A estreita relação entre Geografia e Astronomia

Navegando pelas estrelas

i166230É difícil não citar algo que resvale, ainda que levemente, na Geografia, quando falamos em estudos astronômicos. A Astronomia é uma disciplina que contempla concomitantemente a observação do céu, de seus elementos e sua modelização, baseando-se na quantitatização. A Geografia, por sua vez, envolve-se com a observação e descrição de uma região ou uma paisagem e enxerga também o modelo generalizado que pode ser construído como análise.
A Astronomia é tida como uma ciência puramente exata e quantificada. Porém, é sabido que as ciências humanas (como a Geografia) muito influenciaram na gênese dessa disciplina — basta lembrar do homem ainda na Pré-História ou durante o Renascimento. O Professor Dr. Augusto Daminelli, chefe do Departamento de Astronomia do Instituto de Astronomia e Geofísica da USP (IAGUSP) e representante do Brasil para o Ano Internacional da Astronomia (IYA2009), explica que Geografia e Astronomia sempre estiveram (e ainda estão) intimamente ligadas: “As atividades mais importantes da Astronomia sempre foram exatas, ou seja; envolveram quantificação: medições em graus, minutos e segundos, em hora e anos, em magnitudes de estrelas, em distâncias etc.

Mesmo assim, não existe Geografia sem Astronomia. Todos os povos primitivos, antigos e

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O gnômon é a parte do relógio solar que possibilita a projeção da sombra. Favorino relata que Anaximandro de Mileto foi o inventor do gnômon. No entanto, segundo Heródoto, teriam sido os babilônios: os gregos adquiriram dos babilônios o conhecimento da esfera celeste, do gnômon e das doze partes do dia. Anaximandro de Mileto terá sido assim, possivelmente, apenas o introdutor do gnômon na Grécia. Na China, Shen Kuo melhorou e aferiu o gnômon. O gnômon é a parte do relógio solar que possibilita a projeção da sombra. Favorino relata que Anaximandro de Mileto foi o inventor do gnômon. No entanto, segundo Heródoto, teriam sido os babilônios: os gregos adquiriram dos babilônios o conhecimento da esfera celeste, do gnômon e das doze partes do dia. Anaximandro de Mileto terá sido assim, possivelmente, apenas o introdutor do gnômon na Grécia. Na China, Shen Kuo melhorou e aferiu o gnômon.

modernos usam a sombra de uma vara vertical ( gnômon) para determinar as direções e se orientar. O mapeamento para além da linha do horizonte só pode ser feito apoiando-se nos astros: a elevação do Sol na passagem meridiana, a posição da Lua e das estrelas. Se pegarmos a história da humanidade, veremos que as grandes navegações marítimas (que ampliaram o objeto de estudo geográfico), só puderam ser feitas usando a astronomia, não só as dos séculos XV e XVI, mas também as navegações para a Lua e interplanetárias”.

Daminelli conta ainda que “Em especial, a Astronomia mostrou que não estamos no centro do Universo, como se imaginava na Idade Média, mas vivemos em um espaço sem fronteiras, expandindo- se para todas as direções. Outra grande conquista da humanidade foi mapear o ‘anel do tempo’ e prever o ritmo das estações do ano. Isso deu sucesso à agricultura no Egito e Mesopotâmia, levando a um crescimento da população humana. Com a diminuição do número de horas empregadas para garantir a sobrevivência, criaram-se as vilas e cidades. Nelas ocorreram trocas muito ricas entre as pessoas, criando-se a filosofia, a matemática, as artes”.

Ele continua, destacando a importância da relação, “A agricultura se fez com um olho voltado para o chão e outro para o céu. O estudo da Lua levou a uma infinidade de produtos materiais e ferramentas teóricas. Só para citar uma delas: para determinar a força da Terra sobre a Lua, Isaac Newton teve que inventar um novo tipo de cálculo: o cáculo integral e diferencial. Ele é ferramenta básica de todo o engenheiro, para construir prédios, pontes, barragens etc. A ida à Lua produziu ainda uma Revolução industrial: miniaturização de computadores, melhoria de telecomunicações, satélites de supervisão ambiental, processamento de alimentos. Uma fração apreciável do PIB (Produto Interno Bruto) da humanidade está direta ou indiretamente ligada à ida à Lua”.

O mapeamento para além da linha do horizonte só pode ser feito apoiando-se nos astros: a elevação do Sol na passagem meridiana, a posição da Lua e das estrelas.

O professor prossegue, destacando que o impacto foi tão grande que nos levou à atual Era Espacial: “O estudo da luz das estrelas levou à descoberta do quarto estado da matéria: o plasma. Os diagnósticos da luz, derivados de técnicas astronômicas, são amplamente usados na indústria, para medir temperaturas elevadas e para determinar composições químicas. O estudo do interior do Sol, há quase um século, levou à descoberta da fusão nuclear do hidrogênio. A partir daí, se conseguiu reproduzi-la na Terra, primeiro como bomba H, e depois como fonte de energia controlada, que num futuro, não muito distante poderá ser a fonte de energia de nossa civilização”

Esta é a revolução que o Ano Internacional da Astronomia, comemorado em 2009, trouxe aos cidadãos: redescobrir nossas ligações com o Universo e crescer interiormente ao entrar em contato com essa realidade maior que envolve nosso cotidiano.

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