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Raúl Castro isenta Obama por ações dos EUA cometidas contra Cuba

Presidente cubano participa da Cúpula das Américas, com Barack Obama.
É a primeira vez que Cuba é integrada ao encontro de líderes americanos.

O presidente de Cuba, Raúl Castro, na cerimônia de abertura da Cúpula das Américas, no Panamá (Foto: Mandel Ngan/AFP)
O presidente de Cuba, Raúl Castro, na cerimônia de abertura da Cúpula das Américas, no Panamá (Foto: Mandel Ngan/AFP)

O presidente de Cuba, Raúl Castro, isentou Barack Obama da culpa de ações políticas contrárias à ilha que foram cometidas por “dez antecedentes” do atual líder dos Estados Unidos.

Em sua fala, Castro afirmou que tem expressado “disposição ao diálogo” com Obama e chamou o governante dos EUA de “um homem honesto”. Logo depois, pediu desculpas por sua emotividade em “defesa da revolução”.

Castro começou seu discurso na Cúpula das Américas, na Cidade do Panamá, dizendo que “já era hora de eu falar aqui em nome de Cuba”, referindo-se à primeira participação de seu país no encontro dos líderes do continente americano.

Ele iniciou sua intervenção logo após a fala do líder norte-americano. Assim que o governante anfitrião, Juan Carlos Varela, anunciou seu nome, todos na plenária o aplaudiram.

Fim do embargo
O presidente cubano exigiu dos EUA que seja resolvido o embargo comercial imposto em 1962 contra a ilha. “Esse e outros elementos devem se resolver no processo de normalização das relações.

O líder cubano ressaltou ainda que seu governo aprecia a possível exclusão de Cuba da lista de patrocinadores do terrorismo e acredita que a potência mundial vai decidir rapidamente sobre o tema. Segundo ele, seu país “nunca deveria ter estado” nesta lista.

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Raúl Castro estreia na Cúpula: ‘Já era hora de eu falar aqui’

Presidente cubano elogiou Barack Obama e pediu apoio dos líderes do continente para derrubar o embargo comercial

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O presidente cubano, Raúl Castro, participa pela primeira vez da Cúpula das Américas – AFP/RODRIGO ARANGUA

CIDADE DO PANAMÁ — Sob aplausos entusiasmados dos demais 34 chefes de Estado e governo quando teve seu nome anunciado, o presidente de Cuba, Raúl Castro, fez seu histórico discurso na VII Cúpula das Américas, ao qual o país comparece pela primeira vez. É o marco do retorno cubano à comunidade interamericana. Ele discursou em seguida do presidente dos EUA, Barack Obama, que reafirmou o compromisso com o pleno restabelecimento das relações diplomáticas entre Washington e Havana.

Muito bem-humorado, Raúl Castro foi apresentado pelo presidente do Panamá, Juan Carlos Varela, e declarou ao microfone, para risadas e aplausos dos demais líderes regionais:

— Já era hora de eu falar aqui!

Conhecido, como o irmão Fidel Castro, pelos discursos longos, Raúl disse que era um “estranho esforço” ter que resumir sua fala aos 8 minutos recomendados pela organização do evento, mas afirmou que iria tentar, arrancando novamente risos. E então provocou gargalhadas e aplausos mais entusiasmados dos líderes, ao emendar:

— Mas como vocês me devem pelo menos seis Cúpulas, eu vou pedir permissão ao presidente Varela para me estender um pouquinho.

Em seguida, Raúl começou a fazer um extenso histórico da luta do povo cubano pela independência e soberania, o apoio dos EUA às forças armadas e repressoras na ilha nos séculos 19 e 20 e depois do passo a passo da Guerra Fria. Dedicou-se a esta parte por mais de 20 minutos.

Porém, Raúl Castro elogiou o presidente dos EUA, Barack Obama, não só pelo passo de retomar as conversas com Cuba após 53 anos, mas pelo seu empenho em iniciar uma discussão no Congresso americano para que seja derrubado o embargo econômico que “continua prejudicando o povo cubano”.

