o país estava “sentado em uma bomba relógio de estrangeiros que tomam o país”. Mesmo diante de intensas críticas, ele disse que não vai de desculpar pelo que disse, nem retirar seus comentários.

O presidente designou uma equipe de ministros para lidar com o problema. Assim como muitos ativistas anti-apartheid, Zuma foi refugiado em outros países africanos enquanto estava exilado.

Centenas de milhares de estrangeiros, a maioria de outros países do continente e da Ásia, se mudaram para o país desde o fim do Apartheid, em 1994. Com cerca de 50 milhões de habitantes, a África do Sul é lar para cerca de 5 milhões de estrangeiros.

O Malauí afirmou que vai retirar seus cidadãos do país a partir do final de semana. Pelo menos 420 malauianos estão nos campos de refugiados em Durban para fugir da violência, segundo o governo do país. Segundo a rede Al Jazeera, autoridades negociam com o governo sul-africano para que os imigrantes possam deixar o país sem passaporte – a maioria deles perdeu todos os documentos durante a fuga.

Segundo a BBC, pelo menos 62 pessoas morreram em ataques xenofóbicos no país desde 2008.

A maioria das ondas de violência contra estrangeiros é causada porque alguns sul-africanos alegam que seus empregos são roubados. A taxa de desemprego no país é de 24%.

Nas redes sociais, uma campanha de repúdio aos ataques ganhou força por meio da hashtag #SayNoToXenophobia (diga não à xenofobia, em tradução livre).

© Copyright Brasil Post

Moçambicanos mortos por xenofobia na África do Sul

Refugiados do campo de Isipingo, no sul de Durban abastecem-se de víveres nesta quarta-feira 15/04/2015
Refugiados do campo de Isipingo, no sul de Durban abastecem-se de víveres nesta quarta-feira 15/04/2015 Alexandra Brangeon / RFI

Fernando Fazenda, embaixador de Moçambique na África do Sul, deslocou-se hoje a Durban, para confortar e preparar o repatriamento dos cerca de 300 moçambicanos, que estão em campos de trânsito após a morte de dois seus conterrâneos, queimados vivos por sul-africanos.

A onda de violência que assola o Kuazulu-Natal desde sexta-feira passada, culminou na morte de pelo menos dois cidadãos moçambicanos e três etíopes.

Mais de 500 cidadãos africanos, na sua maioria moçambicanos que perderam todos os seus bens devido à violência xenófoba, estão em centros de acolhimento temporário e em esquadras da polícia em Durban, todos querem regressar aos seus países de origem.

Moçambique, Malawi e Somália estão a preparar o repatriamento dos seus cidadãos.

O embaixador moçambicano Fernando Fazenda que está desde esta quarta-feira em Durban, está “terrívelmente pessimista” quanto ao estancar desta nova onda de violência, que dos bairros periféricos de Durban alastrou à capital do Kwazulu-Natal.

A violência continua em diferentes sítios…as coisas estão a deflagrar em tudo o que é canto, em tudo o que é bairro, quando a gente pensa que as coisas estão a acalmar, há notícias de focos violentos noutras zonas.”

© Copyright RFI / Brasil Post

Somos todos iguais: a luta pela diversidade e contra o preconceito

somos-todos-iguais-luta-diversidade-contra-preconceito-abre-560“Eu tenho um sonho que um dia meus filhos irão viver numa nação onde eles não serão julgados pela cor de sua pele, mas pelo conteúdo de seu caráter”.

A frase, que faz parte de um dos textos mais famosos da história – não somente a americana, mas a mundial – foi dita pelo reverendo e ativista negro Martin Luther King, durante seu discurso “I have a dream”, em 1963, em Washington D.C., capital dos Estados Unidos, diante de uma plateia enorme de pessoas, que lutavam pelos direitos raciais.

Se Martin Luther King não tivesse sido assassinado e ainda estivesse vivo, ele veria um país bem diferente nos dias de hoje. Menos de 50 anos depois de seu inesquecível discurso, os Estados Unidos elegeram seu primeiro presidente negro, que se chama Barack Hussein Obama. Filho de um queniano com uma americana, formou-se em Direito na mais prestigiada universidade daquele país: Harvard.

Assim como Obama, o americano Raphaël Sambou acredita que muito de seu sucesso pessoal e profissional se deve a Luther King. Foi o diplomata quem relembrou a história acima. “Eu não estaria aqui hoje se não fosse por ele e outros tantos ativistas americanos”, disse.

Sambou foi um dos convidados a participar da 12ª Semana Martin Luther King, promovida pela Associação Palas Athena, no Sesc Vila Mariana, em São Paulo. Com apoio institucional da Unesco e do Consulado Geral dos Estados Unidos, o encontro teve dois temas “Diversidade nos Estados Unidos – Uma Perspectiva Atual” e “Linha de Montagem do Preconceito – Reprodução de Uma Mentira”.

