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Amazônia foi habitada por crocodilo gigante

Artigo de pesquisadores brasileiros sobre o animal pré-histórico foi publicado em importante revista científica

Animal era do tamanho de um caminhão: media 12,5 metros e pesava mais de 8 toneladas Tito Aureliano (ilustração)

No período Mioceno, há oito milhões de anos, um predador gigante habitava os megapântanos que existiam na região amazônica. Medindo cerca de 12,5 metros e pesando 8,4 toneladas, ele era do tamanho do famoso Tiranossauro rex, mas tinha uma mordida duas vezes mais potente. Estava no topo da cadeia alimentar. Este mês, o supercrocodilo Purussaurus brasiliensis foi apresentado ao mundo pela respeitada revista científica Plos ONE. O artigo é de um grupo de pesquisadores de várias universidades do Brasil, incluindo a Federal de Pernambuco.

Segundo o pesquisador Tito Aurealiano, da UFPE, o animal tinha sido descrito apenas em resumo expandido de congresso, em língua portuguesa. “Resolvemos reunir tudo o que se conhecia do supercroc e fazer uma revisão completa”, explica. Um dos autores do artigo é Jonas Souza Filho, que encontrou o crânio do Purussaurus em 1986, no Acre. Esse fóssil de 1,40 metro norteou os estudos para a publicação do artigo.

Tito Aureliano conta que ele e os colegas Aline Ghilardi, Robson Guilherme, Mauro Cavalcanti e Douglas Riff desenvolveram um modelo matemático para estimar as medidas do animal e o impacto de sua mordida. “Usamos informações de jacarés brasileiros e de crocodilos do mundo inteiro para criar esse modelo”, explica. “Agora, ele poderá ser utilizado em pesquisas com outros táxons de super croc.”

Iniciada montagem de projetores do Planetário de Sobral

A Prefeitura de Sobral iniciou a montagem e instalação dos projetores do Planetário de Sobral, na terça-feira (10). Localizado na Praça do Patrocínio, ao lado do Museu do Eclipse, o Planetário de Sobral conta com um projetor planetário e um projetor digital, ambos da fabricante alemã Carl Zeiss.

O equipamento tem uma cúpula de projeção de 10 metros de diâmetro e terá 84 assentos, sendo 2 para cadeirantes. A obra está sendo executada pela Prefeitura em parceria com o Governo do Estado do Ceará, que investiram cerca R$ 4 milhões na construção e na aquisição de equipamentos.

Segundo o Coordenador do Museu do Eclipse, Emerson de Almeida, a função básica do Planetário é simular, em condições fidedignas, o céu em qualquer latitude ou época do ano. “Com o projetor digital o Planetário pode trabalhar com até 80 disciplinas de diferentes áreas da educação, da ciência da natureza, passando pela história, saúde e ciências da vida”, explica.

Com isso, o município será o único do Interior do Estado a possuir o equipamento e o segundo no Interior do Nordeste. O primeiro fica em Feira de Santana, na Bahia.

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O ano de Plutão — e outras missões espaciais que marcarão 2015

A sonda que chegará pela primeira vez a Plutão, o estudo dos efeitos da ausência de gravidade na genética humana e o possível despertar do robô Philae são alguns dos momentos mais aguardados do ano

A sonda New Horizons vai se aproximar de Plutão em julho, e fazer as primeira fotos 'in loco' do planeta
A sonda New Horizons vai se aproximar de Plutão em julho, e fazer as primeira fotos ‘in loco’ do planeta (Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory/Southwest Research Institute (JHUAPL/SwRI)/VEJA)

O ano de 2015 será aquele em que a exploração espacial chegará, pela primeira vez, bem perto de Plutão. Em julho, a sonda New Horizons, da Nasa, se aproximará do planeta anão, que está a 5,8 bilhões de quilômetros do Sol, equivalente a 40 vezes a distância entre a Terra e a estrela. Nunca o vimos de perto. Corpos celestes assim podem indicar como se deu a formação de planetas como o nosso.

“Podemos esperar uma revolução em nosso conhecimento sobre os pequenos planetas. Hoje, não sabemos quase nada sobre eles, mas, em pouquíssimo tempo, teremos revelações surpreendentes”, diz Alan Stern, líder da missão New Horizons e cientista do Southest Research Institute, nos Estados Unidos (SwRI, na sigla em inglês).