— Temos que continuar apoiando o presidente na sua intenção de eliminar o bloqueio — disse Raúl. — Temos que agradecer ao presidente Obama, que também nasceu já com o embargo em vigor, e sua disposição de iniciar o debate com o Congresso.

Raúl notou a “origem humilde” de Obama, que tratou como qualidade, novamente levantando forte aplauso da plateia. E disse que soube deste passado lendo dois livros do presidente americano. Obama permaneceu de cabeça baixa, e esboçou leve sorriso.

— Mas ainda vou ler tudo com calma — disse, rindo, arrancando risos da plateia.

Em seguida, prometeu, rindo, terminar em breve o discurso, quando já tinha 32 minutos e meio dominando o microfone da sessão de trabalho dos chefes de estado e governo:

— Querem que eu corte pela metade, vou acelerar um pouco.

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Cúpula no Panamá expõe disputa de potências por rota marinha

Apoiado pelos EUA, governo anfitrião usa evento para promover Canal do Panamá e minimizar ameaças de via interoceânica que China constrói na Nicarágua.
Cidade do Panamá é espécie de Dubai das Américas (Foto: BBC Brasil)
Cidade do Panamá é espécie de Dubai das Américas (Foto: BBC Brasil)

No caminho para o hotel onde presidentes de multinacionais se reuniram nesta semana durante a Cúpula das Américas, na Cidade do Panamá, um edifício envidraçado em forma de parafuso se destacava em meio a gruas e outros arranha-céus.

A poucos metros da torre, sede panamenha do banco espanhol BBVA, operários davam os últimos toques a um shopping que terá lojas da Gucci e da Louis Vuitton.

O boom imobiliário na região, que se estende até a beira do Pacífico e vem tornando a Cidade do Panamá uma espécie de Dubai das Américas, é um dos trunfos do governo panamenho para influenciar empresários numa disputa que trava nos bastidores da cúpula.

O embate, que envolve o controle da rota marítima entre o Atlântico e o Pacífico, põe em lados distintos as duas maiores potências globais: Estados Unidos e China.

Hoje o único atalho para essa rota é o Canal do Panamá, escavado pelos Estados Unidos em 1914 e território americano até 1979. Mas a exclusividade da passagem está ameaçada pela polêmica construção de um canal na Nicarágua, que se iniciou em 2014 e é financiada por um empresário chinês.

Se concluído, o canal nicaraguense será a maior obra de engenharia do mundo, estendendo-se por 276 quilômetros. O empreendimento tem custo estimado de US$ 50 bilhões (aproximadamente R$ 154 bilhões), cerca de cinco vezes o valor financiado da hidrelétrica de Belo Monte. Ele permitirá a passagem de navios com até 25 mil contêineres, quase o dobro do limite do Canal do Panamá.

O governo nicaraguense espera que, a exemplo do ocorrido no vizinho centro-americano, o canal atraia uma série de investimentos, tornando a Nicarágua o principal centro logístico entre as Américas do Sul e do Norte.

O Panamá, porém, tenta preservar esse posto, apresentando-se aos empresários como um país mais moderno e seguro para investimentos que o vizinho. Os arranha-céus são o aspecto mais visível do vigor da economia panamenha, que cresceu 6,5% em 2014 (maior índice da América Latina) e deve manter o ritmo nos próximos dois anos.

O canal é considerado um pilar da economia do país: por causa dele e de benefícios fiscais e trabalhistas, dezenas de multinacionais – entre as quais Caterpillar, Dell e HP – optaram por instalar suas sedes latino-americanas na Cidade do Panamá.