Para a  primeira rodada de conversa, além de Raphaël Sambou, outro diplomata do Consulado Americano, Christopher Johnson também deu seu depoimento. Já sobre preconceito, falaram Alexandra Loras, consulesa da França em São Paulo, Renato Janine Ribeiro, ministro da Educação e Thiago Tobias, representante da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi) do Ministério da Educação.

Logo no início do evento, Raphaël Sambou contou sobre sua trajetória e os avanços que a comunidade negra conquistou em seu país. Apesar da abolição da escravatura ter sido proclamada em 1863 nos Estados Unidos, apenas cem anos depois os negros ganharam direito ao voto. “Mas hoje, além de Barack Obama, temos muitos negros à frente de grandes multinacionais também”, afirmou. “Já percorremos um longo caminho, entretanto, temos muito ainda a vencer. A marcha de Selma não terminou”, referindo-se à caminhada histórica de manifestantes no Alabama, estado onde aconteceram confrontos trágicos por causa do racismo.

O diplomata americano destacou que o preconceito contra os negros persiste nos Estados Unidos. Recentemente, jovens foram assassinados no país por policiais –claramente por causa da cor de sua pele. Nas prisões americanas, 1,7 milhão de detentos são negros.

somos-todos-iguais-luta-diversidade-contra-preconceito-diplomatas-560
Raphael Sambou e Christopher Johnson falaram sobre racismo e preconceito nos Estados Unidos

Filho de uma imigrante da Nicarágua e pai caribenho, o diplomata negro Christopher Johnson contou que sofreu muito preconceito mesmo dentro de sua comunidade. Por não ter a pele tão negra, era visto como “mais branco do que os outros”. “A imagem do americano africano em meu país ainda é negativa”, acredita.

É justamente como é passada a imagem dos negros, não somente nos Estados Unidos, como em todo mundo – mesmo aqui no Brasil e sobretudo na França – que Alexandra Loras se tornou uma ativista e palestrante sobre o assunto. “Por gerações e gerações fomos condicionados a pensar que homens eram superiores às mulheres, assim como negros eram inferiores aos brancos”.

A consulesa mostrou um vídeo chocante, realizado na década de 50, em que crianças americanas eram confrontadas com bonecas negras e brancas e questionadas quais eram boas ou más. “Imaginem um mundo em que todos os inventores, filósofos e artistas fossem negros. E nas páginas dos livros, só aparecessem duas páginas de seus ancestrais – brancos – que haviam sido escravizados”, disse.

somos-todos-iguais-luta-diversidade-contra-preconceito-alexandra-loras-560

Alexandra Loras acredita que a história dos negros precisa ser recontada

Ao comparar a quantidade de escravos trazida para o Brasil com a daqueles levados aos Estados Unidos, Alexandra falou que em nosso país, o número foi muito maior. Todavia, eles se transformaram numa massa invisível. Ela defende que a imagem do negro deva ser trabalhada de maneira diferente nos livros didáticos e nomes como Teodoro Sampaio, Machado de Assis ou André Rebouças – todos negros – sejam mais valorizados. É hora de parar de buscar culpados. “Precisamos contar coisas positivas, melhorar a autoestima. Não são brancos contra negros, somos todos iguais”.

Filósofo e professor de Ética e Filosofia Política da USP, o ministro da Educação Renato Janine Ribeiro falou sobre tolerância. Segundo ele, temos que aprender com os outros, mesmo que pensemos de forma diferente. Como único branco do debate, como se intitulou, o ministro afirmou que os brancos não são culpados pelo preconceito, mas são responsáveis.

“A maior vergonha é sermos indiferentes ao racismo e ao preconceito”, ressalta Ribeiro. Ele citou Charles Darwin, que ao deixar o Brasil, teria dito que nunca mais queria pisar num país onde houvesse escravidão.

somos-todos-iguais-luta-diversidade-contra-preconceito-ministro-educacao-560“A maior vergonha  é sermos indiferentes ao preconceito”, afirmou o ministro da Educação Renato Janine Ribeiro

Convidado pelo ministro, Thiago Tobias explicou como é o trabalho da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão do governo. O órgão busca integrar ao ensino do país as minorias – negros, mulheres,  indígenas. “Somente o encontro entre inclusão, tolerância e ética vai conseguir superar as desigualdades no Brasil”.

Uma das principais lições que ficou da noite que discutiu diversidade e preconceito veio da francesa Alexandra Loras. Depois de uma infância difícil, em que sofreu muito com o racismo, hoje a mulher linda e bem-sucedida – orgulhosa da cor de sua pele – prega que “o passado não pode definir nosso futuro”.

