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Coreia do Norte diz que não vai conversar com ‘incompetente’ Sul a menos que diferenças sejam resolvidas

Pyongyang, que vinha se aproximando de Seul e Washington, adotou mudança drástica de discurso esta semana citando como motivo treino militar conjunto de americanos e sul-coreanos

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Chefe da delegação norte-coreana, Ri Son Gwon (esquerda) aperta a mão de seu homólogo sul-coreano Cho Myoung-gyon durante a reunião na área desmilitarizada de Panmunjom, em janeiro (Foto: Yonhap via REUTERS)

O principal negociador da Coreia do Norte chamou nesta quinta-feira (17) o governo sul-coreano de “ignorante e incompetente”, denunciou os exercícios aéreos realizados por Coreia do Sul e Estados Unidos, e ameaçou interromper todas as negociações com o vizinho do sul a menos que suas exigências sejam atendidas.

Os comentários de Ri Son Gwon, presidente do norte-coreano Comitê para Reunificação Pacífica, foram os mais recentes em uma série de declarações inflamadas marcando uma mudança drástica de tom após meses de alívio das tensões, com planos de desnuclearização e uma cúpula marcada com os Estados Unidos.

Ri criticou o Sul por participar dos exercícios militares, bem como por permitir que “escória humana” falasse em sua Assembleia Nacional, segundo a agência de notícias norte-coreana KCNA.

“A menos que a grave situação que levou à suspensão das negociações de alto nível entre norte e sul seja resolvida, nunca será fácil sentar-se frente a frente novamente com o atual regime da Coreia do sul”, disse o comunicado, sem dar detalhes.

EUA e Cuba: estancando sangrias

BARACK OBAMA PANAMA

O histórico aperto de mãos entre os presidentes Raúl Castro e Barack Obama, na 7ª Cúpula das Américas – a primeira com a participação de Cuba -, deve ser comemorado pelo retorno público do diálogo entre os dois países. A aproximação norte-americana é uma vitória para o valente povo cubano que resiste ao impiedoso embargo econômico de meio século. Mas há muito a analisar sobre o repentino “abraço de urso” da potência estadunidense.

Cuba tem sido um país firme no embate que as nações latinas têm travado ao longo da História contra a tentativa de unilateralidade imposta pelos Estados Unidos. A ilha governada por Raúl Castro sofre com as consequências econômicas do embargo, além de constantes ataques publicitários anti-socialismo por parte dos governos americanos. Apesar disso, conseguiu sobressair-se em sua realidade, mantendo políticas públicas de referência internacional em saúde e educação, por exemplo.

A vitória de Cuba também se dá com a ajuda internacional, que envolveu nos últimos anos mais de 40 mil entidades de apoio ao país, inclusive no Brasil, junto dos constantes apelos dos chefes de Estado latinos. A mudança de forças econômicas no mundo, rompendo a hegemonia estadunidense, e a entrada de novos mercado competitivos, como a China, também são parte deste desfecho. No mais, cresceu muito no país da América do Norte a opinião pública contra as restrições impostas ao povo cubano.

Neste contexto, a Cúpula das Américas tem muito a saudar, principalmente na força que o presidente Raúl Castro tem demonstrado ao negociar as sanções com o EUA, como a que listava Cuba como país pró-terrorismo. Se de um lado vemos passos na direção de avançar, de outro prossegue o desrespeito à soberania de outros países, em manobras que tem como objetivo a desestabilização de governos progressistas e à esquerda.

Desde março, Obama vem aplicando sanções de altíssima gravidade à Venezuela por meio de seus altos-comissários, como proibição de entrada no país e congelamento de bens. Para a chanceler Delvy Rodríguez, a movimentação dos Estados Unidos representa lentos passos para uma futura intervenção militar, objetivando recursos naturais estratégicos e a estatal petroleira PDVSA.

