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Junho foi o mês mais quente registrado na história, indica órgão dos EUA

foto_tempoO mês de junho foi o mais quente já registrado no planeta, se unindo a março e maio de 2015, que também bateram recordes de calor, para consolidar o primeiro semestre como a metade de ano com temperaturas mais altas desde quando os dados começaram a ser coletados.

A Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos (NOAA) publicou nesta segunda-feira (data local) os dados relativos a junho, que vão na mesma linha dos registrados pela Agência Espacial Americana (Nasa) e a Agência Meteorológica do Japão (JMA), que também indicaram o calor de junho como recorde.

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Primeiro semestre de 2015 foi o mais quente já registrado no mundo

Relatório mostra que a média de temperatura global da primeira metade do ano foi 0,85ºC maior que o normal
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Foto: Arquivo Geografia Onne

Está aberta a temporada de quebra de recordes na temperatura média global. Depois de 2014 bater o recorde de ano mais quente já registrado, 2015 se prepara para ser ainda mais quente. Segundo novo relatório publicado nesta segunda-feira (20) pela NOAA, a agência americana que estuda os oceanos e a atmosfera, a primeira metade de 2015 registrou a maior tempeatura desde o início das medições, há 136 anos.

 

De acordo com a NOAA, o primeiro semestre do ano foi 0,85ºC mais quente do que a média do século XX. Isso significa a quebra de recordes em quase todos os quesitos. 2015 é, até o momento, o ano mais quente na temperatura em terra, no mar e no Hemisfério Norte. Só fica em segundo lugar na temperatura do Hemisfério Sul – perde para 2010, que foi um ano particularmente quente por aqui.

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Plataformas de gelo da Antártica estão perdendo volume rapidamente

Dados de satélite mostram encolhimento nas últimas duas décadas.

Se ritmo continuar o mesmo, placas poderiam desaparecer em 100 anos.

Foto de arquivo mostra aeronave DC-8, da Nasa, sobrevoando a plataforma de gelo Brunt, em outubro de 2010: observações de satélite revelam declínio das plataformas de gelo da Antártica ao longo dos anos  (Foto: Reuters/Michael Studinger/Nasa)
Foto de arquivo da Reuters mostra aeronave DC-8, da Nasa, sobrevoando a plataforma de gelo Brunt, em outubro de 2010: observações de satélite revelam declínio das plataformas de gelo da Antártica ao longo dos anos (Foto: Reuters/Michael Studinger/Nasa)

As plataformas de gelo que flutuam ao redor da Antártica estão perdendo volume cada vez mais rapidamente, alertou uma equipe de cientistas em um estudo publicado nesta quinta-feira (26) pela revista “Science”.

A pesquisa, feita por especialistas de duas instituições dos Estados Unidos (a Universidade da Califórnia, em San Diego, e o Centro de Pesquisa de Terra e Espaço em Corvallis, no Oregon), ressaltou a preocupação com a rapidez com a elevação do nível global do mar à medida que o clima esquenta.

As plataformas de gelo ao redor da Antártica têm se estreitado aceleradamente nas últimas duas décadas, sobretudo no oeste do continente, mostrou o estudo, que se baseia em dados de satélite recolhidos durante 18 anos.

O manto de gelo da Antártica, a espessa camada de gelo que cobre grande parte do continente, está ancorada por sua franja flutuante, plataformas de gelo que se projetam para fora no oceano. Essas placas agem como um contraforte para o gelo “aterrado”, ajudando a manter o fluxo das geleiras do manto de gelo no oceano.

Perigo de desaparecer
Se essas plataformas de gelo continuarem se estreitando a essa velocidade, poderiam desaparecer, o que faria com que as placas de gelo “aterradas” que sustentam a terra colapsassem no oceano.

As plataformas de gelo que rodeiam a Antártida ajudam a conter a libertação do manto de gelo no oceano.

Este efeito diminui quando as plataformas de gelo ficam mais finas, o que leva a um aumento da descarga de gelo no oceano.

O pesquisador Fernando Paolo e seus companheiros, que combinaram dados de três missões de satélite realizadas entre 1994 e 2012, descobriram que a maior parte da massa perdida era das plataformas de gelo dos mares de Amundsen e de Bellingshausen, no litoral oeste da Antártica.

