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Elza Goersh – 3º Ano – Etnia, Diversidade Cultural e Conflitos

Material auxiliar para prova global do 3º Ano (1º período)

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Etnia, Diversidade Cultural e Conflitos

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Páginas correspondentes no livro didático: 11 a 28

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Portugal celebra os 40 anos de liberdade de expressão, mas parece que não cumprirá os 41 anos

Governo e socialistas de acordo em censurar a imprensa
Governo e socialistas de acordo em censurar a imprensa. Foto: © Orlando Almeida/Globalimagens

“Portugal celebra os 40 anos de liberdade de expressão, mas parece que não cumprirá os 41 anos”, escreve o El País, a propósito do projeto que obriga a “visto prévio” da cobertura das eleições.

“Portugal celebra os 40 anos de liberdade de expressão, mas parece que não cumprirá os 41 anos”. Começa assim o texto do El País, jornal de referência em Espanha, publicado quinta-feira à noite, a propósito do projeto de lei que deverá dar esta sexta-feira entrada na Assembleia da República e que revê a lei do tratamento jornalístico das campanhas eleitorais. O ponto mais controverso refere-se à imposição aos media do envio de um plano de tratamento jornalístico antes do início da pré-campanha. Em Portugal, gerou-se uma onda de indignação no seio da comunicação social e nas redes sociais. O país vizinho foi rápido a reagir, dando destaque ao projeto de lei que obriga não só à aprovação de um plano de cobertura eleitoral como a que o espaço dedicado à opinião não exceda o da informação.

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Ilha de Ascensão: Como eles espionam

Foi a partir da ilha de Ascensão, a 2,5 mil quilômetros do Recife, que agentes de Barack Obama conseguiram bisbilhotar conversas telefônicas e trocas de e-mails da presidente Dilma Rousseff.

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A cerca de 2,5 mil quilômetros do Recife (PE), numa região inóspita do Atlântico Sul, existe uma pequena ilha de colonização britânica chamada Ascensão. É lá que os agentes de Barack Obama captam aproximadamente dois milhões de mensagens por hora. São basicamente conversas telefônicas, troca de e-mails e posts em redes sociais. É dessa pequena ilha que os técnicos da NSA, uma das agências de inteligência dos Estados Unidos, vêm bisbilhotando as conversas da presidenta Dilma Rousseff e de alguns de seus ministros mais próximos, segundo especialistas ouvidos por ISTOÉ na última semana. A ilha de Ascensão tem apenas 91 quilômetros quadrados e seria irrelevante se não estivesse numa posição estratégica, a meio caminho dos continentes africano e sul-americano. Ao lado de belas praias, sua superfície abriga poderosas estações de interceptação de sinais (Singint), que se erguem como imensas bolas brancas. Elas integram um avançado sistema de inteligência que monitora em tempo real todas as comunicações de Brasil, Argentina, Uruguai, Colômbia e Venezuela e fazem parte de um projeto conhecido como Echelon (leia quadro à pág. 46), que envolve, além dos Estados Unidos, Reino Unido, Nova Zelândia, Austrália e Canadá.

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EUA e Cuba: estancando sangrias

BARACK OBAMA PANAMA

O histórico aperto de mãos entre os presidentes Raúl Castro e Barack Obama, na 7ª Cúpula das Américas – a primeira com a participação de Cuba -, deve ser comemorado pelo retorno público do diálogo entre os dois países. A aproximação norte-americana é uma vitória para o valente povo cubano que resiste ao impiedoso embargo econômico de meio século. Mas há muito a analisar sobre o repentino “abraço de urso” da potência estadunidense.

Cuba tem sido um país firme no embate que as nações latinas têm travado ao longo da História contra a tentativa de unilateralidade imposta pelos Estados Unidos. A ilha governada por Raúl Castro sofre com as consequências econômicas do embargo, além de constantes ataques publicitários anti-socialismo por parte dos governos americanos. Apesar disso, conseguiu sobressair-se em sua realidade, mantendo políticas públicas de referência internacional em saúde e educação, por exemplo.