Na tentativa de desestabilizar o governo de Nicolás Maduro, como já ocorreu em outros países vizinhos, através de arrochos diplomáticos e embates internacionais, o Estados Unidos trilha o caminho que sempre tomou na história da América Latina: o de apunhalar e saquear os países tardiamente em desenvolvimento, fomentando, inclusive, rupturas democráticas. E o Brasil não está longe disto. Independente da concordância ou não com as políticas adotadas por este ou aquele governo é preciso defender a soberania das nações.

Em 2009, ironicamente durante a 5ª Cúpula das Américas, Obama recebeu das mãos de Eduardo Galeano uma de suas obras mais geniais: “As veias abertas da América Latina”. O livro, escrito há 40 anos, expõe com máxima modernidade a exploração imperialista que rendeu à América do Sul um crescimento tardio e abaixo dos níveis internacionais de desenvolvimento humano. Escreveu ele: “… é a América Latina, a região das veias abertas. Desde o descobrimento até nossos dias, tudo se transformou em capital europeu ou, mais tarde, norte-americano…”.

Para abandonar o subdesenvolvimento histórico, os países da Unasul devem firmar posição resistente à atual influência norte-americana na soberania dos países latinos, com governos eleitos democraticamente, assim como o povo cubano resistiu de forma corajosa por tanto tempo. A verdade é que o “sangramento”, agora na Venezuela, precisa ser estancado o quanto antes.

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Cuba considera ‘justa’ decisão de Obama de tirá-la de lista de terrorismo

Obama informou ao Congresso dos EUA de sua intenção.
Medida faz parte de reaproximação diplomática entre os dois países.
O presidente dos EUA Barack Obama cumprimenta o presidente de Cuba Raul Castro durante encontro na Cúpula das Américas na Cidade do Panamá (Foto: Pablo Martinez Monsivais/AP)
O presidente dos EUA Barack Obama cumprimenta o presidente de Cuba Raul Castro durante encontro na Cúpula das Américas na Cidade do Panamá (Foto: Pablo Martinez Monsivais/AP)
Cuba anunciou nesta terça-feira (14) que considera “justa” a decisão do presidente Barack Obama de remover a ilha da lista de países patrocinadores de terrorismo. Cuba exigia que a medida ocorresse antes de se avançar no diálogo da reaproximação diplomática com os Estados Unidos, anunciada em dezembro.

“O governo cubano reconheceu a justa decisão feita pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de eliminar Cuba de uma lista em que nunca deveria ter sido incluída, especialmente considerando que nosso país foi vítima de centenas de atos de terrorismo que custou a vida de 3.478 pessoas e feriu 2.099 cidadãos”, diz o comunicado de Josefina Vidal, chefe de assuntos dos EUA do Ministério das Relações Exteriores cubano.

Mais cedo nesta terça a Casa Branca anunciou que Obama enviou ao Congresso norte-americano um informe em que ressalta sua “intenção de remover” Cuba da lista.

Em uma breve carta de apenas quatro parágrafos, Obama disse ao Congresso que poderia provar que “o governo de Cuba não proporcionou apoio ao terrorismo internacional nos últimos seis meses”.

Além disso, o presidente indicou na carta que “o governo de Cuba deu garantias de que não vai apoiar atos de terrorismo internacional no futuro.”

O Congresso norte-americano tem um período de 45 dias para decidir se vai bloquear a medida, de acordo com a rede ABC News. Para impedir a retirada de Cuba da lista, senadores e representantes teriam de criar uma lei à prova de veto declarando que Cuba continua uma nação patrocinadora de terrorismo. Segundo a rede ABC News, é improvável que haja votos para que isso ocorra. No entanto, a remoção enfrenta resistência dos republicanos, incluindo legisladores de origem cubana, indica o jornal “The New York Times”.

Em seu comunicado oficial, a Casa Branca indicou que “após análise cuidadosa” da permanência de Cuba nessa lista, “o Departamento de Estado concluiu que Cuba reúne as condições para que seja retirada” da lista de Estados patrocinadores do terrorismo.