As duas regiões representam menos de 20% do total da área de plataforma de gelo do oeste da Antártida, mas contribuem para mais de 85% do total do volume de plataforma de gelo perdido nessa zona.

Fim em 100 anos
Ao ritmo atual, duas das plataformas de gelo do litoral oeste poderiam desaparecer completamente em 100 anos, alertou a pesquisa.

O estudo também mostrou que a massa da plataforma de gelo do leste da Antártica cresceu entre 1994 e 2003, embora venha se estreitando rapidamente desde então.

Os dados em que o estudo se baseia foram recolhidos por três missões de satélites com altitudes sobrepostas (ERS1, 1992-1996; ERS2, 1995-2003; e Envisat, 2002-2012) entre 1994 e 2012.

Segundo os pesquisadores, suas conclusões demonstram que estudos anteriores sobre o afinamento das plataformas de gelo que rodeiam a Antártica, baseados em dados de satélite de cinco anos, não foram representativos de tendências mais longas.

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Hora do Planeta apagará luzes por uma hora em todo o Brasil

Ato ocorre em várias partes do mundo e é comandado pela WWF

Às 20h30 de hoje (28), vários pontos em todo o Brasil vão ficar às escuras por uma hora. Locais como a Praça dos Três Poderes, em Brasília, os Arcos da Lapa, no Rio de Janeiro, e a Igrejinha da Pampulha, em Belo Horizonte, apagarão as luzes como parte da Hora do Planeta, mobilização liderada pela organização não governamental (ONG) WWF.

A Hora do Planeta é um movimento simbólico, que ocorre uma vez por ano, no fim de março. A ideia existe desde 2007 e aqueles que participam firmam o compromisso com o planeta de criação de um mundo sustentável. A ideia é que vários pontos em todo o mundo apaguem as luzes entre as 20h30 e as 21h30, em seus horários locais. Todas as 27 capitais brasileiras se comprometeram com o movimento. De acordo com a entidade, já são 173 cidades brasileiras com participação confirmada.

 Foto: Internet/Medios
Luzes serão apagadas em vários pontos do Brasil Foto: Internet/Medios

Além dos pontos em Brasília, no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte, outros locais de destaque no país aderiram, entre eles o Elevador Lacerda, em Salvador, o Theatro Municipal de São Paulo e o Memorial da República, em Maceió. Na capital federal, a Biblioteca Nacional, o Museu Nacional, a Catedral e o Palácio do Buriti, sede do governo local, também vão ficar às escuras.

Às 16h, no entanto, a data já começa a ser celebrada. É quando terá início um show, na Praia de Ipanema (posto 10), no Rio de Janeiro. Entre as atrações estão o músico Hamilton de Holanda e o coletivo internacional de artistas Playing For Change. Todo o evento será realizado com gerador de biocombustível.

Além de monumentos públicos, a ONG incentiva as pessoas a participar da mobilização em suas casas, apagando as luzes não essenciais, como as de teto, televisões e computadores. A WWF lembra que luzes de funcionamento essencial, como iluminação de segurança em espaços públicos, luzes de orientação da aviação e semáforos, devem permanecer ligadas.

Por se tratar de uma mobilização mundial, em alguns países a Hora do Planeta de 2015 já ocorreu. Em Sidney, na Austrália, a famosa Opera House ficou apagada. As cidades de Yokohama, Tóquio e Osaka, no Japão, também participaram, desligando as luzes de importantes monumentos.

Para a WWF, no entanto, isso é só um começo, uma demonstração de comprometimento com um mundo melhor para essa geração e para as futuras. “Nossa expectativa é que esses indivíduos, comunidades e empresas tomem medidas além da hora. Em 2012, lançamos a campanha ‘I will if you will’ (Eu Vou se Você For) para fornecer uma plataforma destinada a inspirar as pessoas a compartilhar o  compromisso com o planeta com os seus amigos, colegas, líderes e redes”, explica a organização no site oficial.

© Copyright Agência Brasil / Terra

Hora do Planeta é celebrada em Sydney, onde iniciativa nasceu

Luzes dos locais mais emblemáticos da cidade foram apagadas.
Iniciativa neste ano reforça a luta contra a mudança climática.