A missão New Horizons dará continuidade a um ano em que a exploração espacial fez história. Em 2014, em uma missão cinematográfica, a sonda Rosetta chegou ao cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko depois de passar mais de dez anos viajando no espaço. Ela liberou o módulo Philae para pousar na superfície do cometa e coletar dados diretamente da sua superfície.

Suas primeiras análises foram divulgadas em dezembro, revelando que a água de nosso planeta não deve ter origem extraterrestre. Em 2015, informações vindas da Rosetta devem continuar chegando até nós e, em conjunto com os dados de outras ousadas missões espaciais, como a New Horizons, vão fornecer pistas que ajudarão os cientistas a construir a complexa história da origem do cosmo.

Lançada em 2006, quando Plutão ainda não havia sido reclassificado como planeta anão, a missão pretende trazer detalhes dessa região desconhecida do espaço e de onde as melhores imagens foram feitas por telescópios espaciais, como o Hubble. “Colocar a palavra ‘anão’ na frente de Plutão não diminui a importância desses corpos celestes. Sempre é bom lembrar que o Sol que nos ilumina é uma estrela anã. Com essa missão, teremos a chance de investigar Plutão e alguns planetas ainda menores. Queremos tirar toda a ciência possível desse sobrevoo, que nos dará uma compreensão melhor do lugar de Plutão em nosso Sistema Solar”, diz o astrônomo Hal Weaver, cientista da missão New Horizons e pesquisador do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos.

Depois que passar por Plutão, a New Horizons se aproximará de outros planetas anões do Cinturão de Kuiper. Astros como os que compõem essa parte do universo se chocaram com os planetas rochosos na época de sua formação, sendo incorporados a eles. Por isso, os cientistas imaginam que eles podem indicar a origem planetária.

“Esse cinturão é equivalente a uma escavação arqueológica na história da formação dos planetas”, explica Alan Stern. “Essa é uma missão de prioridade máxima para a Academia Nacional de Ciências americana por causa de seu imenso valor científico.”

Grandes feitos — Para os astrofísicos, missões dessa amplitude são comparáveis ao pouso do primeiro robô em Marte, o Viking 1, que chegou ao planeta vermelho em junho de 1976 e revelou seus detalhes, ou ao momento em que as sondas Voyager 1 e 2 enviaram as primeiras imagens feitas de perto de Júpiter, Urano e Netuno, e descobriram que esses planetas gigantes tinham anéis e uma grande quantidade de satélites, na década de 1980.

“Muita coisa está mudando na astronomia por causa dessas sondas que fazem medições in loco”, afirma Rundsthen Vasques de Nader, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e astrônomo do Observatório do Valongo, na UFRJ. “O primeiro pouso em um cometa foi como a viagem de Colombo à América, mais ou menos como atravessar o Oceano Atlântico sem saber o que vamos encontrar com outro lado. Plutão é um corpo que estudamos há algum tempo, mas ainda precisamos saber mais sobre sua superfície e composição.”

Ondas gravitacionais — Além de buscar elementos que possam revelar a origem dos planetas, as missões espaciais de 2015 vão investir também na compreensão da formação do Universo. A sonda LISA Pathfinder, da Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês), deve ser lançada durante este ano e testará os futuros instrumentos para a detecção de ondas gravitacionais, minúsculas distorções no campo gravitacional do Universo previstas pela Teoria da Relatividade de Einstein. Esse fenômeno, que seriam um “eco” de grandes eventos espaciais como o Big Bang, ainda não foi comprovado pelos cientistas.

“Se essa missão for bem sucedida e se as ondas gravitacionais forem comprovadas, isso mudará o que sabemos sobre a ciência. Esse fenômeno, se for percebido, vai revolucionar a astronomia”, diz Enos Picazzio, professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo.

Gêmeos — Outro evento original será um estudo feito com os gêmeos americanos Scott e Mark Kelly, que analisará os efeitos de uma longa permanência no espaço. Enquanto o primeiro passará um ano na Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês), o outro ficará na Terra, para que comparações sejam feitas.

Em novos eventos científicos, os astrônomos também enviarão instrumentos que ajudarão na compreensão dos ventos e dos campos magnéticos que orbitam ao redor de nosso planeta. Reunindo missões que buscam decifrar a formação planetária, os primeiros passos do Universo e eventos ao redor da Terra ainda não claramente compreendidos pelos pesquisadores, a ciência busca compreender os delicados mecanismos que tornam nossa vida no planeta – e no cosmo – possível.