Relações públicas
Os anfitriões têm usado a cúpula para promover seu canal e minimizar os riscos gerados pela iniciativa nicaraguense. Em discurso a empresários, o presidente da autoridade do canal panamenho, Jorge Quijano, disse que é possível que outras rotas marítimas surjam, mas que o Panamá “está preparado a fazer os investimentos necessários para continuar sendo a decisão óbvia dos nossos clientes”.

Há dois anos, o então chanceler panamenho, Fernando Núñez Fábrega, chegou a afirmar que “é mais fácil chegar à Lua do que construir um canal na Nicarágua”. A obra enfrenta uma série de desafios, como a escavação de dezenas de quilômetros em mata fechada.

Os panamenhos contam com o apoio dos Estados Unidos em seus esforços. O presidente americano, Barack Obama, visitou nesta sexta as obras de ampliação do canal panamenho e agradeceu o país aliado por administrá-lo.

Os Estados Unidos também vêm criticando a forma como o canal nicaraguense tem sido construído.Em evento no início do mês, a secretária assistente do Departamento de Estado americano para Hemisfério Ocidental, Roberta Jacobson, disse que falta transparência à obra e que o governo em Manágua deve responder a cidadãos nicaraguenses “que estão preocupados com questões ambientais e fundiárias.”

Na Nicarágua, teme-se que construção de canal desaloje moradores e cause problemas ambientais (Foto: BBC Brasil)
Na Nicarágua, teme-se que construção de canal desaloje moradores e cause problemas ambientais (Foto: BBC Brasil)Na Nicarágua, teme-se que construção de canal desaloje moradores e cause problemas ambientais (Foto: BBC Brasil)

Moradores de regiões que serão afetadas pela obra – entre os quais indígenas e pequenos agricultores – têm protestado contra o empreendimento. Eles dizem temer ser desalojados e não receber compensações adequadas.

Há também a preocupação de que o canal cause grande impacto ambiental, prejudicando especialmente comunidades que vivem da pesca ou do turismo no Lago Nicarágua, santuário ecológico que será atravessado pelo canal.

O governo em Manágua rebate as críticas e diz que a obra terá um plano robusto de compensações. Os estudos de impacto ambiental estão a cargo da consultoria britânica Environmental Resource Management.

Os questionamentos americanos devem ampliar o distanciamento entre Washington e Manágua. O presidente nicaraguense, Daniel Ortega, é um dos maiores desafetos globais dos Estados Unidos e com frequência acusa a Casa Branca de ter ambições “imperialistas” na América Latina.

Analistas avaliam que as preocupações americanas são mais abrangentes. Em artigo publicado em março, o professor de relações internacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Oliver Stuenkel, diz que a obra pode “alterar a dinâmica regional” e dar a Pequim uma posição estratégica numa área que Washington considera seu quintal.

Para Stuenkel, os objetivos chineses em financiar o canal são mais geopolíticos do que comerciais. A Hong Kong Nicaragua Canal Development Investment Co (HKND), companhia chinesa a cargo da obra, terá o direito de operá-lo e de erguer portos, aeroportos, estradas e ferrovias ao longo do canal. A empresa firmou ainda um contrato para construir uma rede de telecomunicações no país.

Stuenkel afirma ainda que uma reforma recém-aprovada na Nicarágua pôs fim à proibição de que soldados estrangeiros transitem pelo país, o que abre o espaço para a construção de uma base militar chinesa no longo prazo.

Cautela e oportunidade
Presidentes de empresas presentes na cúpula expressaram cautela sobre a iniciativa nicaraguense. Para Ingo Plöger, presidente do Business Council of Latin America, empresários gostam de competição e recebem bem investimentos que lhes ofereçam alternativas para seus negócios.

“A questão é: existe disposição de fazer um canal dentro dos moldes ambientais corretos? A administração do canal será independente e terá a mesma competência que a do Canal do Panamá? Tenho minhas dúvidas”, ele afirma.

Ele questiona ainda se a China e a Nicarágua têm a estabilidade política necessária para levar a obra até o fim. Manágua diz que a construção durará cinco anos, mas especialistas avaliam que, dada a sua complexidade, o prazo dificilmente será cumprido.