Combinação de fotos mostra a Ponte de Sydney e a Opera House com luz e sem luz durante a Hora do Planeta neste sábado (28) (Foto: Peter Parks/AFP)Combinação de fotos mostra a Ponte de Sydney e a Opera House com luz e sem luz durante a Hora do Planeta neste sábado (28) (Foto: Peter Parks/AFP)

A Hora do Planeta começou neste sábado (28) em Sydney, a cidade natal da iniciativa, com um blecaute voluntário às 20h30 (6h30 em Brasília) nos locais mais emblemáticos da cidade, como a Opera House e a Ponte da Baía.

Entre os atos mais destacados do evento propiciado pela ONG WWF há um concerto realizado às escuras da obra “Os Planetas”, de Gustav Holst, interpretada pela Orquestra Sinfônica de Sydney na Opera House.

Na mesma hora, emblemáticos monumentos na Nova Zelândia, incluindo a Sky Tower, e dezenas de residências foram apagadas para apoiar a iniciativa, que neste ano reforça a luta contra a mudança climática.

Samoa, o arquipélago do Pacífico Sul, foi o primeiro país a celebrar oficialmente a Hora do Planeta, à qual é previsto que se unam mais de sete mil cidades em 172 países às 20h30 de cada local.

No vídeo promocional deste ano, com música “Pompeii”, da banda Bastille, aparecem o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama; o secretário das Nações Unidas, Ban Ki-moon, e a atriz americana Emma Thompson, entre outros.

Em comunicado, os organizadores dissram a iniciativa conta com a participação dos países mais vulneráveis ao aquecimento global como Filipinas, Maldivas e Madagascar, assim como os principais poluentes como Estados Unidos, China e Brasil.

Neste ano, as arrecadações por crowdfunding incluem projetos de luz por energia solar nas Filipinas e Índia ou iniciativas de proteção da vida selvagem em Colômbia, Uganda e Indonésia.

A Hora do Planeta nasceu em Sydney, em 2007, com a participação de aproximadamente 2.000 estabelecimetnos comerciais e 2,2 milhões de pessoas. No ano seguinte, o número aumentou para 50 milhões de participantes de 35 países.

© Copyright EFE / G1

BH é eleita a capital brasileira da Hora do Planeta

Belo Horizonte foi eleita na segunda-feira a capital brasileira da Hora do Planeta em anúncio feito nesta semana na capital mineira. Segundo um júri internacional, a cidade venceu uma disputa interna com Rio de Janeiro e São Paulo pelo esforço direcionado para a sustentabilidade. Em sua terceira edição, o Desafio das Cidades elegeu capitais em 13 países que atuam na preservação ambiental sustentável. BH concorre ao título internacional em evento que ocorre hoje, em Vancouver, no Canadá.

“A primeira edição do Desafio no Brasil nos mostra que há excelentes exemplos de cidades que desempenham um papel de liderança, medindo suas emissões e construindo planos abrangentes para enfrentar as mudanças climáticas”, observou Florence Laloe, secretária executiva Câmara Internacional sobre desenvolvimento sustentável (Iclei, da sigla em Inglês).

O parecer técnico do júri apontou que Belo Horizonte “apresenta uma estratégia de baixo carbono integrada, guiada por uma visão forte e construída através de ações concretas”.

Segundo a prefeitura da capital mineira, entre os projetos que levaram a capital à vitória, está a Usina Solar Fotovoltaica, instalada na cobertura do Mineirão, um dos estádios da Copa do Mundo. O desenvolvimento adequado da energia solar térmica também foi fator determinante. “A capital mineira é referência na aplicação do coletor solar para aquecimento de água e em números de edificações multifamiliares existentes com a aplicação da tecnologia – aproximadamente 3 mil edifícios residenciais”, publicou a prefeitura após o resultado.

O prefeito Marcio Lacerda (PSB) avaliou ainda que a troca de lâmpadas na cidade influenciou na escolha. “A substituição das lâmpadas semafóricas tradicionais pelas luzes de led na cidade foi muito bem sucedida”, disse. Além disso, a cidade utiliza o BRT no transporte público, que utiliza diesel elétrico, combustível menos poluente em comparação aos tradicionais. “É o estágio mais avançado da tecnologia não poluente”, completou o prefeito.

