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Imagens inéditas revelam que pôr do Sol em Marte é azul

Registros no planeta vermelho foram feitos pelo robô Curiosity, com o auxílio da câmera fotográfica colorida Mastcam

 

O fenômeno pode ocorrer devido a efeito causado por partículas de poeira presentes na atmosfera marciana

O robô Curiosity, da Agência Espacial Americana (Nasa), gravou pela primeira vez com uma câmera colorida uma sequência de quatro imagens do pôr do Sol em Marte, no último 15 de abril, mas divulgada somente neste mês. Bem diferente do que ocorre com a Terra, o planeta vermelho se tinge de azul durante o desaparecimento do astro.

Estudiosos especulam que o fenômeno ocorre devido a efeito causado por partículas de poeira presentes na atmosfera marciana, que permitem a penetração mais eficiente da luz azul do que de outras cores com ondas mais compridas.

O veículo localizado dentro da cratera Gale fez as imagens no período de 6 minutos e 51 segundos, com o auxílio da câmera fotográfica Mastcam, quase mil dias depois da chegada do Curiosity ao planeta. Como o equipamento é apenas um pouco menos sensível à luz azul que o olho humano, as cores foram calibradas para compensar.

 

© Copyright Clube de Astronomia Órion / UOL

Nasa encontra evidências de água líquida em Marte

Nasa encontra evidências de podem existir 'salmouras' na superfície de Marte
Nasa encontra evidências de podem existir ‘salmouras’ na superfície de Marte

O rover Curiosity, da Nasa, encontrou evidências de que pode existir água em sua forma líquida próximo à superfície de Marte. O “Planeta Vermelho”, por sua distância do Sol, seria muito gelado para conseguir manter água na forma líquida na superfície, mas sais no solo podem diminuir seu ponto de congelamento, permitindo a formação de camadas de água bem salgada – como uma salmoura.

Os resultados dão credibilidade a uma teoria de que as marcas escuras vistas nas imagens como paredes cheias de cratera poderiam ser formadas por água corrente. Essas descobertas recentes da Nasa foram divulgadas na publicação científica Nature. Cientistas acreditam que finas camadas de água se formam quando os sais no solo, chamados de percloratos, absorvem vapor de água da atmosfera.

A temperatura dessas camadas líquidas seria de -70°C – muito frio para abrigar qualquer tipo de vida microbiana da maneira que conhecemos. Formadas nos 15cm mais superficiais do solo marciano, essas salmouras também estariam expostas a altos níveis de radiação cósmica – outra coisa que poderia ser considerada um obstáculo para a existência de vida.

Mas ainda é possível que organismos existam em algum lugar sob a superfície de Marte, onde as condições são mais favoráveis.

Ciclo de evaporação

Os pesquisadores reuniram diferentes linhas de evidências a partir do conjunto de informações trazidas pelo rover Curiosity.

O Sistema de Monitoramento do Ambiente do Rover (REMS, na sigla em inglês) – basicamente, a estação meteorológica do veículo – mediu a umidade relativa e a temperatura do local de pouso do rover na cratera de Gale.

A cratera de Gale já teve um lago com condições que podem ter sido favoráveis à vida

Cientistas foram capazes também de estimar o teor de água do subsolo usando dados de um instrumento chamado Dynamic Albedo of Neutrons (DAN). Esses dados reforçavam a evidência de que a água do solo estava ligada a percloratos. Finalmente, o instrumento de Análise de Amostras de Marte deu aos pesquisadores o conteúdo de vapor de água na atmosfera.

Os resultados mostram que as condições estavam adequadas para as salmouras se formarem em noites de inverno no equador de Marte, onde o Curiosity aterrissou. Mas o líquido evapora durante o dia de Marte, quando a temperatura aumenta.

Javier Martin-Torres, um co-investigador na Missão do Curiosity e cientista-chefe no REMS disse à BBC que a descoberta ainda é indireta, porém é convincente. “O que nós vemos são condições para a formação de salmouras na superfície. É parecido com quando as pessoas estavam descobrindo os primeiros exoplanetas”, afirmou.

“Eles não podiam ver os planetas, mas eram capazes de ver os efeitos gravitacionais na estrela. Esses sais de perclorato têm uma propriedade chamada liquidificação. Eles pegam o vapor de água da atmosfera e absorvem para produzir as salmouras.”

Ele acrescentou: “Podemos ver um ciclo de água diário, o que é muito importante. Esse ciclo é mantido pela salmoura. Na Terra, temos uma troca entre a atmosfera e o solo pela chuva. Mas nós não temos isso em Marte.”

Embora se possa pensar que a água líquida se forma a temperaturas mais altas, a formação da salmoura é o resultado de uma interação entre a temperatura e pressão atmosférica. Acontece que o ponto ideal para a formação destas películas líquidas é a temperaturas mais baixas.