Para Stanley Motta, presidente da companhia aérea panamenha Copa, “o canal nicaraguense ainda é uma aventura que se está tratando de financiar”.

“Ainda há um caminho muito longo para que ele se torne uma realidade”, diz.

Empresários e observadores parecem concordar num ponto: a conclusão da obra só ocorrerá se o governo chinês encampá-la oficialmente. Por ora, porém, Pequim tem mantido certa distância do empreendimento.

Para Oliver Stunkuel, da FGV, a postura dá aos chineses a possibilidade de recuar caso problemas logísticos e políticos relacionados à obra se mostrem insuperáveis.

Boom imobiliário é um dos trunfos panamenhos em disputa por rota interoceânica (Foto: BBC Brasil)
Boom imobiliário é um dos trunfos panamenhos em disputa por rota interoceânica (Foto: BBC Brasil)
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Cúpula das Américas tem pela 1ª vez os 35 países do continente americano

Dilma tem encontro marcado com Obama para a tarde deste sábado (11).
Líderes vão falar sobre uma possível visita da presidente aos EUA.

Pela primeira vez, os 35 países do continente americano participam da Cúpula das Américas. O encontro começou na noite desta sexta (10) no Panamá e foi retomado neste sábado (11) pela manhã.

A presidente Dilma Roussef tem um encontro com o presidente americano Barack Obama às 14h30, horário do Panamá – 16h30 em Brasília. Eles vão falar sobre uma possível visita de trabalho da presidente aos estados unidos. Dilma cancelou uma visita de estado a Washington em 2013, depois das denúncias de espionagem por parte da Agência Americana de Segurança Nacional.

Mas o encontro mais esperado é entre os presidentes de Cuba e dos Estados Unidos. Barack Obama e Raúl Castro se cumprimentaram, um símbolo da aproximação entre os dois países, depois de mais de 50 anos de afastamento.

Obama pode anunciar ainda hoje a retirada de Cuba da lista de países que financiam o terrorismo – um passo fundamental para a reabertura de embaixadas em Havana e Washington.

O presidente Raúl Castro fez o primeiro discurso de Cuba na Cúpula das Américas. Ele elogiou o presidente Obama e pediu o fim do embargo econômico. Mas, antes disso, fez várias críticas aos Estados Unidos.

A Venezuela também é um tema importante na Cúpula das Américas. O presidente Nicolas Maduro se movimentou bastante nas últimas horas para conseguir apoio de países vizinhos contra os Estados Unidos. A Venezuela bloqueou a carta final do encontro. É a terceira vez na história que a Cúpula termina sem esse documento, que só é publicado se houver consenso. Maduro exige que o presidente americano suspenda as sanções contra autoridades venezuelanas. E provavelmente não será atendido.

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Internet grátis com parceria do Facebook

Dono da rede social e presidenta Dilma anunciam projeto para beneficiar população carente

A presidenta Dilma Rousseff se reuniu ontem no Panamá, durante a Cúpula das Américas, com o criador e presidente do Facebook, Mark Zuckerberg, convidado dos 35 chefes de Estado e governo das Américas presentes no evento. Foi anunciada parceria para levar internet gratuita à população brasileira de baixa renda. O acesso será limitado a alguns serviços que o governo vai disponibilizar na área de saúde e educação, por exemplo. A parceria ainda será detalhada e o anúncio formal vai ser feito em junho, no Brasil, quando Zuckerberg virá ao país.

Dilma e Zuckerberg passaram cerca de uma hora conversando sobre a parceria. Ele disse estar animado Foto: Reuters

“A partir de agora, vamos começar a desenvolver estudos em comum, até desenhar um projeto comum com o objetivo da inclusão digital”, disse a presidenta. “Isso vai permitir ampliar o acesso à educação, à saúde, à cultura e tecnologia”, completou. O Governo Federal e o Facebook utilizarão como ponto de partida projeto que a empresa desenvolve em Heliópolis, região carente de São Paulo. “Estamos muito empolgados com essa parceria, e ampliar o acesso à internet permite avançar em diferentes áreas, como economia moderna, emprego, educação e comunicação”, disse Zuckerberg.

