Obama: Mudanças em relação a Cuba abrem uma nova era no hemisfério

Presidente discursa antes de esperado encontro com Raúl Castro

Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, destaca reaproximação com Cuba em discurso na Cúpula das Américas, no Panamá – JONATHAN ERNST / REUTERS

CIDADE DO PANAMÁ — O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou neste sábado que a reaproximação com Cuba marca o início de uma nova era no hemisfério e nas relação entre os povos dos dois países. A declaração, na primeira sessão plenária da Cúpula das Américas, na Cidade do Panamá, vem antes de um esperado encontro entre o líder americano e o presidente cubano, Raúl Castro.

— Os EUA não ficarão presos ao passado. É a primeira vez que em mais de meio século que serão restabelecidadas formalmente as relações diplomáticas — discursou Obama. — Nunca antes as relações com a América Latina foram tão boas.

Olhando para Raúl Castro, o presidente chamou atenção para as diferenças entre EUA e Cuba, mas ressaltou que era preciso aproveitar o bom momento.

— Penso que não é segredo que continuarão existindo diferenças entre nossos países, mas acredito que se conseguirmos seguir esse movimento adiante, serão criadas novas oportunidades — insistiu o presidente americano. — Eu acredito firmemente que podemos aproveitar o momento para abrir uma nova era nas relações bilaterais e hemisféricas.

Durante seu pronunciamento, Obama propôs US$ 1 bilhão para ajudar os países da América Central e anunciou que pretende impulsionar o intercâmbio entre estudantes da América Latina e os EUA.

RAÚL ELOGIA OBAMA

Fortemente aplaudido, o presidente cubano discursou depois de Obama. Ele começou sua intervenção dizendo que “já era hora de eu falar aqui em nome de Cuba”. Castro arrancou risos entre os presidentes quando afirmou que tinha mais tempo para falar, já que não havia participado das reuniões anteriores.

— Já era hora de eu falar, me devem 48 minutos pelas outras Cúpulas — brincou Castro, antes de rasgar elogios a Obama. — O presidente Barack Obama é um homem honesto e isso se deve à sua origem humilde. Dez presidentes anteriores a Obama têm dívidas com Cuba, menos o presidente Obama.

Na sexta-feira, antes da abertura oficial da cúpula, os líderes cumprimentaram-se brevemente. O encontro previsto pra este sábado será o contato de mais alto nível entre os dois países desde antes da Revolução de 1959, ou seja, há mais de 56 anos.

Enquanto Obama deve levantar a questão da reforma política em Cuba, Raúl está buscando um fim do embargo comercial dos EUA e a retirada do país da lista de Estados que apoiam o terrorismo. Cuba foi incluída na lista pelo Departamento de Estado dos EUA em 1982, e a exclusão é fundamental para reintegração cubana ao comércio e aos sistema financeiro internacionais.

DILMA DEFENDE FIM DO EMBARGO

Em seu discurso na Cúpula, a presidente Dilma Rousseff elogiou a iniciativa de Obama de iniciar o processo de reaproximação com Cuba, segundo ela “um dos últimos vestígios da Guerra Fria”, mas condenou a sanção dos Estados Unidos à Venezuela.

De acordo com Dilma, o bom momento das relações entre os paises americanos não admite medidas unilaterais. A declaração foi feita neste sábado, na sessão plenária da VII Cúpula das Americas, a primeira com a presença de Cuba. Dilma defendeu ainda o fim do embargo dos EUA à ilha caribenha.

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