O fato de cientistas verem provas da existência dessas salmouras no equador de Marte – onde as condições são menos favoráveis – significa que elas podem aparecer ainda mais em latitudes maiores, em áreas onde a umidade é mais alta e as temperaturas mais baixas.

Nessas regiões, as salmouras podem até existir pelo ano todo.

 

© Copyright BBC Brasil / UOL

 

Cientistas encontram glaciares sob superfície de Marte

Os cientistas têm tentado descobrir como Marte se transformou de um planeta úmido e supostamente semelhante à Terra nos seus primeiros estágios num deserto frio e seco atualmente
Os cientistas têm tentado descobrir como Marte se transformou de um planeta úmido e supostamente semelhante à Terra nos seus primeiros estágios num deserto frio e seco atualmente

Marte tem milhares de glaciares enterrados sob sua superfície, água congelada suficiente para cobrir o planeta com uma capa de gelo de 1,1 metro, disseram cientistas nesta quarta-feira (8). Os glaciares estão em duas faixas nas latitudes centrais dos hemiférios norte e sul.

A informação de radar, recolhida pelos satélites que orbitam o planeta, combinada com modelos de computadores de fluxos de gelo, mostra que Marte tem 150 bilhões de metros cúbicos de água congelada, segundo um estudo publicado na edição desta semana da revista Geophysical Research Letter.

“O gelo nas latitudes médias é, portanto, uma parte importante das reservas de água de Marte”, disse a pesquisadora do Instituto Neils Bohr, Nanna Bjornholt Karlsson, da Universidade de Copenhague, em comunicado.

Os cientistas têm tentado descobrir como Marte se transformou de um planeta úmido e supostamente semelhante à Terra nos seus primeiros estágios num deserto frio e seco atualmente.

Bilhões de anos atrás, Marte, que não tem um campo magnético protetor global, perdeu grande parte de sua atmosfera. Há várias iniciativas para determinar a quantidade de água do planeta que desapareceu e quanto continua na forma de gelo nas reservas subterrâneas.

Cientistas suspeitam que os glaciares permaneceram intactos porque estão protegidos sob uma grossa capa de poeira.

Além da evidência de leitos de rios, córregos e minerais, os cientistas que estudavam reveladoras moléculas na atmosfera de Marte no mês passado concluíram que o planeta provavelmente teve um oceano de mais de 1,5 quilômetro de profundidade que cobria quase a metade do seu hemisfério norte.

Marte perdeu 87 por cento dessa água, disseram os cientistas. Atualmente, a maior reserva conhecida de água do planeta está nas suas capas polares.

 

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Índia amplia em seis meses missão em Marte

A missão enviada pela Índia a Marte foi prorrogada por seis meses graças a um excedente de combustível a bordo da nave, anunciou a agência espacial indiana nesta terça-feira (24).

“Como a Mars Orbiter tem combustível suficiente para continuar mais tempo do que o esperado, a missão será estendida por mais seis meses”, afirmou Devi Prasad Karnik, diretor da Organização de Pesquisa Espacial Indiana.

O lançamento da nave Mars Mission Orbiter, em setembro passado, transformou a Índia no primeiro país asiático a chegar ao planeta vermelho, além de fazer isso com uma verba apertada.

A princípio, o dispositivo deveria retornar à Terra neste mês, mas os cientistas disseram que vão continuar em órbita para estudar a atmosfera das plantas e sua superfície após usar menos combustível do que o esperado nestes seis meses.

“Os cinco instrumentos científicos a bordo da espaçonave irão continuar a coleta de dados e entregá-los ao nosso espaço exterior para análise”, explicou Karnik à AFP.

A missão indiana até Marte, bem-sucedida já na primeira tentativa, é uma fonte de orgulho nacional, levando o governo usá-la como exemplo do potencial do “Made in India”.

O projeto custou apenas US$ 74 milhões, menos do que os 100 milhões de dólares necessários para rodar o filme “Gravidade” – como gosta de lembrar o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi.

A Índia tenta alcançar a vizinha China, que gastou bilhões de dólares em seu próprio programa espacial.

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Curiosity encontra nitrogênio fixado em sedimentos em Marte

Sonda Curiosity coleta amostras do solo, em foto de 25 de fevereiro de 2015

O veículo Curiosity encontrou nitrogênio fixado em sedimentos em Marte: “um novo passo na avaliação da habitabilidade deste planeta, já que o nitrogênio é um elemento imprescindível para a vida”.

Essa foi a principal conclusão do estudo divulgado na revista “Proceedings of the National Academy of Sciences” (PNAS), no qual participaram pesquisadores espanhóis do Centro Superior de Pesquisas Científicas (CSIC) e que sugere a existência do ciclo do nitrogênio em Marte em algum momento de sua evolução como planeta.

A presença do elemento no planeta foi verificada a partir do instrumento Sample Analysis at Mars (SAM, sigla em inglês), que coletou amostras de três lugares diferentes, informou o CSIC em uma nota de imprensa.