Ela é certamente um exemplo disso. E é nosso dever fazer com que todos tenham oportunidades iguais e nossa sociedade seja tolerante e aberta à diversidade.

© Copyright Planeta Sustentável

Uma cidade dividida pela xenofobia

Aumento do fluxo de refugiados na Europa vira tema também em vilarejos, como Tröglitz, no oeste alemão. Cidade, onde prefeito renunciou por ameaça de neonazistas, é retrato extremo de debate presente em todo o país.
A forte tempestade castigava sem piedade a pequena Tröglitz, com suas fileiras de edifícios de cor bege e verde-claro, muitos recentemente pintados, derrubando latões de lixo, espalhando sacos plásticos e sujeira pelas calçadas das ruas estreitas. A ventania despenteava um senhor de idade parado em frente ao quadro de avisos da cidade, no oeste da Alemanha.

Com o olhar franzido, ele lia um anúncio desbotado sobre um serviço de cabeleireiros a domicílio. “Isso é novidade”, observou. “De qualquer jeito, as pessoas teriam que se arrumar, não?”, questionou, dando de ombros, como se não conseguisse decidir se essa inconveniência é mais significativa do que o benefício de ter os cabelos cortados em casa.

Ele também não conseguia ou não queria opinar sobre a questão dos refugiados. Apenas balançou a cabeça, murmurou algo incompreensível e saiu em direção à escola local, adornada por um enorme mural da era comunista: um grupo de estudantes, portando livros, sobre a frase “ensinamos, aprendemos e lutamos pela paz”.

Ultimamente, porém, a cidade de cerca de 2.700 habitantes não tem sido muito pacífica, desde que a prefeitura anunciou planos de abrigar cerca de 40 refugiados, de um total de 650 que deverão ser recebidos na região em 2015.

Com o acirramento da guerra civil no Iraque e na Síria, um número cada vez maior de refugiados é forçado a abandonar sua terra natal. Países europeus, incluindo a Alemanha, registram recordes de pedidos de asilo. E cidade como Tröglitz, onde a porcentagem de estrangeiros inclusive europeus não passa de 1%, foram, pela primeira vez, convocadas a acomodar mais gente.

Reunificação e trauma

Em pouco tempo, um movimento de protestos surgiu a partir da sede local do partido de extrema direita NPD, que organiza semanalmente marchas contra os refugiados. Os planos de aumentar para 70 o número requerentes de asilo na cidade foram rapidamente engavetados, e promessas de que eles virão em família acalmaram os ânimos.

O prefeito Markus Nierth, que havia convocado a cidade a dar boas-vindas aos refugiados, renunciou em março após autoridades locais se recusarem a proibir uma manifestação em frente a sua casa. Em seu pequeno escritório, revestido com painéis de madeira, ele se lamentava, cercado de réplicas de navios em miniatura.

Nierth diz que se sente abandonado: tanto pelos cidadãos, como pelos políticos locais. Para ele, tudo foi “extremamente decepcionante”. Pai de sete filhos, ele administra juntamente com a esposa uma escola de dança em casa e diz ter se candidatado a prefeito, um cargo não remunerado, para ajudar a cidade.

Ele afirma categoricamente que a cidade não é um nicho da extrema direita “como tem sido retratado pela imprensa” apesar das ameaças de morte que ele e sua família têm recebido. “As pessoas aqui dizem o que pensam, admitem seus medos sem se preocupar em ser politicamente corretos, e por isso pode parecer que são ultradireitistas ou xenófobos”, argumenta.

O ex-prefeito afirma que os neonazistas, muitos deles de fora de Tröglitz, orquestraram os protestos e conseguiram elevar os medos de muitos no leste da Alemanha em particular, das pessoas das classes sociais mais baixas.

“É preciso entender que, após a Reunificação, as pessoas se sentiram abandonadas e traídas”, diz Nierth, se referindo aos muitos que perderam seus empregos e, com eles, seu padrão de vida. Após o fim da Alemanha Oriental, o desemprego aumentou significativamente na região. “Eles ainda trazem as feridas por terem perdido, praticamente da noite para o dia, tudo o que conheciam.”

Esse trauma da perda e do declínio social acabou ressurgindo nos protestos contra os refugiados. “É quase como se precisassem descontar em alguém”, diz Nierth. “Isso me deixa triste.”Ele afirma, porém, que as coisas mudaram desde a sua renúncia. Muitas pessoas saíram em sua defesa. “Mas ainda é muito pouco, e muito tarde.”