Primeiro, a iniciativa levaria o serviço a regiões do Brasil onde já há infraestrutura pronta para o acesso à rede. Depois, a novidade englobaria áreas mais remotas do Brasil, onde ainda falta a estrutura necessária.

“Consideramos que o Facebook é um dos grandes produtos que geraram revolução, similar ao que aconteceu com a energia, quando o mundo todo foi iluminado”, acrescentou Dilma.

Também ontem, em mesa de debate com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e outros líderes, Dilma disse que é importante que os governos combatam a corrupção e garantam que o dinheiro público beneficie o povo. O tema da mesa era o desafio de ampliar o acesso à internet de banda larga. Dilma citou a aprovação do novo Marco Civil da Internet e citou o Portal da Transparência, de prestação de contas do governo.

Na agenda da presidenta brasileira para hoje está previsto um encontro dela com Obama. A relação do Brasil com os Estados Unidos está abalada desde a divulgação de informações de que ela fora espionada por agência americana. Na reunião não deve haver pedido de desculpas de Obama. A Casa Branca já disse que parou de espionar Dilma e o Brasil se deu por satisfeito.

Na noite de quinta, ela disse em entrevista ao serviço em espanhol da CNN que a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) tem “interesse absoluto” em que a Venezuela liberte presos políticos. O país é palco há um ano de crise entre governo e a oposição. O presidente Nicolás Maduro emitiu ordens de prisão para os principais líderes opositores, acusando-os de incitar o povo à violência em manifestações.

Raúl Castro e Obama juntos

Um aperto de mãos histórico, que não ocorre há quase 60 anos, é aguardado para hoje: o dos presidentes de Cuba e Estados Unidos. O americano Barack Obama e o cubano Raúl Castro se encontrarão na Cidade do Panamá, durante a Cúpula das Américas, dando início às negociações para a retomada das relações diplomáticas entre os dois países, cortadas desde a Revolução Cubana, em janeiro de 1959.

Na noite de quinta-feira, Obama e Raúl chegaram a conversar por telefone, após chegarem ao Panamá. Um assessor da Casa Branca disse que os líderes provavelmente manterão conversa hoje. “Claro que prevemos que haja uma oportunidade para que se vejam durante a cúpula. Esperamos que tenham uma reunião à margem do fórum”, afirmou Ben Rhodes, assessor de Obama.

A última vez que os dois presidentes falaram por telefone foi em 17 de dezembro, quando anunciaram ao mundo seu acordo para restabelecer suas relações, após mais de cinco décadas de tensões.

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John Kerry e chanceler cubano mantêm encontro histórico no Panamá

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry (à direita) cumprimenta o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, em encontro bilateral histórico na véspera da cúpula das Américas
O secretário de Estado dos EUA, John Kerry (à direita) cumprimenta o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, em encontro bilateral histórico na véspera da cúpula das Américas

O secretário de Estado americano, John Kerry, e o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, protagonizaram nesta quinta-feira (9), às vésperas do início da VII Cúpula das Américas, no Panamá, um encontro histórico, a reunião de mais alto nível em décadas entre representantes dos dois países.

O Departamento de Estado dos EUA publicou em sua conta no Twitter uma foto de Kerry e Rodríguez apertando as mãos, depois de a porta-voz do órgão, Marie Harf, ter anunciado a realização do encontro na mesma rede social. Outra fotografia, divulgada também pelo órgão, mostra Kerry e Rodríguez dialogando sentados e em companhia de funcionários de ambos os países.