“O Departamento de Estado recomendou que o presidente submetesse ao Congresso o relatório e a certificação exigida por lei”, diz a nota.

Cuba é um dos quatro países que os EUA acusam de apoiar o terrorismo globlal. Os outros países na lista são Irã, Sudão e Síria.

O secretário de Estado John Kerry declarou em outra nota que “é hora de retirar a designação de Cuba como um Estado patrocinador do terrorismo”.

De acordo com Kerry, “as circunstâncias mudaram desde 1982, quando Cuba foi originalmente designada como Estado patrocinador do terrorismo (…). O nosso continente e o mundo estão muito diferentes hoje”.

Os presidentes Barack Obama e Raúl Castro dão aperto de mão em encontro na Cúpula das Américas, no Panamá. À direita, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon (Foto: Reuters/Presidência do Panamá)
Os presidentes Barack Obama e Raúl Castro dão aperto de mão em encontro na Cúpula das Américas, no Panamá. À direita, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon (Foto: Reuters/Presidência do Panamá)

Passo simbólico
A retirada de Cuba da lista é um importante passo simbólico depois que os dois países anunciaram uma aproximação diplomática em dezembro para colocar fim a 53 anos de inimizade.

“É o primeiro passo em direção a uma normalização concreta e formal das relações”, disse Peter Schechter, especialista em América Latina do centro de estudos Atlantic Council em entrevista à agência AFP.

A inclusão de Cuba na lista envolve uma série de sanções contra a ilha, de acordo com a AFP, tais como uma restrição à qualquer ajuda dos Estados Unidos, mesmo através de organismos internacionais, o comércio de armas e o acesso aos mercados financeiros internacionais.

Cuba colocou a medida como prioridade para reabrir as embaixadas em Washington e Havana. Com isso, os Estados Unidos deixarão de ser “o hóspede não convidado” de todos os debates sobre Cuba e o bode expiatório por excelência dos problemas na ilha, acrescentou Schechter.

Para Arturo López-Levy, acadêmico da Universidade de Denver, se Cuba deixar de ser considerada patrocinadora de terrorismo, as bases das sanções contra a ilha, fundadas por anos na questão da segurança, serão abaladas.”Substitui esta imagem de (Cuba como) ameaça” com outra de “país em transição”, com o qual se deve aumentar o intercâmbio, disse López-Levy à AFP. Segundo ele, a decisão abre caminho para que o presidente revise, em setembro, a classificação de Cuba como “inimigo”, codificada em uma lei desde que os Estados Unidos instauraram o embargo, em 1962.

Encontro histórico
Obama e Raúl Castro realizaram no último sábado (11) um encontro histórico durante a Cúpula das Américas, na Cidade do Panamá, o primeiro entre presidentes dos dois países em mais de meio século, de acordo com jornais internacionais.

Os dois sentaram-se lado a lado em uma pequena sala de conferências, com um clima cordial, mas de negócios. Cada um acenou e sorriu para alguns dos comentários feitos pelo outro, em breves declarações a jornalistas.

O último encontro frente a frente aconteceu entre os presidentes Dwight Eisenhower, dos EUA, e Fulgencio Batista, de Cuba, em 1956, em outra cúpula das Américas no Panamá, antes da revolução cubana, de acordo com o site do jornal “USA Today”. Em 1959, o então vice-presidente dos EUA, Richard Nixon, e Fidel Castro se encontraram, destacou a “CNN”.

Em coletiva de imprensa após o encontro, Obama disse que a conversa com Castro foi “cândida e frutífera” e que o encontro pode ter sido um “divisor de águas” na história entre os dois países. Ele afirmou também que tem o apoio “da maioria” para sua política envolvendo Cuba nos EUA.