A vitória de Cuba também se dá com a ajuda internacional, que envolveu nos últimos anos mais de 40 mil entidades de apoio ao país, inclusive no Brasil, junto dos constantes apelos dos chefes de Estado latinos. A mudança de forças econômicas no mundo, rompendo a hegemonia estadunidense, e a entrada de novos mercado competitivos, como a China, também são parte deste desfecho. No mais, cresceu muito no país da América do Norte a opinião pública contra as restrições impostas ao povo cubano.

Neste contexto, a Cúpula das Américas tem muito a saudar, principalmente na força que o presidente Raúl Castro tem demonstrado ao negociar as sanções com o EUA, como a que listava Cuba como país pró-terrorismo. Se de um lado vemos passos na direção de avançar, de outro prossegue o desrespeito à soberania de outros países, em manobras que tem como objetivo a desestabilização de governos progressistas e à esquerda.

Desde março, Obama vem aplicando sanções de altíssima gravidade à Venezuela por meio de seus altos-comissários, como proibição de entrada no país e congelamento de bens. Para a chanceler Delvy Rodríguez, a movimentação dos Estados Unidos representa lentos passos para uma futura intervenção militar, objetivando recursos naturais estratégicos e a estatal petroleira PDVSA.

Na tentativa de desestabilizar o governo de Nicolás Maduro, como já ocorreu em outros países vizinhos, através de arrochos diplomáticos e embates internacionais, o Estados Unidos trilha o caminho que sempre tomou na história da América Latina: o de apunhalar e saquear os países tardiamente em desenvolvimento, fomentando, inclusive, rupturas democráticas. E o Brasil não está longe disto. Independente da concordância ou não com as políticas adotadas por este ou aquele governo é preciso defender a soberania das nações.

Em 2009, ironicamente durante a 5ª Cúpula das Américas, Obama recebeu das mãos de Eduardo Galeano uma de suas obras mais geniais: “As veias abertas da América Latina”. O livro, escrito há 40 anos, expõe com máxima modernidade a exploração imperialista que rendeu à América do Sul um crescimento tardio e abaixo dos níveis internacionais de desenvolvimento humano. Escreveu ele: “… é a América Latina, a região das veias abertas. Desde o descobrimento até nossos dias, tudo se transformou em capital europeu ou, mais tarde, norte-americano…”.

Para abandonar o subdesenvolvimento histórico, os países da Unasul devem firmar posição resistente à atual influência norte-americana na soberania dos países latinos, com governos eleitos democraticamente, assim como o povo cubano resistiu de forma corajosa por tanto tempo. A verdade é que o “sangramento”, agora na Venezuela, precisa ser estancado o quanto antes.

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Cuba considera ‘justa’ decisão de Obama de tirá-la de lista de terrorismo

Obama informou ao Congresso dos EUA de sua intenção.
Medida faz parte de reaproximação diplomática entre os dois países.
O presidente dos EUA Barack Obama cumprimenta o presidente de Cuba Raul Castro durante encontro na Cúpula das Américas na Cidade do Panamá (Foto: Pablo Martinez Monsivais/AP)
O presidente dos EUA Barack Obama cumprimenta o presidente de Cuba Raul Castro durante encontro na Cúpula das Américas na Cidade do Panamá (Foto: Pablo Martinez Monsivais/AP)
Cuba anunciou nesta terça-feira (14) que considera “justa” a decisão do presidente Barack Obama de remover a ilha da lista de países patrocinadores de terrorismo. Cuba exigia que a medida ocorresse antes de se avançar no diálogo da reaproximação diplomática com os Estados Unidos, anunciada em dezembro.

“O governo cubano reconheceu a justa decisão feita pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de eliminar Cuba de uma lista em que nunca deveria ter sido incluída, especialmente considerando que nosso país foi vítima de centenas de atos de terrorismo que custou a vida de 3.478 pessoas e feriu 2.099 cidadãos”, diz o comunicado de Josefina Vidal, chefe de assuntos dos EUA do Ministério das Relações Exteriores cubano.

Mais cedo nesta terça a Casa Branca anunciou que Obama enviou ao Congresso norte-americano um informe em que ressalta sua “intenção de remover” Cuba da lista.

Em uma breve carta de apenas quatro parágrafos, Obama disse ao Congresso que poderia provar que “o governo de Cuba não proporcionou apoio ao terrorismo internacional nos últimos seis meses”.