Após o término do encontro, o Departamento de Estado afirmou em comunicado que a reunião “foi longa e muito construtiva”. Além disso, disse que Kerry e Rodríguez fizeram progressos e vão continuar trabalhando para resolver “os assuntos pendentes”.

Até o momento, o governo cubano não divulgou nenhuma informação sobre a reunião, assim como também não o fizeram os meios de comunicação da ilha.

A reunião bilateral entre Kerry e Rodríguez foi a de mais alto nível diplomático em décadas, a primeira entre os dois chanceleres desde o histórico anúncio do restabelecimento das relações entre os EUA e Cuba, realizado em dezembro do ano passado pelos presidentes Barack Obama e Raúl Castro. Na época, Obama e Castro conversaram por telefone e ambos já estão no Panamá para participar da VII Cúpula das Américas, que será aberta na sexta-feira.

O encontro anterior entre os chefes da diplomacia de Washington e Havana remontava a setembro de 1958, lembraram funcionários americanos.

A Casa Branca disse que não há, por enquanto, uma reunião bilateral programada entre Obama e Castro, mas afirmou que os dois líderes terão “algum tipo de interação” durante a cúpula.

Obama disse mais cedo na Jamaica, onde fazia visita oficial, que já recebeu de Kerry a recomendação de retirar Cuba da lista de países patrocinadores do terrorismo, mas esclareceu que ainda não tomou uma decisão sobre o assunto.

A sugestão de Kerry deve ser revisada agora por uma equipe da Casa Branca, que depois passará para Obama suas conclusões.

Cuba reivindica sua saída dessa lista, mas não considera a retirada como um pré-requisito para retomar as relações bilaterais com os EUA e reabrir as embaixadas nas respectivas capitais.

No entanto, analistas acreditam que esse seria um passo muito importante para a normalização diplomática entre os dois países.

Para retirar Cuba da lista, os EUA devem chegar à conclusão de que “durante os últimos seis meses o país não se envolveu no apoio, assistência ou cumplicidade de atos terroristas internacionais”, explicou recentemente Kerry.

Além disso, é preciso que o governo cubano mostre um compromisso de que não tem intenção de apoiar o terrorismo no futuro.

Assim que Obama anunciar sua decisão, deve notificá-la de maneira formal ao Congresso, que terá 45 dias para estudá-la.

Dentro de sua acirrada agenda no Panamá, Obama participará amanhã do Fórum da Sociedade Civil, que reúne dissidentes cubanos e opositores venezuelanos, entre outros.

Hoje na Jamaica, durante um evento com jovens aberto à perguntas, Obama insistiu em suas preocupações sobre a situação dos direitos humanos em Cuba, mas não fez referência aos incidentes ocorridos entre funcionários do governo cubano e opositores no Panamá.

O boicote da delegação governista à presença de dissidentes no Fórum da Sociedade Civil gerou hoje novos problemas no evento, no qual duas mesas de trabalho se dividiram em diferentes grupos para evitar um confronto ainda maior entre as partes.

Em entrevista exclusiva à Agência Efe antes de viajar para a Jamaica e ao Panamá, Obama destacou que as “mudanças históricas” na política em relação a Cuba já estão dando resultados.

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Cúpula das Américas começa com presença histórica de Cuba

O secretário de Estado americano, John Kerry (fundo à direita), ao lado do chanceler cubano, Bruno Rodriguez, realizaram reunião bilateral na noite desta quinta-feira.
O secretário de Estado americano, John Kerry (fundo à direita), ao lado do chanceler cubano, Bruno Rodriguez, realizaram reunião bilateral na noite desta quinta-feira. REUTERS/U.S. State Department/Handout via Reuters

A 7ª Cúpula das Américas que se inicia nesta sexta-feira (10) no Panamá já entrou para a história, com a presença de Cuba. É a primeira vez que o evento vai reunir todos os 35 países do continente. Na quinta-feira à noite, nas reuniões preparatórias com os chefes da diplomacia, o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, se encontrou com o chanceler cubano Bruno Rodriguez.