Duas dessas amostras foram conseguidas com perfurações feitas em rochas batizadas como “Sheepbed”, durante uma missão na “Yellowknife Bay”, local onde, acredita-se, existiram lagos e rios em algum momento da história geológica do planeta. A terceira amostra provém de um depósito de areia, que representa a poeira de Marte.

Francisco Javier Martín Torres, pesquisador do Instituto Andaluz de Ciências da Terra (centro conjunto do CSIC e da Universidade de Granada), explicou que a disponibilidade de nitrogênio bioquímico útil, junto com as condições que “provavelmente existiram em Marte e a possível presença de compostos orgânicos em seu solo, refletem um cenário potencialmente habitável para algum tipo de ser vivo no passado”.

Torres explicou que a presença de nitrogênio no planeta é um fator a ser levado em consideração em relação à possibilidade de existir vida em Marte na atualidade, já que, este elemento é imprescindível na síntese de moléculas como as proteínas RNA e DNA.

No entanto, de acordo com o estudo, ainda não há indícios de algum mecanismo que faça com que o nitrogênio fixado no solo retorne à atmosfera e mantenha o ciclo do nitrogênio, como acontece na Terra.

Por isso, os pesquisadores sugerem que, se a vida existiu em algum momento na superfície de Marte, não esteve em todo o planeta, mas esta afirmação ainda deve ser comparada com estudos posteriores. EFE

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Oceano em Marte era tão extenso quanto o Ártico, afirma a Nasa

Segundo cientistas, Marte já teve um oceano tão extenso quanto o ártico, porém ele perdeu 87% de sua água no espaço
Segundo cientistas, Marte já teve um oceano tão extenso quanto o ártico, porém ele perdeu 87% de sua água no espaço

Cientistas que trabalham na Nasa descobriram que, em algum momento, existiu em Marte um oceano tão extenso quanto o Ártico. A informação foi publicada nesta quinta-feira (5). Os pesquisadores também calcularam, mediante a análise da atmosfera marciana, que o planeta vermelho perdeu 87% de água no espaço.

No artigo publicado na revista especializada “Science”, a equipe explica que, quando Marte ainda era úmido, havia água o bastante para cobrir completamente o planeta até uma profundidade de 137 metros.

Na realidade, provavelmente a água formava um oceano que cobria a metade do hemisfério norte do planeta, aonde atingia até 1,6 km de profundidade.

Dada a formação geológica em Marte, não é de hoje que os cientistas consideram essa parte do planeta como a zona mais propícia para ter um oceano, que talvez tenha se estendido por 19% da superfície de Marte. Em comparação, o Atlântico ocupa 17% da Terra.

“Nosso estudo estima que havia uma alta concentração de água em Marte, ao determinar as quantidades perdidas no espaço”, explica Gerónimo Villanueva, um dos autores do trabalho e pesquisador no Centro Goddard de Voos Espaciais da NASA, em Greenbelt (EUA).

A estimativa se baseia em observações muito detalhadas sobre formas levemente distintas da água: a mais familiar, formada por um átomo de oxigênio e dois de hidrógeno (H2O), e a água pesada, quando um dos dois átomos de hidrogênio é substituído por deutério.

Usando o telescópio infravermelho Keck 2, localizado no Havaí, e o poderoso telescópio europeu ESO, no Chile, os cientistas puderam fazer a distinção entre a constituição química da água nos dois casos. Comparando a proporção de água pesada na água normal, os pesquisadores conseguiram deduzir quanto de água foi perdido no espaço.

© Copyright NASA/EFE

Marte ficará visível a olho nu hoje à noite

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O planeta Marte estará muito mais brilhante neste mês de abril e poderá ser visto a olho nu em todo o país na noite de hoje (8).

Ele estará em oposição ao Sol, ou seja, cada um estará de um lado diferente da Terra.

As oposições ocorrem a cada dois anos, aproximadamente, quando Marte fica a uma distância mínima da Terra.

O espaço entre os dois planetas na noite de hoje será 93 milhões de quilômetros.

O astrônomo Jair Barroso, pesquisador do Observatório Nacional, explica que as distâncias variam consideravelmente. “Como comparação, em 2003 houve outra aproximação e os dois planetas ficaram a 56 milhões de quilômetros de distância, por uma questão de conjugação de órbitas”.

O planeta vermelho vai aparecer ao Leste ao anoitecer.

Vai cruzar o céu, próximo à Espiga, que é a estrela mais brilhante da Constelação de Virgem, e vai se por no Oeste ao nascer do Sol.

Então, esta noite, olhando para cima, Marte será um ponto laranja.

Para os observadores do sistema solar, Barroso conta ainda que, olhando para o céu todos os dias por uma ou duas semanas, as pessoas vão notar as diferenças.

“Marte vai aparecer praticamente com o mesmo brilho, mas irá mudando de posição em relação à estrela Espiga. Por ser um planeta que está mais perto da Terra, aparenta ter um deslocamento mais rápido”, explica o astrônomo.