Medo de perder privilégios

Em uma assembleia municipal feira, convocada por Götz Ulrich, do partido conservador União Democrata Cristã (CDU), a líder eleita da autoridade distrital, Ingrid Weise, disse que estava ali para expressar seu apoio a Nierth. “É terrível o que está acontecendo, por isso vim”, afirmou a idosa.

Alguns, entretanto, não compartilhavam dessa opinião. Do alto da bancada, um homem irritado gritava sua pergunta para Ulrich, exigindo saber por que o governo gasta dinheiro como os refugiados ao invés de ajudar as pessoas como ele, enquanto uma minoria presente aplaudia.

Ele deixou o local em protesto enquanto Ulrich, com calma e paciência, explicava que a Alemanha tem a responsabilidade de ajudar aqueles que fogem de guerras e perseguições. Ele argumentou ainda que, apesar de seis milhões de euros terem sidos destinados pela autoridade distrital no Orçamento deste ano para os refugiados em Tröglitz, outros 273 milhões serão investidos em benefícios aos desempregados e outros serviços sociais.

“Por isso, não se pode dizer que não investimos nas pessoas que moram aqui”, disse Ulrich, seguido de intensos aplausos da maioria, abafando a resposta irritada do skinhead, que gritava: “Isso é besteira!”.

Uma jovem nervosa, que aguardava pacientemente a sua vez no microfone, dizia com o olhar baixo, voltado para suas próprias mãos, que não conseguia entender por que alguns rejeitam a presença de pessoas de fora. “Eu sou da Turíngia [estado da região central da Alemanha], então, se for assim, eu também não deveria estar aqui”, disse, sorrindo timidamente.

Mais tarde, quando a plateia deixava o local, um apoiador do NPD abordou Nierth gritando frases ofensivas, enquanto dois jornalistas registravam tudo. A alguns passos de distância, Christian Giegold, que administra um clube esportivo que aceitou publicamente a adesão de um refugiado, lutava para ser ouvido em meio ao barulho.

Seu clube, dizia, tinha certa responsabilidade de mostrar que “não se trata de todos lutando contra todos”. Ele está certo de que os problemas podem ser resolvidos. “Senão, daqui a dez anos, entraremos para a história assim como Solingen, Mölin ou Heueswerder”, afirmou, se referindo a cidades alemãs que ficaram conhecidas por crimes de ódio cometidos por extremistas de direita contra refugiados.

Logo depois, ele pôs o casaco e saiu em meio à tempestade, que ainda continuava do lado de fora.

© Copyright O Povo

Movimento separatista quer “plebiscito” para independência do Sul

O-SUL-É-MEU-PAÍS
Logotipo do movimento

O Movimento O Sul é Meu País anunciou que fará uma consulta pública para medir o apoio dos moradores de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul à proposta de separação do restante do Brasil. A ideia foi apresentada pela regional de Brusque e aprovada por lideranças dos outros dois estados.

Os separatistas querem que o “plebiscito” _ que em tese não poderia se chamar assim, já que não se trata de uma consulta oficial _ ocorra paralelo às Eleições municipais de 2016. Já fizeram consulta ao Tribunal de Justiça de Santa Catarina e afirmam que, se ficarem no lado de fora dos locais de votação, a prática não seria ilegal.

A consulta deve ocorrer apenas nos municípios onde há sede do movimento, incluindo cidades como Itajaí, Balneário Camboriú, Blumenau, Florianópolis e Joinville. Segundo Celso Deucher, presidente da regional brusquense, o Litoral catarinense concentraria o maior número de adeptos do separatismo.

Amostragem

A proposta do movimento é ouvir um milhão de pessoas _ na prática, um número bem pequeno diante dos 18 milhões de eleitores presentes nos três estados.

_ Queremos compr0var que existe esse sentimento entre nós _ diz Deucher.

Com o resultado do plebiscito os separatistas pretendem procurar a UNPO (Unrepresented Nations and Peoples Organization) _ Organização das nações e povos não representados, em tradução livre. O que, segundo Deucher, seria o primeiro passo para o “reconhecimento” de uma “nação sulista”.

capa_sul_livre
Capa da Revista Sul Livre

Movimento é inconstitucional, diz especialista

Professor da Univali, especialista em Direito Público, Constitucional e Administrativo e Mestre em Direito, Henrique Gualberto Bruggemann diz que o movimento é inconstitucional: a Constituição não admite ações que tenham o objetivo de desmantelar o Estado.

Segundo ele, a tese do Movimento O Sul é Meu País também não encaixaria nos preceitos da UNPO:

_ A princípio, a UNPO defende direitos humanos e culturais. Não conheço alegações no movimento que encaixem nisso.

Para saber mais sobre o movimento e sobre outros movimentos separatista, acesse os links:

© Copyright Diário Catarinense / Prof. Henrique D. F. Souza