Hora do Planeta apagará luzes por uma hora em todo o Brasil

Ato ocorre em várias partes do mundo e é comandado pela WWF

Às 20h30 de hoje (28), vários pontos em todo o Brasil vão ficar às escuras por uma hora. Locais como a Praça dos Três Poderes, em Brasília, os Arcos da Lapa, no Rio de Janeiro, e a Igrejinha da Pampulha, em Belo Horizonte, apagarão as luzes como parte da Hora do Planeta, mobilização liderada pela organização não governamental (ONG) WWF.

A Hora do Planeta é um movimento simbólico, que ocorre uma vez por ano, no fim de março. A ideia existe desde 2007 e aqueles que participam firmam o compromisso com o planeta de criação de um mundo sustentável. A ideia é que vários pontos em todo o mundo apaguem as luzes entre as 20h30 e as 21h30, em seus horários locais. Todas as 27 capitais brasileiras se comprometeram com o movimento. De acordo com a entidade, já são 173 cidades brasileiras com participação confirmada.

 Foto: Internet/Medios
Luzes serão apagadas em vários pontos do Brasil Foto: Internet/Medios

Além dos pontos em Brasília, no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte, outros locais de destaque no país aderiram, entre eles o Elevador Lacerda, em Salvador, o Theatro Municipal de São Paulo e o Memorial da República, em Maceió. Na capital federal, a Biblioteca Nacional, o Museu Nacional, a Catedral e o Palácio do Buriti, sede do governo local, também vão ficar às escuras.

Às 16h, no entanto, a data já começa a ser celebrada. É quando terá início um show, na Praia de Ipanema (posto 10), no Rio de Janeiro. Entre as atrações estão o músico Hamilton de Holanda e o coletivo internacional de artistas Playing For Change. Todo o evento será realizado com gerador de biocombustível.

Além de monumentos públicos, a ONG incentiva as pessoas a participar da mobilização em suas casas, apagando as luzes não essenciais, como as de teto, televisões e computadores. A WWF lembra que luzes de funcionamento essencial, como iluminação de segurança em espaços públicos, luzes de orientação da aviação e semáforos, devem permanecer ligadas.

Por se tratar de uma mobilização mundial, em alguns países a Hora do Planeta de 2015 já ocorreu. Em Sidney, na Austrália, a famosa Opera House ficou apagada. As cidades de Yokohama, Tóquio e Osaka, no Japão, também participaram, desligando as luzes de importantes monumentos.

Para a WWF, no entanto, isso é só um começo, uma demonstração de comprometimento com um mundo melhor para essa geração e para as futuras. “Nossa expectativa é que esses indivíduos, comunidades e empresas tomem medidas além da hora. Em 2012, lançamos a campanha ‘I will if you will’ (Eu Vou se Você For) para fornecer uma plataforma destinada a inspirar as pessoas a compartilhar o  compromisso com o planeta com os seus amigos, colegas, líderes e redes”, explica a organização no site oficial.

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Hora do Planeta é celebrada em Sydney, onde iniciativa nasceu

Luzes dos locais mais emblemáticos da cidade foram apagadas.
Iniciativa neste ano reforça a luta contra a mudança climática.

Combinação de fotos mostra a Ponte de Sydney e a Opera House com luz e sem luz durante a Hora do Planeta neste sábado (28) (Foto: Peter Parks/AFP)Combinação de fotos mostra a Ponte de Sydney e a Opera House com luz e sem luz durante a Hora do Planeta neste sábado (28) (Foto: Peter Parks/AFP)

A Hora do Planeta começou neste sábado (28) em Sydney, a cidade natal da iniciativa, com um blecaute voluntário às 20h30 (6h30 em Brasília) nos locais mais emblemáticos da cidade, como a Opera House e a Ponte da Baía.

Entre os atos mais destacados do evento propiciado pela ONG WWF há um concerto realizado às escuras da obra “Os Planetas”, de Gustav Holst, interpretada pela Orquestra Sinfônica de Sydney na Opera House.

Na mesma hora, emblemáticos monumentos na Nova Zelândia, incluindo a Sky Tower, e dezenas de residências foram apagadas para apoiar a iniciativa, que neste ano reforça a luta contra a mudança climática.

Samoa, o arquipélago do Pacífico Sul, foi o primeiro país a celebrar oficialmente a Hora do Planeta, à qual é previsto que se unam mais de sete mil cidades em 172 países às 20h30 de cada local.

No vídeo promocional deste ano, com música “Pompeii”, da banda Bastille, aparecem o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama; o secretário das Nações Unidas, Ban Ki-moon, e a atriz americana Emma Thompson, entre outros.

Em comunicado, os organizadores dissram a iniciativa conta com a participação dos países mais vulneráveis ao aquecimento global como Filipinas, Maldivas e Madagascar, assim como os principais poluentes como Estados Unidos, China e Brasil.