“Temos que estar certos de que Cuba não é uma ameaça para os EUA”, disse o presidente norte-americano a jornalistas. “Parte da mensagem aqui é que a Guerra Fria acabou”, completou, afirmando que os EUA não estão no negócio da “mudança de regime”.

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Obama retira Cuba da lista de países que apoiam o terrorismo

A Casa Branca disse que o presidente dos EUA, Barack Obama, decidiu, nesta terça-feira (14), retirar Cuba da lista de países que apoiam o terrorismo, em mais um passo para normalizar as relações entre as nações.

O governo americano informou que Obama apresentou relatórios e certificações exigidos pelo Congresso indicando sua intenção de retirar Cuba da lista.

Obama tomou a decisão final na sequência de uma avaliação do Departamento de Estado. Em mensagem ao Congresso, Obama disse que o governo de Cuba “não forneceu qualquer apoio ao terrorismo internacional” nos últimos seis meses. Ele também disse aos deputados que Cuba “deu garantias de que não apoiará atos de terrorismo internacional no futuro”.

Funcionários do Departamento de Estado disseram ter feito uma revisão completa do requerimento para garantir que sua decisão resista a qualquer questionamento em um Congresso controlado pelos republicanos.

Cuba não estará efetivamente fora da lista após um período de avaliação de 45 dias, durante o qual uma resolução conjunta para bloquear a remoção da lista deve ser considerada na Câmara e no Senado. A ideia de remover a nação cubana da lista foi recebida com considerável resistência por parte dos republicanos, incluindo muitos congressistas cubano-americanos.

Os EUA há muito tempo já pararam de acusar o país liderado por Raúl Castro de apoiar ativamente o terrorismo.

O anúncio de terça-feira vem dias depois de Obama e o presidente cubano, Raúl Castro, terem se reunido, às margens da Cúpula das Américas ocorrida no Panamá. As conversações marcaram a primeira reunião formal entre os líderes em 50 anos.

A remoção de Cuba da lista terrorista facilita o caminho para a abertura de uma embaixada dos Estados Unidos em Havana.

Outros países que ainda na lista são Irã, Sudão e Síria. O secretário de imprensa da Casa Branca, Josh Earnest, disse que, mesmo Cuba sendo retirada da lista, isso não muda o fato de que os EUA têm diferenças com o governo da ilha caribenha. “Nossas preocupações sobre uma ampla gama de políticas e ações de Cuba não se enquadram nos critérios que são relevantes para a possibilidade de rescindir a designação de Cuba como um Estado patrocinador do terrorismo”, disse.

Cuba foi designado como Estado patrocinador do terror em 1982. Até esta terça-feira, a ilha comunista continuou sendo um dos quatro países na lista norte-americana de nações acusadas de apoiar repetidamente o terrorismo global, as outras três nações são Irã, Sudão e Síria. (Com Associated Press e “The New York Times”)

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Dilma e Obama na Cúpula das Américas e o encontro que virá

DILMA OBAMA PANAMA

Na Cúpula das Américas 2015, realizada no último final-de-semana, a presidenta Dilma Rousseff teve encontros bilaterais, em paralelo, com diversos líderes estrangeiros. O mais noticiado foi o com o presidente dos EUA, Barack Obama. Uma abordagem ampla da Cúpula será publicada aqui em breve. No encontro bilateral, Dilma e Obama conversaram sobre cooperação nas áreas de ciência, tecnologia, inovação, defesa, aviação civil, democracia, clima e fontes renováveis de energia. Principalmente, Obama e Dilma anunciaram uma visita de governo, em Washington, no dia 30 de junho.

O foco foi a suposta superação da crise causada pelos escândalos de espionagem dos EUA, incluindo países aliados e seus líderes, como Dilma Rousseff e Angela Merkel. Nos últimos meses, o governo dos EUA tentou recuperar a imagem de suas parcerias e de suas relações exteriores, desgastada pelo vazamento de informações. Até brincaram com a situação. Segundo Dilma, Obama falou que “quando quiser saber qualquer coisa, ele liga para mim”. Perguntada se atenderia a ligação, ela respondeu: “Não só atendo como fico muito feliz”.