Durante a participação na Hora do Planeta, no próximo sábado, serão apagadas as luzes em diversos pontos da cidade, como a Igreja São Francisco de Assis, a sede da prefeitura, a praça da Bandeira, a Assembleia Legislativa, a Cidade Administrativa, a Câmara Municipal e a Secretaria de Meio Ambiente, além de bares e hotéis.

© Copyright Terra

Amazônia absorve menos carbono por morte precoce de árvores, mostra estudo

A capacidade da Floresta Amazônica para absorver gases causadores do efeito estufa diminuiu drasticamente, possivelmente porque a mudança climática e as secas estão fazendo mais árvores morrerem, afirmou uma equipe internacional de cientistas nesta quarta-feira (18).

A maior floresta tropical do mundo vem assimilando grandes quantidades de dióxido de carbono. As plantas usam o gás, que acumula calor, para crescer, e o eliminam quando apodrecem ou queimam, mas o relatório afirma que essa função de compensação do aquecimento global pode estar ameaçada.

O estudo com 321 trechos de partes da Amazônia jamais afetadas por atividades humanas estimou que a quantidade de dióxido de carbono absorvida pela floresta caiu 30 por cento, ou de 2 bilhões de toneladas por ano nos anos 1990 para 1,4 bilhão nos anos 2000.

“O crescimento florestal zerou ao longo da última década”, disse o principal autor do relatório, Roel Brienen, da Universidade de Leeds, à Reuters a respeito das descobertas reveladas no periódico científico Nature. Ao mesmo tempo, “a floresta toda está vivendo mais rápido — as árvores crescem mais rápido, morrem mais rápido”.

“A absorção líquida de carbono de florestas se enfraqueceu significativamente”, comentou sobre o estudo de quase 100 especialistas.

Pela primeira vez, as emissões humanas de carbono na América Latina estão superando as quantidades absorvidas pela Amazônia, informou a Universidade de Leeds em um comunicado à imprensa.

Os cientistas disseram não estar claro se o declínio irá continuar e se a tendência se aplica a outras florestas tropicais, como a bacia do Congo ou a Indonésia.

As descobertas são uma surpresa, já que alguns modelos de computador indicam que as florestas tropicais podem crescer melhor porque o dióxido de carbono emitido pelo uso humano de combustíveis fósseis age como um fertilizante que se dispersa no ar.

O estudo afirma que a morte acentuada de árvores pode estar ligada a secas severas como a de 2005.

Outra possibilidade é que o dióxido de carbono gerado pelo homem está fazendo as árvores crescerem mais rápido e morrerem mais cedo, e que só agora o número maior de mortes está se tornando aparente.

Se a tendência se mantiver, o panorama da Floresta Amazônica pode mudar. As lianas, da família dos cipós, podem ser algumas das beneficiadas, disse Brienen.

Christof Bigler, especialista em florestas do Instituto Federal Suíço de Tecnologia de Zurique, que não participou do estudo, disse que as árvores de crescimento rápido fora dos trópicos muitas vezes também têm um ciclo de vida mais curto.

“As árvores de crescimento rápido tendem a ter uma densidade de raiz menor e podem ser mais vulneráveis a ataques de insetos e patógenos”, afirmou ele à Reuters sobre suas descobertas na Suíça e na América do Norte.

© Copyright Reuters / UOL

A “Hora do Planeta” acontece neste mês de março

Hora do Planeta 2015: #UseSeuPoder em 28/03 pelo clima do planeta

Um simples apagar de luzes, mas repleto de significado. No próximo dia 28 de março, milhões de pessoas ao redor do mundo vão desligar as luzes durante uma hora como um chamado para que mais e mais cidadãos do planeta se juntem na luta para combater as mudanças climáticas. É a Hora do Planeta 2015, promovida pela organização WWF Internacional.

Organizada mundialmente desde 2007, no Brasil esta será a 7ª edição da campanha, com o slogan #UseSeuPoder para reverter o aquecimento global. No filme de divulgação da Hora do Planeta 2015 aparecem celebridades como o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, o secretário geral da ONU, Ban Ki-moon, e os atores Mark Ruffalo e Emma Thompson.

“Nós somos a primeira geração a sentir o impacto das mudanças climáticas. E a última que pode fazer alguma coisa a respeito”, afirma Obama no vídeo.