Neste ano, as arrecadações por crowdfunding incluem projetos de luz por energia solar nas Filipinas e Índia ou iniciativas de proteção da vida selvagem em Colômbia, Uganda e Indonésia.

A Hora do Planeta nasceu em Sydney, em 2007, com a participação de aproximadamente 2.000 estabelecimetnos comerciais e 2,2 milhões de pessoas. No ano seguinte, o número aumentou para 50 milhões de participantes de 35 países.

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Fortaleza participa da Hora do Planeta 2015 neste sábado

A ideia do ato é alertar o mundo sobre as consequências e os desafios de enfrentamento do aquecimento global.

A Catedral Metropolitana é um dos monumentos que irá apagar as luzes neste sábado (Foto: Nely Rosa)

Fortaleza é uma das cidades participantes do ato mundial Hora do Planeta 2015 – WWF, no qual luzes se apagam durante uma hora. A iniciativa, que acontecerá neste sábado (28/03), das 20h30 às 21h30, envolverá alguns dos principais equipamentos da Capital: Coluna da Hora, Mercado Central, Palácio do Bispo, Seminário da Prainha, Estátua de Iracema (Praia de Iracema e Lagoa de Messejana) e Catedral Metropolitana.

A ideia do ato é alertar o mundo sobre as consequências e os desafios de enfrentamento do aquecimento global. “Fortaleza foi a primeira Capital do Nordeste a aderir à Hora do Planeta. O movimento é importante para a sensibilização de todos nós, especialmente, quanto ao consumo de consciente”, explica Wigor Florêncio, gerente de Sustentabilidade da Secretaria Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente (Seuma). O órgão também participará e apagará suas luzes.

A Hora do Planeta 2015 faz parte da programação da Festa Anual das Árvores, cujo tema deste ano é “A Fortaleza das Praças e Parques”. O evento, que acontece até o dia 30 de março, celebra, neste ano, o plantio de mais de 8 mil novas árvores,  e a doação de 4 mil mudas, totalizando 12 mil árvores na cidade.

As atividades da Festa continuam no sábado (28/03), com atividades de Educação Ambiental, plantios e distribuição de árvores na Lagoa do Soldado (Sapiranga) e Praça da Juventude (Granja Portugal). No domingo (29/03), haverá doação de árvores para plantios no Parque do Cocó e Passeio Público. E na segunda-feira (30/03), acontecerá o Encontro Técnico-Científico, realizado pela Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace), no Parque do Cocó.

Programação:

– 23 a 30 de março
Plantios de novas árvores em diversos pontos da Cidade

– 28 de março
Atividade de Educação Ambiental, plantios e doação de árvores para plantios
Horário e local: 8 horas, na Lagoa do Soldado

Hora do Planeta, das 20h30 às 21h30

– 29 de março
Atividade de Educação Ambiental, plantios e doação de árvores para plantios
Horário e local: 9 horas, no Parque do Cocó e no Passeio Público

– 30 de março
Participação no Encontro Técnico-Científico, realizado pela Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace)
Horário e local: 8 horas, no Centro de Referência do Parque do Cocó

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Hora do Planeta apagará as luzes para lembrar debate sobre clima

Cerca de 170 países e territórios já confirmaram sua participação

 
Hora do Planeta apagará as luzes para lembrar debate sobre clima  FÁBIO MOTTA/ESTADÃO CONTEÚDO/
Cristo Redentor é um dos monumentos ao redor do mundo que desligará as luzes no sábado à noite Foto: FÁBIO MOTTA/ESTADÃO CONTEÚDO

Centenas de edifícios simbólicos nas principais cidades ao redor do mundo, da Torre Eiffel, em Paris, até o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, apagarão as luzes no sábado como parte de uma campanha global contra as alterações climáticas, realizada há vários anos.

O evento anual promovido pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF), quer que durante 60 minutos as pessoas, cidades, empresas e organizações desliguem as luzes, começando às 20h em cada localidade, a fim de alertar sobre os riscos ambientais que o planeta enfrenta.

Esta será a nona edição do evento, que tem como objetivo economizar não só eletricidade, mas também criar a consciência sobre a necessidade de fontes de energia sustentáveis, além de solicitar compromissos políticos para frear o aquecimento global.

— Cerca de 170 países e territórios já confirmaram sua participação, mais de 1.200 lugares e 40 locais declarados patrimônio da Unesco — disse à AFP o organizador da Hora do Planeta, Sudhanshu Sarronwala.

Durante a Hora do Planeta, o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, a Acrópole, em Atenas, o Castelo de Edimburgo, o Big Ben, em Londres, o centro histórico de Quito, a Times Square em Nova York e a ponte de Sydney apagarão as luzes.