As denúncias de espionagem em até seu telefone celular pessoal fizeram com que Dilma cancelasse uma visita de Estado aos EUA em 2013. A atual visita agendada, então, cumpre essa lacuna? Não necessariamente. Visitas de Estado são as mais longas e cerimoniais que existem; a nomenclatura já deixa claro do que se trata, um Estado, simbolizado pelo seu chefe, visitando outro Estado, uma reunião entre dois países. A magnitude dessa visita, entretanto, não é restrita ao simbolismo ou à formalidade. Costumam demorar mais tempo, envolver grandes delegações e uma extensa agenda de negociações.

Por exemplo, a próxima visita de Estado que Obama será o anfitrião está marcada para 28 de abril, quando recebe Shinzo Abe, Primeiro-ministro do Japão, que ficará nos EUA por oito dias. Obama é um dos presidentes dos EUA que menos recepcionou visitas de Estado; sete, desde 2009, com duas programadas para 2015, Abe e Xi Jinping, presidente chinês. Fontes extraoficiais afirmaram que os EUA gostariam de uma visita de Estado, mas poderia ser realizada apenas em 2016; Dilma teria resolvido fazer a visita menor, mas ainda esse ano, já que 2016 é um ano complicado para a política dos EUA, com eleições presidenciais.

O que seria essa “visita menor” de um líder em outra nação? Existem três outras possibilidades: uma visita oficial, uma visita de trabalho e uma visita privada. No caso da visita agendada de Dilma, será uma visita de trabalho, ou, como tem sido chamada, uma visita de governo; clara diferenciação entre governo e Estado. Quem visita é o atual gabinete, não o Estado. Isso implica em uma visita de menor duração, com uma agenda reduzida, além da ausência dos aspectos cerimoniais citados anteriormente. Seria uma visita para melhorar a relação entre os dois governos?

Não necessariamente. Desde 2013, o vice-presidente dos EUA, Joe Biden, visitou o Brasil três vezes, comparecendo na posse de Dilma para seu segundo mandato. Obama e Dilma também se encontraram na ONU, além de diversos pronunciamentos de Obama, por exemplo, garantindo que “nações amigas” não serão mais espionadas. Os antecedentes de reaproximação e o perfil de Dilma, que conhecidamente não valoriza os cerimoniais do cargo, podem fazer da futura visita uma agenda produtiva. No campo da política internacional, agendas de cooperação tecnológica, climática e de defesa devem dar o tom da reunião.

Para Dilma, talvez o maior benefício da visita seja na política interna. Em meio aos protestos e aos conceitos órfãos da Guerra Fria e da ditadura militar, que dizem que o “Brasil do PT” se afastou dos EUA para se juntar aos “comunistas” ou aos “bolivarianos”, eventos oficiais com Obama podem apaziguar essas ideias. Especialmente se, dessa agenda, decorrerem benefícios concretos às classes sociais que mais compartilham das ideias citadas. Explicitamente, menores barreiras comerciais e a retomada das negociações para dispensa de visto para turistas brasileiros que visitem os EUA. A inclusão brasileira no Visa Waiver Program (VWP) representa, na perspectiva desse autor, o maior ganho político possível para Dilma em sua visita.

Nos próximos 65 dias, certamente muita coisa acontecerá e muito material será vazado (ou “vazado”) para a imprensa, especialmente sobre os tópicos da agenda bilateral que serão tratados na visita. O estabelecimento dessa agenda comum já começou, com a visita do chanceler Mauro Vieira à sede da Organização dos Estados Americanos, Washington, em março. Na semana passada, o Senado Federal ratificou o ex-chanceler Luiz Alberto Figueiredo como novo embaixador em Washington; o atual chanceler ocupava o cargo, colocando dois nomes importantes da diplomacia brasileira no eixo Brasil-EUA. Com uma agenda bilateral bem conduzida e negociações bem-sucedidas, Dilma poderá ganhar fora e dentro das fronteiras brasileiras.