Além disso, o presidente indicou na carta que “o governo de Cuba deu garantias de que não vai apoiar atos de terrorismo internacional no futuro.”

O Congresso norte-americano tem um período de 45 dias para decidir se vai bloquear a medida, de acordo com a rede ABC News. Para impedir a retirada de Cuba da lista, senadores e representantes teriam de criar uma lei à prova de veto declarando que Cuba continua uma nação patrocinadora de terrorismo. Segundo a rede ABC News, é improvável que haja votos para que isso ocorra. No entanto, a remoção enfrenta resistência dos republicanos, incluindo legisladores de origem cubana, indica o jornal “The New York Times”.

Em seu comunicado oficial, a Casa Branca indicou que “após análise cuidadosa” da permanência de Cuba nessa lista, “o Departamento de Estado concluiu que Cuba reúne as condições para que seja retirada” da lista de Estados patrocinadores do terrorismo.

“O Departamento de Estado recomendou que o presidente submetesse ao Congresso o relatório e a certificação exigida por lei”, diz a nota.

Cuba é um dos quatro países que os EUA acusam de apoiar o terrorismo globlal. Os outros países na lista são Irã, Sudão e Síria.

O secretário de Estado John Kerry declarou em outra nota que “é hora de retirar a designação de Cuba como um Estado patrocinador do terrorismo”.

De acordo com Kerry, “as circunstâncias mudaram desde 1982, quando Cuba foi originalmente designada como Estado patrocinador do terrorismo (…). O nosso continente e o mundo estão muito diferentes hoje”.

Os presidentes Barack Obama e Raúl Castro dão aperto de mão em encontro na Cúpula das Américas, no Panamá. À direita, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon (Foto: Reuters/Presidência do Panamá)
Os presidentes Barack Obama e Raúl Castro dão aperto de mão em encontro na Cúpula das Américas, no Panamá. À direita, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon (Foto: Reuters/Presidência do Panamá)

Passo simbólico
A retirada de Cuba da lista é um importante passo simbólico depois que os dois países anunciaram uma aproximação diplomática em dezembro para colocar fim a 53 anos de inimizade.

“É o primeiro passo em direção a uma normalização concreta e formal das relações”, disse Peter Schechter, especialista em América Latina do centro de estudos Atlantic Council em entrevista à agência AFP.

A inclusão de Cuba na lista envolve uma série de sanções contra a ilha, de acordo com a AFP, tais como uma restrição à qualquer ajuda dos Estados Unidos, mesmo através de organismos internacionais, o comércio de armas e o acesso aos mercados financeiros internacionais.

Cuba colocou a medida como prioridade para reabrir as embaixadas em Washington e Havana. Com isso, os Estados Unidos deixarão de ser “o hóspede não convidado” de todos os debates sobre Cuba e o bode expiatório por excelência dos problemas na ilha, acrescentou Schechter.

Para Arturo López-Levy, acadêmico da Universidade de Denver, se Cuba deixar de ser considerada patrocinadora de terrorismo, as bases das sanções contra a ilha, fundadas por anos na questão da segurança, serão abaladas.”Substitui esta imagem de (Cuba como) ameaça” com outra de “país em transição”, com o qual se deve aumentar o intercâmbio, disse López-Levy à AFP. Segundo ele, a decisão abre caminho para que o presidente revise, em setembro, a classificação de Cuba como “inimigo”, codificada em uma lei desde que os Estados Unidos instauraram o embargo, em 1962.

Encontro histórico
Obama e Raúl Castro realizaram no último sábado (11) um encontro histórico durante a Cúpula das Américas, na Cidade do Panamá, o primeiro entre presidentes dos dois países em mais de meio século, de acordo com jornais internacionais.

Os dois sentaram-se lado a lado em uma pequena sala de conferências, com um clima cordial, mas de negócios. Cada um acenou e sorriu para alguns dos comentários feitos pelo outro, em breves declarações a jornalistas.

O último encontro frente a frente aconteceu entre os presidentes Dwight Eisenhower, dos EUA, e Fulgencio Batista, de Cuba, em 1956, em outra cúpula das Américas no Panamá, antes da revolução cubana, de acordo com o site do jornal “USA Today”. Em 1959, o então vice-presidente dos EUA, Richard Nixon, e Fidel Castro se encontraram, destacou a “CNN”.