“Sabemos que a compreensão de fenômenos terrestres como o clima depende do entendimento da mecânica do universo, pois tudo está interligado. Só iremos decifrar a história da vida na Terra, se é que um dia chegaremos a desvendá-la, por meio desses pequenos ‘tijolinhos’ de conhecimento trazidos por essas missões. Aos poucos, eles se unem para montar o quebra-cabeça da evolução da vida no universo”, diz Picazzio.

Chegada a Plutão

Plutão ainda não havia sido reclassificado como planeta anão quando a sonda New Horizons (Novos Horizontes, em tradução livre) foi lançada pela Nasa, em 19 de janeiro de 2006, para estudá-lo. A New Horizons chegará ao seu destino em julho e fará as primeiras fotos in loco de Plutão e de Charon, a maior lua desse planeta anão. Esse objeto é tão grande em comparação com Plutão (tem cerca de metade de seu tamanho), que alguns pesquisadores preferem considerá-los como um sistema planetário duplo.
“A resolução das imagens da New Horizons serão melhores que as melhores fotos tiradas pelo telescópio Hubble. No momento da maior aproximação, as imagens da New Horizons terão a resolução de uma aproximação de cerca de 100 metros. Assim, objetos do tamanho de uma bola de futebol serão vistos. Pela primeira vez, Plutão e seus satélites serão mostrados em toda a sua complexidade e diversidade e deixarão de ser apenas pontos de luz, que é a forma como os telescópios os veem”, diz  o astrônomo Hal Weaver, cientista responsável pela missão New Horizons e pesquisador do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos.
Em seguida, a New Horizons viajará para uma região do Sistema Solar conhecida como Cinturão de Kuiper, que se estende de Netuno até depois de Plutão. Nesse Cinturão existem diversos planetas anões, mas a área foi até hoje pouco explorada por missões espaciais. Esses pequenos planetas são importantes por tratar-se de relíquias de mais de 4 bilhões de anos. A viagem ao Cinturão de Kuiper, no entanto, está prevista para o período entre 2016 e 2020.

(Da redação de VEJA.com)

A água que vem do ar

Na falta de chuvas, ninguém precisa passar sede. E nem depender da dessalinização da água do mar, um processo caro e de logística complexa. Conheça a região no meio do deserto chileno que tira água do ar, sem gastar um pingo de energia

Entre a longa Cordilheira dos Andes e o Oceano Pacífico, no país mais esticado do mundo, está o maior deserto latino-americano, o chileno Atacama. A aridez domina a região e os municípios próximos – são quase 1.500 km de extensão onde a média de chuvas é de 0,1 mm ao ano, com áreas onde a água fica sem cair por séculos. Nesse mar de sequidão, fica a região de Coquimbo, no município de Chungungo, que é banhado pelo mar, e onde choveu apenas cinco vezes em todo ano de 2013. Na área, a média histórica de chuvas é de apenas 100 mm ao ano – contra 1.500 mm em São Paulo, por exemplo. Mas, ao contrário da capital paulista, aqui não falta água – é possível tirá-la do ar.

O que acontece em Coquimbo é que faltam chuvas, mas sobram nuvens hiperúmidas. São as “nieblas costeras“, que se formam sobre a orla, se movem em direção ao continente e acabam aprisionadas por uma serra, num fenômeno chamado de camanchaca, as “chuvas horizontais”. A camanchaca acontece em condições muito específicas de geografia, clima e correntes marítimas, e é bem comum ao longo do litoral peruano e chileno. Essa neblina é composta por minúsculas gotas de água, que, de tão leves, se mantêm suspensas no ar. Se a nuvem encontrar algum tipo de obstáculo, as partículas de água se chocam umas com as outras e começam a se concentrar. Alcançam, então, peso suficiente para cair, virar gotas de água, e deixar um rastro de umidade por onde passam.

Nas regiões em que o fenômeno acontece, é comum encontrar árvores eternamente encharcadas e animais com os pelos molhados o tempo todo. A umidade é visível por aqui. Nas altitudes entre 600 e 1.200 metros, onde o fato é mais intenso, a vegetação é abundante e frondosa – ao contrário das zonas em que as neblinas costeiras não acontecem, e que têm solo seco e pouca flora. Foi observando esse contraste que, há 50 anos, pesquisadores da Universidad de Chile tiveram uma ideia: se a água não cai das nuvens, será que daria para pegá-la de dentro delas? Assim nasceu a ideia dos atrapanieblas (em português, algo como “capta-nuvem”) – artefatos criados para tirar, literalmente, água do ar.