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Obama diz que ainda não decidiu se retira Cuba de lista de terrorismo

Afirmação foi dada em entrevista coletiva após encontro histórico.

Líderes de EUA e Cuba se encontram pela 1a vez em mais de 50 anos.

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Obama: Mudanças em relação a Cuba abrem uma nova era no hemisfério

Presidente discursa antes de esperado encontro com Raúl Castro

Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, destaca reaproximação com Cuba em discurso na Cúpula das Américas, no Panamá – JONATHAN ERNST / REUTERS

CIDADE DO PANAMÁ — O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou neste sábado que a reaproximação com Cuba marca o início de uma nova era no hemisfério e nas relação entre os povos dos dois países. A declaração, na primeira sessão plenária da Cúpula das Américas, na Cidade do Panamá, vem antes de um esperado encontro entre o líder americano e o presidente cubano, Raúl Castro.

— Os EUA não ficarão presos ao passado. É a primeira vez que em mais de meio século que serão restabelecidadas formalmente as relações diplomáticas — discursou Obama. — Nunca antes as relações com a América Latina foram tão boas.

Olhando para Raúl Castro, o presidente chamou atenção para as diferenças entre EUA e Cuba, mas ressaltou que era preciso aproveitar o bom momento.

— Penso que não é segredo que continuarão existindo diferenças entre nossos países, mas acredito que se conseguirmos seguir esse movimento adiante, serão criadas novas oportunidades — insistiu o presidente americano. — Eu acredito firmemente que podemos aproveitar o momento para abrir uma nova era nas relações bilaterais e hemisféricas.

Durante seu pronunciamento, Obama propôs US$ 1 bilhão para ajudar os países da América Central e anunciou que pretende impulsionar o intercâmbio entre estudantes da América Latina e os EUA.

RAÚL ELOGIA OBAMA

Fortemente aplaudido, o presidente cubano discursou depois de Obama. Ele começou sua intervenção dizendo que “já era hora de eu falar aqui em nome de Cuba”. Castro arrancou risos entre os presidentes quando afirmou que tinha mais tempo para falar, já que não havia participado das reuniões anteriores.

— Já era hora de eu falar, me devem 48 minutos pelas outras Cúpulas — brincou Castro, antes de rasgar elogios a Obama. — O presidente Barack Obama é um homem honesto e isso se deve à sua origem humilde. Dez presidentes anteriores a Obama têm dívidas com Cuba, menos o presidente Obama.

Na sexta-feira, antes da abertura oficial da cúpula, os líderes cumprimentaram-se brevemente. O encontro previsto pra este sábado será o contato de mais alto nível entre os dois países desde antes da Revolução de 1959, ou seja, há mais de 56 anos.

Enquanto Obama deve levantar a questão da reforma política em Cuba, Raúl está buscando um fim do embargo comercial dos EUA e a retirada do país da lista de Estados que apoiam o terrorismo. Cuba foi incluída na lista pelo Departamento de Estado dos EUA em 1982, e a exclusão é fundamental para reintegração cubana ao comércio e aos sistema financeiro internacionais.

DILMA DEFENDE FIM DO EMBARGO

Em seu discurso na Cúpula, a presidente Dilma Rousseff elogiou a iniciativa de Obama de iniciar o processo de reaproximação com Cuba, segundo ela “um dos últimos vestígios da Guerra Fria”, mas condenou a sanção dos Estados Unidos à Venezuela.

De acordo com Dilma, o bom momento das relações entre os paises americanos não admite medidas unilaterais. A declaração foi feita neste sábado, na sessão plenária da VII Cúpula das Americas, a primeira com a presença de Cuba. Dilma defendeu ainda o fim do embargo dos EUA à ilha caribenha.

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