Em todos os países que aderirem à campanha, as pessoas são convidadas a apagar as luzes entre 20h30 e 21h30. No ano passado, 144 municípios brasileiros participaram da Hora do Planeta. Durante uma hora, 627 monumentos ficaram no escuro, entre eles, o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, o Monumento às Bandeiras, em São Paulo, e em Brasília a Esplanada dos Ministérios, o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional.

No mundo todo, a estimativa do WWF é que mais de um bilhão de pessoas se juntam à iniciativa todos os anos. São 7 mil cidades, em 162 países, unidas pela mesma causa: o clima do planeta.

Não fique de fora deste momento emocionante. São apenas 60 minutos, que representam o futuro sustentável da Terra. Espalhe pelas redes a hashtag #UseSeuPoder e convide amigos e familiares em 28/03 para participar da Hora do Planeta 2015.

Confira abaixo o filme de divulgação da Hora do Planeta 2015, que tem como trilha sonora música da banda inglesa Bastille:

Como as cidades podem participar?
Para participar da Hora do Planeta 2015, as cidades brasileiras devem entrar em contato pelo e-mail cidades@wwf.org.br ou pelo telefone (11) 3061-0121. A partir deste contato, será enviado um Termo de Adesão que deve ser assinado por uma autoridade municipal, formalizando a participação no movimento. Ao realizar seu cadastro, o município também recebe o guia Como Participar – Governos, com dicas para envolver a comunidade e divulgar sua participação em mídias locais – além de recomendações quanto à segurança (como, por exemplo, não apagar a iluminação pública de ruas e avenidas). Todas as cidades brasileiras participantes são citadas em matérias e entrevistas aqui no site e nas redes sociais do WWF.

© Copyright WWF/ Prof. Henrique D. F. Souza

Emissões de CO2 pararam de crescer no mundo

Dados de 2014 mostram que quantidade de gases foi a mesma de 2013. É a primeira desaceleração em 40 anos


Refinaria na Filadélfia. Emissões colaboram para aquecimento global
Foto: SPENCER PLATT / AFP
Refinaria na Filadélfia. Emissões colaboram para aquecimento global- SPENCER PLATT / AFP

O crescimento das emissões de CO2 ficou estagnado ano passado, segundo informações da Agência de Energia Internacional (IEA, na sigla em inglês). Esta é a primeira vez em 40 anos em que houve uma redução ou desaceleração das emissões de gases do efeito estufa sem que este fator não tivesse relacionado a uma recessão econômica.

As emissões globais se mantiveram em 32 gigatoneladas em 2014, mesma quantidade registrada no ano anterior. Dados da IEA sugere que os esforços para mitigar as mudanças climáticas podem ter representado um efeito mais forte do que se pensava sobre as emissões.

Entre as medidas que podem ter contribuído para o quadro, a agência cita a mudança de padrão de consumo de energia na China em 2014. Embora sua matriz energética seja uma das mais poluidoras do mundo, ano passado o país investiu na geração de eletricidade através de fontes renováveis, tais como hídrica, solar e eólica, ao mesmo tempo que reduziu o consumo de carvão.

Nos países que integram a Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômico (OCDE), em sua maioria europeus, a agência citou os esforços recentes para promover o crescimento sustentável, o que também incluiu o investimento em eficiência energética e energia renovável.

Os resultados foram considerados “encorajadores” pela agência, mas isto não representa, segundo ela, um motivo para “complacência”. E, no comunicado do órgão, o diretor Fatih Birol acrescentou:

“Isto me dá mais esperança de que a Humanidade será capaz de trabalhar em conjunto para combater as mudanças climáticas, a ameaça mais importante que enfrentamos hoje”.

© Copyright Infoglobo Comunicação e Participações S.A.

 

Sabesp demite 300 funcionários, 70% da área operacional, e já há ameaça de greve

A meta da Sabesp é cortar até 5% do quadro de funcionários e reduzir 10% da folha de pagamento
A meta da Sabesp é cortar até 5% do quadro de funcionários e reduzir 10% da folha de pagamento

Em “penúria hídrica e financeira”, conforme afirmou integrante do governo paulista, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) colocou em curso um plano de “ajustes no quadro pessoal” que deve resultar em cerca de 600 demissões.