As engenhocas são simples: basta esticar malhas de polietileno de alta densidade (parecidas com as que são usadas para proteger plantações do sol), de até 150 metros de largura, entre dois postes de madeira ou aço. A neblina passa pela malha, mas os fios de plástico retêm parte da umidade, que condensa, vira água e escorre até uma canaleta que leva a um reservatório (veja mais no info). O negócio é barato e eficiente: cada metro quadrado da malha capta, em média, 4 litros de água por dia, e um atrapaniebla de 40 m² custa entre US$ 1 mil e 1.500.

Para melhorar, o modelo é 100% sustentável. Não atrapalha a flora e a fauna, e funciona durante quase o ano todo, o que torna possível planejar a produção de água. Mas não para por aí: a verdadeira vantagem é que os atrapanieblas não utilizam luz elétrica. Diferentemente de outros métodos caros de obtenção de água em regiões secas, como a dessalinização da água do mar, eles não precisam de energia para funcionar. O vento trata de espremer as nuvens pelas malhas, e a gravidade cuida de carregar a água até os baldes. Perfeito.

Infelizmente, o projeto não é replicável no mundo todo por causa das condições necessárias de clima e temperatura. Mas países como México e Peru também utilizam a técnica. No árido Estado de Querétaro, na região central do México, e nas secas áreas costeiras do Peru – que inclui a capital Lima, onde a média anual de pluviosidade é de menos de 10 mm, mas cuja umidade relativa do ar chega a 98% -, o projeto já funciona em larga escala. O maior complexo de malha do mundo, contudo, localiza-se em Tojquia, Guatemala: são 60 captadores que, ao todo, compõem uma rede de 1.440 m² e captam quase 4 mil litros de água diariamente, abastecendo cerca de 30 famílias. Sem gastar energia.

CERVEJA DO CÉU
Em Chungungo, que não parou de crescer desde a década de 1980, as malhas não são mais suficientes para abastecer toda a população, e a prefeitura teve de recorrer a uma estação de dessalinização do mar para não faltar água. Por isso, há diversos estudos que tentam aumentar a produtividade dos atrapanieblas por aqui. Um deles é o Fog Finder System, uma superfície de 1 metro quadrado com diversos tipos de malhas e sensores que identificam o fluxo do vento e das gotas de água. Com ele, é possível descobrir a melhor maneira de dispor os fios da malha e quais tecidos são mais eficientes. Ele já descobriu, por exemplo, que o polipropileno, atualmente o material mais usado no Chile, é um dos que menos captam água.

Outras soluções para a produtividade são mais simples, como o atrapaniebla Cecelic, desenvolvido no México. Em vez de usar uma malha retangular, o Cecelic é uma superfície triangular com a ponta para cima. Nela, a água não vai para uma canaleta, mas direto para dois reservatórios, um em cada vértice do triângulo. O formato evita o rompimento da malha e, segundo os desenvolvedores, capta mais água: de 6 a 22 litros por dia para cada 1,5 m² de malha. “Sonho com o dia em que o método de captar água das nuvens possa competir com o sistema de dessalinização, que requer muita energia e não é compatível com o meio ambiente”, diz Pilar Cereceda, professora do Instituto de Geografia da Universidad de Chile e uma das maiores especialistas chilenas no assunto.

Aqui em Coquimbo, a água que vem das nuvens – que é 100% potável – é usada para outros fins. Em Majada Blanca, a 25 km de La Serena, principal cidade da região, mora Pedro Hernández Pérez, que pesquisa o aumento de eficiência dos atrapanieblas – e usa a água para cultivar uvas e azeitonas. Todas as semanas, ele percorre a pé um trajeto de 2 km de subida íngreme para medir a capacidade de captação dos tecidos. Além das duas grandes malhas que coletam a água para seu cultivo, uma tradicional de polietileno e outra de polipropileno em formato tridimensional, há pequenas telas com outros tipos de material, como o alumínio, em fase de teste. O formato tridimensional é especialmente interessante porque diminui a área de “sombra” do tecido, os pedaços de fio que não entram em contato com as gotículas de água. O sonho de Pedro Hernández é produzir vinho e azeite com a água da neblina. “No momento estou fazendo testes com diferentes tipos de uvas, para saber qual se adapta melhor ao clima e ao terreno, mas espero começar a fabricar meu próprio vinho em breve”, diz.