Em coletiva de imprensa após o encontro, Obama disse que a conversa com Castro foi “cândida e frutífera” e que o encontro pode ter sido um “divisor de águas” na história entre os dois países. Ele afirmou também que tem o apoio “da maioria” para sua política envolvendo Cuba nos EUA.

“Temos que estar certos de que Cuba não é uma ameaça para os EUA”, disse o presidente norte-americano a jornalistas. “Parte da mensagem aqui é que a Guerra Fria acabou”, completou, afirmando que os EUA não estão no negócio da “mudança de regime”.

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Obama retira Cuba da lista de países que apoiam o terrorismo

A Casa Branca disse que o presidente dos EUA, Barack Obama, decidiu, nesta terça-feira (14), retirar Cuba da lista de países que apoiam o terrorismo, em mais um passo para normalizar as relações entre as nações.

O governo americano informou que Obama apresentou relatórios e certificações exigidos pelo Congresso indicando sua intenção de retirar Cuba da lista.

Obama tomou a decisão final na sequência de uma avaliação do Departamento de Estado. Em mensagem ao Congresso, Obama disse que o governo de Cuba “não forneceu qualquer apoio ao terrorismo internacional” nos últimos seis meses. Ele também disse aos deputados que Cuba “deu garantias de que não apoiará atos de terrorismo internacional no futuro”.

Funcionários do Departamento de Estado disseram ter feito uma revisão completa do requerimento para garantir que sua decisão resista a qualquer questionamento em um Congresso controlado pelos republicanos.

Cuba não estará efetivamente fora da lista após um período de avaliação de 45 dias, durante o qual uma resolução conjunta para bloquear a remoção da lista deve ser considerada na Câmara e no Senado. A ideia de remover a nação cubana da lista foi recebida com considerável resistência por parte dos republicanos, incluindo muitos congressistas cubano-americanos.

Os EUA há muito tempo já pararam de acusar o país liderado por Raúl Castro de apoiar ativamente o terrorismo.

O anúncio de terça-feira vem dias depois de Obama e o presidente cubano, Raúl Castro, terem se reunido, às margens da Cúpula das Américas ocorrida no Panamá. As conversações marcaram a primeira reunião formal entre os líderes em 50 anos.

A remoção de Cuba da lista terrorista facilita o caminho para a abertura de uma embaixada dos Estados Unidos em Havana.

Outros países que ainda na lista são Irã, Sudão e Síria. O secretário de imprensa da Casa Branca, Josh Earnest, disse que, mesmo Cuba sendo retirada da lista, isso não muda o fato de que os EUA têm diferenças com o governo da ilha caribenha. “Nossas preocupações sobre uma ampla gama de políticas e ações de Cuba não se enquadram nos critérios que são relevantes para a possibilidade de rescindir a designação de Cuba como um Estado patrocinador do terrorismo”, disse.

Cuba foi designado como Estado patrocinador do terror em 1982. Até esta terça-feira, a ilha comunista continuou sendo um dos quatro países na lista norte-americana de nações acusadas de apoiar repetidamente o terrorismo global, as outras três nações são Irã, Sudão e Síria. (Com Associated Press e “The New York Times”)

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Dilma e Obama na Cúpula das Américas e o encontro que virá

DILMA OBAMA PANAMA

Na Cúpula das Américas 2015, realizada no último final-de-semana, a presidenta Dilma Rousseff teve encontros bilaterais, em paralelo, com diversos líderes estrangeiros. O mais noticiado foi o com o presidente dos EUA, Barack Obama. Uma abordagem ampla da Cúpula será publicada aqui em breve. No encontro bilateral, Dilma e Obama conversaram sobre cooperação nas áreas de ciência, tecnologia, inovação, defesa, aviação civil, democracia, clima e fontes renováveis de energia. Principalmente, Obama e Dilma anunciaram uma visita de governo, em Washington, no dia 30 de junho.