Segundo os sindicatos que representam funcionários, 300 dispensas já foram homologadas em todo o Estado, 70% na área operacional da empresa, onde atuam trabalhadores que fazem, por exemplo, reparos de vazamentos nas redes de água e esgoto.

“As demissões são claramente uma política de economia da empresa que vai precarizar o atendimento à população. Como você combate uma crise hídrica dessa proporção mandando mão de obra embora? São funcionários que fazem a manutenção da rede, que trabalham para evitar o desperdício de água”, disse Rene Vicente dos Santos, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente de São Paulo (Sintaema).

A entidade marcou uma assembleia para o dia 10 que pode levar à paralisação da categoria.

Segundo o jornal “O Estado de S. Paulo” apurou com funcionários da empresa, a meta é cortar até 5% do quadro de funcionários e reduzir 10% da folha de pagamento, por causa da queda de receita, que pode superar R$ 1 bilhão, provocada pela crise hídrica.

Anteriormente, no início de 2014, a Sabesp tinha 15 mil funcionários em todo o Estado. Os números atualizados devem ser divulgados no balanço anual da companhia, no fim do mês.

O secretário de Saneamento e Recursos Hídricos, Benedito Braga, disse a prefeitos da região do Alto Tietê nesta semana que a Sabesp está em “penúria hídrica e financeira”.

Sobre as demissões, afirmou ao Estado que fazem parte de um termo de ajustamento de conduta (TAC) assinado entre a empresa e o Ministério Público do Estado (MPE) em 2010 – que estabelece o desligamento de funcionários já aposentados, com o argumento de que recebem dois proventos do Estado.

Cargos sem concurso

O presidente do Sindicato dos Urbanitários de Santos e Região (Sintius), Marquito Duarte, criticou as 31 demissões já homologadas na Baixada Santista e no Vale do Paraíba e disse que a companhia manteve em seus quadros 60 assessores de diretoria que ocupam cargos comissionados (sem concurso) e recebem cerca de R$ 20 mil.

“Para diminuir despesa, a Sabesp faz como toda empresa em crise, corta funcionários e até o café, mas mantém os assessores de diretoria, muitos dos quais são indicação política”, afirmou.

Segundo levantamento feito pelo Estado na relação de funcionários da Sabesp disponível no portal da transparência estadual, a companhia tem ao menos cinco assessores de diretoria filiados ao PSDB, partido do governador Geraldo Alckmin. São eles: Juan Manuel Villarnobo Filho, presidente da sigla em Santos; Hélio Rubens, ex-prefeito de Itapecerica da Serra; Rodolfo Costa e Silva, ex-deputado estadual; Silvio Antonio Ranciaro; e José Aurélio Boranga – além do ex-prefeito de Presidente Prudente pelo PPS Virgílio Tiezzi Júnior.

Qualidade

Em nota, a empresa afirma que “não procede a informação de que não estão sendo desligados assessores de diretoria dentro da política de ajustes atualmente em curso na Sabesp”.

Dos seis assessores citados, “três, que ocupavam cargos comissionados, já foram notificados sobre a dispensa”. A empresa não informou quais são nem quantos assessores serão desligados no total. Procurado, o PSDB não se manifestou. O Estado não conseguiu contato com Tiezzi Júnior.

A companhia também nega que as demissões vão comprometer a qualidade na prestação de serviços.

“Anualmente, em seu relatório de sustentabilidade, a Sabesp divulga a evolução do quadro de funcionários. A companhia tem perseguido a melhora do índice de produtividade na relação ligações de água e esgoto por empregado. Em 2002, eram 551; em 2007, 708, e em 2013, 948. Os dados comprovam, assim, um aumento de 70% da eficiência”.

Com queda de receita, por causa da redução no volume de água faturado, a Sabesp ainda estuda pedir reajuste da tarifa acima da inflação em abril. A empresa alega aumento de custos, como de energia elétrica. As informações são do jornal “O Estado de S. Paulo”.

Vista da represa Atibainha, na cidade de Nazaré Paulista (SP), uma das que formam o sistema Cantareira. O nível do Cantareira manteve-se hoje em 11,7% de sua capacidade total, no mesmo patamar registrado desde a segunda-feira, mas esse percentual inclui duas cotas do volume morto, água que fica no fundo das represas

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