Onda de xenofobia assusta imigrantes na África do Sul; pelo menos quatro pessoas foram mortas

AFRICA DO SUL
 Mais de 2.000 estrangeiros estão refugiados em um campo na cidade portuária de Durban, na África do Sul.

O país vive uma onda de xenofobia: pelo menos quatro pessoas foram mortas desde a semana passada e 74 foram presas, de acordo com o porta-voz da polícia Jay Naicker.

No total, pelo menos 5.000 estrangeiros tiveram que deixar suas casas em Durban, importante ponto de saída para o Oceano Índico. Nesta quarta-feira (15), a onda de violência atingiu cidades vizinhas também.

Em Joanesburgo, onde lojas de imigrantes foram saqueadas no começo do ano, vários estabelecimentos fecharam as portas, para evitar atos de violência. De acordo com a Reuters, mesmo que a cidade não tenha registrado ataques nas últimas semanas, os comerciantes foram ameaçados via mensagens, que afirmavam que todos os estrangeiros seriam mortos.

Embora o governo tenha condenado a onda de violência, segundo o site australiano News, Zulu King Goodwill Zwelithini, líder de um grande grupo étnico no país, disse que os estrangeiros tinham que “fazer as malas e irem embora”.

Edward Zuma, filho do presidente Jacob Zuma disse à uma agência local que o país estava “sentado em uma bomba relógio de estrangeiros que tomam o país”. Mesmo diante de intensas críticas, ele disse que não vai de desculpar pelo que disse, nem retirar seus comentários.

O presidente designou uma equipe de ministros para lidar com o problema. Assim como muitos ativistas anti-apartheid, Zuma foi refugiado em outros países africanos enquanto estava exilado.

Centenas de milhares de estrangeiros, a maioria de outros países do continente e da Ásia, se mudaram para o país desde o fim do Apartheid, em 1994. Com cerca de 50 milhões de habitantes, a África do Sul é lar para cerca de 5 milhões de estrangeiros.

O Malauí afirmou que vai retirar seus cidadãos do país a partir do final de semana. Pelo menos 420 malauianos estão nos campos de refugiados em Durban para fugir da violência, segundo o governo do país. Segundo a rede Al Jazeera, autoridades negociam com o governo sul-africano para que os imigrantes possam deixar o país sem passaporte – a maioria deles perdeu todos os documentos durante a fuga.

Segundo a BBC, pelo menos 62 pessoas morreram em ataques xenofóbicos no país desde 2008.

A maioria das ondas de violência contra estrangeiros é causada porque alguns sul-africanos alegam que seus empregos são roubados. A taxa de desemprego no país é de 24%.

Nas redes sociais, uma campanha de repúdio aos ataques ganhou força por meio da hashtag #SayNoToXenophobia (diga não à xenofobia, em tradução livre).

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