Mas a utilização mais original da água que vem do céu acontece em Peña Blanca, 100 km mais ao Sul. Alimentada pela água de apenas duas pequenas malhas montadas no topo de uma de suas montanhas, funciona uma cervejaria artesanal. A Cervejaria Atrapaniebla tem três tonéis e uma câmara fria e produz 24 mil litros da bebida por ano. A boa Atrapaniebla, nome do rótulo, é uma Scottish Ale produzida com 100% de água captada do ar. “Sem fontes de água na quantidade que precisávamos, tivemos que apelar para as nuvens. Além disso, a água da camanchaca é de excelente qualidade, e dá particularidades especiais à nossa cerveja”, diz Miguel Carcuro, dono e desenvolvedor da cervejaria. É a desculpa que você precisava para tomar cerveja – dessa vez, uma que caiu, literalmente, do céu.

DANÇA DA CHUVA
O clima no norte do Chile é dominado pelo Anticilone do Pacífico. Formado sob alta pressão atmosférica, ele não permite que o ar suba e gere chuvas. Assim, o clima árido predomina. Por outro lado, a alta pressão produz nuvens formadas por gotas tão minúsculas de água que não têm peso suficiente para cair.

1. As nuvens percorrem longas distâncias no oceano, formando uma massa de ar quente e úmido que condensa em contato com o frio do continente. As montanhas na costa então aprisionam as nuvens.
2. Os atrapanieblas devem ficar perpendiculares ao vento, para receber a nuvem de frente e entrar em contato com mais umidade. Além disso, devem estar próximos da costa, para minimizar a perda de água que evapora sobre o continente.

3. Quando a névoa passa pelo atrapaniebla, a malha captura as gotículas de água, que se aglomeram na tela até formarem uma gota maior, com peso suficiente para escorrer até uma canaleta.
4. Desse pequeno recipiente, a água desce para uma tubulação vedada até os reservatórios localizados na base da montanha (ou próximos às casas), onde fica pronta para ser usada.

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Projeto do PCJ de R$ 6,1 bi quer usar água do mar para aliviar o Cantareira

Estudo do consórcio prevê usina de dessalinização em Bertioga e adutoras.
Bombeamento seria com energia eólica; Sabesp diz que ideia é ‘inviável’.

O Consórcio Intermunicipal das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) divulgou nesta sexta-feira (7) um projeto que prevê a dessalinização de água do mar como opção para a crise hídrica do Sistema Cantareira, das Bacias PCJ e do Alto Tietê. A proposta calcula um gasto de R$ 6,1 bilhões para aumendar a oferta de água tanto na capital como no interior do estado de São Paulo.

Para tal, seria necessária a implantação de uma usina em Bertioga (SP) e a construção de adutoras que fariam o transporte até o Reservatório Jaguari/Jacareí do Cantareira. O projeto já foi entregue à Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). Em nota, a companhia classicou a ideia como “inviável”.

A equipe técnica do PCJ estudou cinco alternativas de traçados para trazer a água do mar para a região da cabeceira da Bacia do Rio Piracicaba, sendo o mais viável o que faria a captação em Bertioga, por ser o trajeto mais curto, com 99,9 km de adutoras. No entanto, há um desnível a ser superado por meio de bombeamento de no mínimo 663 metros de altitude para chegar à região do Sistema Cantareira, segundo o consórcio.

A opção por lançar a água dessalinizada no sistema Jaguari/Jacareí permitiria manter de forma artificial o sistema com no mínimo 80% de sua capacidade em tempo integral. Dessa forma, de acordo com o estudo, o espaço útil de 20% seria respeitado como reserva estratégica de volume de espera. Na prática, essa reserva acumularia água de chuvas no período de grandes precipitações no verão, evitando inundações nas barragens.

Energia eólica
O secretário executivo da entidade e coordenador do projeto, Francisco Lahóz, disse que a energia necessária para o bombeamento dessa água poderia ser obtida com a implantação de usinas eólicas, o que evitaria a sobrecarga do sistema elétrico convencional.

“Além de ser uma obra essencial para a ampliação da oferta de água para salvar as duas principais regiões econômicas do Brasil, estamos preocupados com a minimização dos impactos ambientais. O uso de energia eólica é favorecido pelas correntes de ventos litorâneas”, comentou.