 Essa foi a primeira reunião do mais alto nível diplomático entre Cuba e Estados Unidos em mais de 50 anos e precede o aguardado encontro, hoje, entre os presidentes Barack Obama e Raúl Castro. A expectativa é de que o líder americano anuncie a retirada de Cuba da lista de países que promovem o terrorismo, uma demanda de Havana para o restabelecimento de relações diplomáticas com Washington.

A cúpula, porém, começa em meio à declaração dos países da Alba contra a interferência política americana na Venezuela. Analistas temem que o cabo-de-guerra entre os dirigentes da Aliança Bolivariana e Washington possa tirar o brilho daquela que deverá ser a imagem-símbolo do evento, o aperto de mãos entre Obama e Castro, simbolizando uma nova inflexão política dos EUA na região. Os dois presidentes já haviam dado um primeiro aperto de mão em Joanesburgo, nos funerais de Nelson Mandela, em 2013.

Expulsão da OEA

Ainda que um encontro reservado entre os dois não tenha sido confirmado, eles estarão lado a lado, o que por si já representa um fato histórico. Por conta da expulsão de Havana da OEA, em 1962, por iniciativa norte-americana, essa é a primeira vez que Cuba participa da Cúpula das Américas.

Nesta quinta-feira, em um encontro na Jamaica a caminho do Panamá, Obama foi efusivamente saudado por líderes de países caribenhos por sua política de abertura em relação a Havana. O democrata chega ao Panamá fortalecido por conta da robustez da economia americana e da preparação de um pacote bilionário de cooperação com a América Central na área energética, visto com um primeiro sinal concreto de Washington de que está disposto a conter a crescente influência chinesa na região.

Brasil

A presidente Dilma Rousseff deve chegar à capital panamenha na manhã desta sexta-feira. Antes da cerimônia oficial da cúpula, a presidente tem vários encontros bilaterais: com o presidente do México, Enrique Peãn Nieto, com o secretário-geral da ONU, Ban KI-moon, e com o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg. A 7ª Cúpula das Américas termina no sábado.

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Venezuela bloqueia documento final da Cúpula das Américas

Panamá – A Venezuela bloqueou o documento final da Cúpula das Américas, frustrando a expectativa de um evento que marcaria a união do hemisfério após o fim do isolamento de Cuba.
Esta será a terceira cúpula consecutiva sem um comunicado final por falta de consenso. Das outras vezes, a participação de Cuba, exigida pela maioria dos países e rejeitada pelos EUA, era o obstáculo.

Obama observa anotações durante encontro bilateral com premiê da Jamaica, Portia Simpson-Miller
Obama observa anotações durante encontro bilateral com premiê da Jamaica, Portia Simpson-Miller

Dessa vez, foi a insistência da Venezuela —apoiada por Nicarágua e Bolívia— de incluir no preâmbulo do documento uma condenação às sanções impostas pelos EUA a autoridades venezuelanas, citando nominalmente o governo americano e a ordem executiva do presidente Barack Obama.
O documento só é aprovado com apoio unânime. Os países então recorreram a uma solução improvisada —um relatório do presidente do Panamá, Juan Carlos Varela, chamado de chair’s summary, que reúne as posições em que há acordo. O sumário não tem a mesma força de um documento final.
Apesar dos gestos de conciliação dos EUA —a ida do assessor especial de John Kerry, Thomas Shannon, a Caracas, e a declaração do assessor de segurança nacional da Casa Branca, Ben Rhodes, de que linguagem das sanções é pro forma —os venezuelanos não recuaram em sua exigência.
“Mantivemos a exigência de que se incluísse no documento pedido de revogação do decreto imperial dos EUA”, disse a chanceler venezuelana, Delcy Rodríguez.

ENCONTROSTURBULENTOSRusgas entre a esquerda e os EUA na Cúpula das Américas
Editoria de arte/Folhapress