O foco foi a suposta superação da crise causada pelos escândalos de espionagem dos EUA, incluindo países aliados e seus líderes, como Dilma Rousseff e Angela Merkel. Nos últimos meses, o governo dos EUA tentou recuperar a imagem de suas parcerias e de suas relações exteriores, desgastada pelo vazamento de informações. Até brincaram com a situação. Segundo Dilma, Obama falou que “quando quiser saber qualquer coisa, ele liga para mim”. Perguntada se atenderia a ligação, ela respondeu: “Não só atendo como fico muito feliz”.

As denúncias de espionagem em até seu telefone celular pessoal fizeram com que Dilma cancelasse uma visita de Estado aos EUA em 2013. A atual visita agendada, então, cumpre essa lacuna? Não necessariamente. Visitas de Estado são as mais longas e cerimoniais que existem; a nomenclatura já deixa claro do que se trata, um Estado, simbolizado pelo seu chefe, visitando outro Estado, uma reunião entre dois países. A magnitude dessa visita, entretanto, não é restrita ao simbolismo ou à formalidade. Costumam demorar mais tempo, envolver grandes delegações e uma extensa agenda de negociações.

Por exemplo, a próxima visita de Estado que Obama será o anfitrião está marcada para 28 de abril, quando recebe Shinzo Abe, Primeiro-ministro do Japão, que ficará nos EUA por oito dias. Obama é um dos presidentes dos EUA que menos recepcionou visitas de Estado; sete, desde 2009, com duas programadas para 2015, Abe e Xi Jinping, presidente chinês. Fontes extraoficiais afirmaram que os EUA gostariam de uma visita de Estado, mas poderia ser realizada apenas em 2016; Dilma teria resolvido fazer a visita menor, mas ainda esse ano, já que 2016 é um ano complicado para a política dos EUA, com eleições presidenciais.

O que seria essa “visita menor” de um líder em outra nação? Existem três outras possibilidades: uma visita oficial, uma visita de trabalho e uma visita privada. No caso da visita agendada de Dilma, será uma visita de trabalho, ou, como tem sido chamada, uma visita de governo; clara diferenciação entre governo e Estado. Quem visita é o atual gabinete, não o Estado. Isso implica em uma visita de menor duração, com uma agenda reduzida, além da ausência dos aspectos cerimoniais citados anteriormente. Seria uma visita para melhorar a relação entre os dois governos?

Não necessariamente. Desde 2013, o vice-presidente dos EUA, Joe Biden, visitou o Brasil três vezes, comparecendo na posse de Dilma para seu segundo mandato. Obama e Dilma também se encontraram na ONU, além de diversos pronunciamentos de Obama, por exemplo, garantindo que “nações amigas” não serão mais espionadas. Os antecedentes de reaproximação e o perfil de Dilma, que conhecidamente não valoriza os cerimoniais do cargo, podem fazer da futura visita uma agenda produtiva. No campo da política internacional, agendas de cooperação tecnológica, climática e de defesa devem dar o tom da reunião.

Para Dilma, talvez o maior benefício da visita seja na política interna. Em meio aos protestos e aos conceitos órfãos da Guerra Fria e da ditadura militar, que dizem que o “Brasil do PT” se afastou dos EUA para se juntar aos “comunistas” ou aos “bolivarianos”, eventos oficiais com Obama podem apaziguar essas ideias. Especialmente se, dessa agenda, decorrerem benefícios concretos às classes sociais que mais compartilham das ideias citadas. Explicitamente, menores barreiras comerciais e a retomada das negociações para dispensa de visto para turistas brasileiros que visitem os EUA. A inclusão brasileira no Visa Waiver Program (VWP) representa, na perspectiva desse autor, o maior ganho político possível para Dilma em sua visita.

Nos próximos 65 dias, certamente muita coisa acontecerá e muito material será vazado (ou “vazado”) para a imprensa, especialmente sobre os tópicos da agenda bilateral que serão tratados na visita. O estabelecimento dessa agenda comum já começou, com a visita do chanceler Mauro Vieira à sede da Organização dos Estados Americanos, Washington, em março. Na semana passada, o Senado Federal ratificou o ex-chanceler Luiz Alberto Figueiredo como novo embaixador em Washington; o atual chanceler ocupava o cargo, colocando dois nomes importantes da diplomacia brasileira no eixo Brasil-EUA. Com uma agenda bilateral bem conduzida e negociações bem-sucedidas, Dilma poderá ganhar fora e dentro das fronteiras brasileiras.