Crise de água em São Paulo gera debate sobre formas de captação (Foto: Luis Moura/Estadão Conteúdo)

Aquífero Guarani
Lahóz disse ao G1 que a ideia de “puxar” água do mar seria melhor do que um eventual uso das reservas do Aquífero Guarani, que chegou a ser cogitado pelo governo estadual. “A disponibilidade hídrica nos oceanos é muito maior. E o aquífero não é a ‘8ª maravilha do mundo’, como todos pensam, pois a água dele água não é uniforme. Há pontos com altos índice de cálcio, magnésio, flúor e enxofre. Em certos locais até mesmo a dessalinização é necessária”, citou.

O estudo do PCJ aponta duas tecnologias de dessalinização: por osmose reversa, que já é utilizada em Israel, e a de evaporação. De acordo com a equipe técnica, as duas formas são eficientes, mas ainda carecem de estudos mais detalhados de viabilidade técnica e econômica de acordo com a realidade da região que será beneficiada.

O conteúdo do estudo foi enviado há 15 dias para a direção técnica da Sabesp, operadora do Sistema Cantareira. Segundo o PCJ, o órgão respondeu ao ofício de encaminhamento dizendo que o projeto estava sendo analisado. O projeto também será enviado a todos os municípios e empresas associados ao consórcio.

Sabesp
Em nota, a Sabesp informou já ter realizado alguns estudos de dessalinização. “Porém, os custos de implantação e de operação se mostraram elevados para os parâmetros operacionais da companhia”, citou.

“Outro fator que contribuiu para demonstrar a inviabilidade do projeto é a característica geográfica da Serra do Mar. A água precisaria ser bombeada para 800m de altura, o que tornaria o projeto de difícil aplicação e elevaria ainda mais seu custo”, concluiu o documento.

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Pesquisa determina a partir de meteoritos que Lua tem 4,47 bilhões de anos

Lua cheia aparece atrás dos Alpes Suíços, vista de Charrat, no sul do país

Lua cheia aparece atrás dos Alpes Suíços, vista de Charrat, no sul do país (Foto: Laurent Gillieron/Efe)

Um grupo de cientistas conseguiu determinar que a Lua tem 4,47 bilhões de anos com uma inovadora análise dos meteoritos que foram expelidos no momento da criação do satélite, cujos destroços acabaram aterrissando na Terra, segundo um estudo publicado nesta quinta-feira na revista “Science”.

Um grupo multidisciplinar de cientistas da Nasa, Universidade do Arizona e Instituto Superior de Estudos Teológicos (ISET) descobriu marcas do momento de criação da Lua nos destroços dos meteoritos rochosos que chegaram na Terra há milhões de anos.

Os especialistas concluíram que a Lua se formou a partir do “maior impacto” da história do Sistema Solar, quando um protoplaneta (pequeno corpo celeste considerado um embrião planetário) colidiu com o corpo celeste que mais tarde se transformaria na Terra.

Não se sabe exatamente quando aconteceu este impacto, pois os cientistas seguem debatendo a idade das amostras de solo e rochas lunares que os astronautas trouxeram de volta à Terra das missões Apolo.

No entanto, os pesquisadores descobriram que, no momento do choque, meteoritos de mais de um quilômetro de comprimento colidiram com velocidade acima da normal em um cinturão de asteroides.

A superfície dos meteoritos se aqueceu acima do normal e deixou atrás de si “um registro permanente do impacto”, que permitiu aos cientistas determinarem que a Lua se formou há 4,47 bilhões de anos, como apontavam outros estudos anteriores.

“O antigo impacto lunar gravou a si próprio”, afirmaram os pesquisadores, que puderam decifrar as marcas do tempo medindo e analisando os meteoritos produzidos após as colisões com o cinturão de asteroides.

“Esta pesquisa está nos ajudando a definir nossas escalas de tempo para saber quando se passou o que no Sistema Solar”, disse Bill Bottke, aluno do Laboratório Lunar e Planetário da Universidade do Arizona.

Os cientistas estão avaliando a possibilidade de utilização destes novos conhecimentos para saber como se formaram outros antigos corpos celestes, como o asteroide gigante Vesta, que se encontra no cinturão de asteroides entre as órbitas de Marte e Júpiter e que abriga centenas de corpos celestes.

A sonda Dawn, da Nasa, visitou durante 14 meses, entre 2011 e 2012, este asteroide gigante, e conseguiu registrar mais de 30 mil imagens para fornecer aos especialistas dados sobre a composição e a história geológica do Vesta, que tem um diâmetro meio de 525 quilômetros.

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