Como os astronautas veem a Terra lá de cima?

Foto tirada da Estação Espacial Internacional (ISS na sigla em inglês) focaliza a Costa Leste dos Estados Unidos, com as luzes de Boston ao fundo
Foto tirada da Estação Espacial Internacional (ISS na sigla em inglês) focaliza a Costa Leste dos Estados Unidos, com as luzes de Boston ao fundo

Às vezes é preciso sair de um lugar para apreciá-lo.

Os humanos não deixaram exatamente a Terra. Na verdade, faz cerca de 40 anos que os representantes desta antiga espécie de voadores pelo espaço conseguiram se deslocar algumas centenas de quilômetros além da superfície do nosso planeta.

Hoje, o voo espacial humano, tal como é, está centrado na Estação Espacial Internacional. Ela se move pesadamente ao redor da Terra a cerca de 400 quilômetros de altitude, entrando e saindo da escuridão a cada 90 minutos, em média. Ela é tripulada por seis astronautas que passam o tempo – quando não estão cantando músicas de David Bowie – fazendo a manutenção e conduzindo experimentos médicos e científicos. Um novo conjunto de investigações irá examinar os gêmeos cósmicos, Scott e Mark Kelly, como um par de relógios geneticamente sincronizados – uma na estação, outro na Terra – durante um ano para ver o que acontece.

A Estação Espacial Internacional custou aproximadamente US$ 100 bilhões. Desde que este gigante brinquedo de montar começou a tomar forma, gurus, cientistas, políticos e fãs da exploração espacial têm defendido o que ela é e se vale a pena.

Um dos benefícios pouco conhecidos a respeito da estação espacial é o fato de ela estar na altitude certa para fotografar coisas na Terra. Toda semana, os astronautas a bordo da estação espacial gravam imagens de coisas que gerariam inúmeras manchetes se as víssemos como um dos milhares de planetas que agora sabemos circular outras estrelas.

O Dia da Terra está chegando, então vale a pena dar uma olhada.

Lá de cima, nós podemos ver como a geologia se tornou o destino. Este é o único lugar conhecido no universo onde as forças primordiais – as que fizeram brotar nossas cadeias de montanhas, sulcos de cânions, fitas serpenteantes de água e limo, espirais de nuvens, vulcões, continentes deslizando um para baixo do outro, uma crosta que se divide e expele fogo – conspiraram para gerar a vida.

A Terra é habitável – isto é, temperatura suficiente para água líquida na superfície – há quatro bilhões de anos, dizem os geólogos, regulada pelo fluxo e refluxo de dióxido de carbono na atmosfera e na crosta. Lavado da atmosfera pela chuva, esse gás do efeito estufa desgasta rochas, carregando sílica, cálcio e compostos de carbono para o oceano e, por fim, para baixo do leito oceânico. Milhões de anos depois, o dióxido de carbono é lançado por vulcões, reabastecendo a atmosfera.

O termostato se regula sozinho. Quanto mais dióxido de carbono na atmosfera, mais violento é o clima e com maior velocidade o gás é levado pela chuva. Quando se esfria, existe menos chuva e o dióxido de carbono volta a se acumular.

Tendo uma chance na forma de ambiente estável, a vida prospera de formas inesperadas. Lá de cima, o mundo inteiro parece um organismo só, um mercado de troca de genes – e, como demonstrado pelas luzes vistas de cima, um sistema nervoso cada vez mais complicado e espalhafatoso, mais aparente para o resto do cosmos.

A glória da Terra são seus oceanos azuis, o berço da vida que conhecemos. Um dia, talvez achemos outra – Terra 2.0 como é às vezes chamada.

O azul-marinho do nosso planeta é tão impressionante que apareceu na câmera da Voyager 1 a seis bilhões de quilômetros de distância em 14 de fevereiro de 1990 e, novamente, posando ao longe, além dos anéis de Saturno, para a câmera da sonda espacial Cassini em 19 de julho de 2013.

A terceira rocha a partir do Sol é um ponto azul pálido, o único que conhecemos. À medida que o tempo passa e cresce a lista de presença dos exoplanetas achados pelo telescópio Kepler, da Nasa, e outras iniciativas se desenvolvem, não consigo parar de pensar que o planeta parece cada vez mais raro.

Como escreveu T. S. Eliot em “Quatro Quartetos”:

“Não paremos de explorar,

E o fim das nossas explorações

Será chegar aonde começamos

E conhecer o lugar pela primeira vez.”

Clube de Astronomia ÓrionClube de Astronomia Órion

© Copyright Nasa / The New York Times / UOL

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