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Grupos testam força nas ruas contra Dilma

Quase um mês depois dos protestos que arrastaram multidões nas principais cidades do país contra o governo Dilma Rousseff, os movimentos que pedem o impeachment da presidente voltarão às ruas neste domingo (12) para testar seu poder de mobilização.

As manifestações de 15 de março reuniram cerca de 210 mil pessoas na avenida Paulista, segundo o Datafolha, e foram as maiores realizadas na capital desde os comícios pelas Diretas Já, em 1984. Mas até entre os organizadores dos protestos há dúvidas sobre sua capacidade de repetir o desempenho de março.

Editoria de Arte/Folhapress

Monitoramento feito pela Polícia Militar de São Paulo nas redes sociais apontou crescimento da mobilização em cidades do interior, mas pouca diferença na capital.

O Palácio do Planalto conta com um esfriamento da mobilização em todo o país. Segundo auxiliares da presidente, ela não irá se pronunciar oficialmente sobre os protestos nem escalará ministros para falar como em março.

“A avenida Paulista é uma incógnita, porque agora estamos com mais movimentos em cidades do interior e da região metropolitana”, afirma Rogério Chequer, um dos líderes do movimento Vem Pra Rua, um dos organizadores das manifestações.

Para os outros dois grupos na linha de frente dos protestos, o MBL (Movimento Brasil Livre) e o Revoltados Online, será possível repetir ou superar o número de manifestantes na capital paulista.

Os três grupos convocaram manifestações em mais de 400 cidades do país, o dobro do chamado em 15 de março.

Eles marcharão pela primeira vez com a mesma bandeira, “Fora Dilma”. Avesso à tese do impeachment nos protestos de março, o Vem pra Rua mudou de posição.

“O Vem pra Rua cada hora está com uma pauta”, diz Renan Santos, um dos líderes do MBL. “No último protesto, todos vieram com a defesa do impeachment e eles ajudaram a confundir a pauta.”

O Vem pra Rua também critica o comportamento do MBL. “Estamos buscando diálogo para coordenação [dos protestos] com o MBL há semanas, mas não houve resposta. Temos divergências, mas temos muitas causas em comum”, reclama Chequer.

Eles fazem questão de se apresentar como apartidários e não gostam de ser equiparados a movimentos que defendem uma intervenção militar, como o SOS Forças Armadas.

O MBL pediu à Justiça para que os movimentos favoráveis à intervenção militar fiquem a 500 metros de distância de seu carro de som.

“Nossa pauta defende a destituição do governo, do Congresso e do Poder Judiciário”, afirma Renato Tamaio, líder do SOS Forças Armadas.

O envolvimento com os movimentos pela saída da presidente ainda é visto com cautela pelo PSDB, principal partido de oposição ao governo.

Esperado no protesto marcado para Belo Horizonte, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) disse a aliados que decidirá “de última hora” se irá. Na sexta-feira (10), o tucano divulgou um vídeo em que convoca a população para as manifestações: “Se você está com um nó na garganta, vá para a rua e se manifeste”.

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Vinte e dois anos após queda de Collor, impeachment volta à agenda do país

Vinte e dois anos após o ruidoso processo que resultou no afastamento de Fernando Collor de Mello da Presidência da República, a palavra impeachment voltou à agenda política do país.

Ainda que nenhum grande partido esteja defendendo a abertura de um processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff –pelo menos explicitamente–, o assunto ganhou força nas ruas a partir das grandes manifestações anti-Dilma do dia 15 de março.

O tema é um dos principais motes para os protestos marcados para este domingo (12).

Do ponto de vista político, porém, a situação guarda poucas semelhanças com a de 1992. Collor pertencia a um partido nanico, o PRN. Sem apoio de sindicatos ou outros movimentos sociais, parecia muito mais isolado no Congresso. E ainda era publicamente acusado de corrupção por seu próprio irmão, Pedro Collor.

Juridicamente também há diferenças. No entendimento mais comum entre juristas, Dilma só poderia ser afastada se houvesse provas de envolvimento direto dela em crimes cometidos no atual mandato. Ou seja, de janeiro para cá.

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