O evento ocorre antes de uma importante reunião política em dezembro, em Paris, que tem como objetivo chegar a um acordo para reduzir as emissões de CO2 e dias antes do término do prazo para todas as partes apresentarem seus compromissos.

A Hora do Planeta, que começou como uma pequena demonstração simbólica em Sydney, em 2007, tornou-se um fenômeno global, que também tem um toque festivo.

O slogan deste ano é “use seu poder para mudar a mudança climática”, que deu origem a inúmeras iniciativas em diferentes lugares, como uma festa de dança Zumba com trajes que brilham no escuro nas Filipinas, ou jantar à luz de velas em restaurantes de Londres e até uma pista de dança com o seu próprio gerador sob a Torre Eiffel.

De acordo com Mike Berners-Lee, um consultor privado especialista em energia, a Hora do Planeta é uma maneira muito eficaz de enviar uma mensagem e dizer que as pessoas “realmente se importam com o sucesso da reunião de Paris”.

— Apagar a luz por uma hora não é muito em termos de economia de emissões de carbono. O que importa é que eles estão enviando uma mensagem de que você deveria ser preocupar com esse tipo de coisa — disse à AFP.

Estima-se que nove milhões de pessoas em 162 países participaram no ano passado na Hora do Planeta, segundo dados da WWF.

Para Sarah Olexsak, autora de um estudo sobre o impacto da Hora do Planeta que mediu os resultados em 10 países em seis edições da iniciativa, afirma que, em média, se registra uma queda de 4% no consumo de energia elétrica durante os 60 minutos do evento.

— Constatamos que uma mudança de comportamento em larga escala tem resultados mensuráveis — explicou ela à AFP.

De acordo com a pesquisadora, a mudança de comportamento em grande escala começa com um pequeno passo e participação na Hora do Planeta é um compromisso para salvar energia que pode ser levado para outras áreas de suas vidas.

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A superfície da Terra está subindo embaixo dos nossos pés

Camada de gelo mostra sinais de derretimento a oeste do Alasca, em imagem feita em 4 de fevereiro de 2014 por satélites da Nasa. O estreito de Bering, coberto com gelo, se situa entre Alasca e Rússia
Camada de gelo mostra sinais de derretimento a oeste do Alasca, em imagem feita em 4 de fevereiro de 2014 por satélites da Nasa. O estreito de Bering, coberto com gelo, se situa entre Alasca e Rússia

Nos EUA, nos últimos doze meses, houve alertas mais do que suficientes de como o clima pode afetar nossas vidas. A Califórnia está entrando no quarto ano de seca porque não teve neve suficiente. Boston está começando a emergir de uma quantidade recorde de neve. Quase todos os dias, voos são cancelados, crianças perdem aulas e pais enviam cheques às seguradoras para se protegerem de inundações, furacões e tornados.

No entanto, também existem impactos de longo prazo que a maioria das pessoas talvez não perceba. Por exemplo, se você mora no Canadá, no norte dos EUA ou em determinadas partes da Europa, o solo sob seus pés está subindo. E o motivo, de certo modo, é o clima.

Mas não o clima no sentido da chuva de ontem ou do vento da semana passada. O fenômeno foi causado pelas neves que se acumularam e criaram enormes mantos de gelo que cobriram a terra na última Era do Gelo. OK, foi muita neve, por um longo período de tempo, mas a questão tem mais a ver com o clima do que simplesmente com as condições meteorológicas.

Independentemente da causa, a mudança é perceptível. “Podemos monitorá-la em tempo real”, disse Theresa Damiani, pesquisadora de geologia da Investigação Geodésica Nacional (NGS), da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA), em Camp Springs, Maryland.

Compensação da Terra

O peso dos mantos de gelo, que tinham diversos quilômetros de espessura em alguns lugares, empurrou a superfície da Terra para baixo. Quando o gelo derreteu e recuou, o solo começou a subir novamente.

A NOAA descreve o fenômeno como o que acontece quando um colchão velho volta ao formato original depois que uma pessoa se levanta de manhã. Quando os mantos de gelo começaram a recuar, ocorreu uma recuperação rápida em muitas regiões, que desacelerou ao longo dos séculos, disse Damiani.

“O solo vem se recuperando e continua nisso”, disse Damiani. “Leva um período muito longo”.

A superfície da Terra sobe cerca de 1 milímetro por mês no Canadá e aproximadamente a mesma quantidade ao longo de um ano nos EUA, disse ela. Para um lugar como a Baía de Hudson, no Canadá, as mudanças seriam visíveis ao longo da vida de uma pessoa, disse ela.

“Se você construiu um atracadouro, parece que o oceano está baixando”, disse Damiani.

Não é que o nível do oceano esteja caindo ? é que a terra está voltando a subir.

Ao calcular o aumento dos oceanos devido ao atual derretimento das geleiras e dos mantos de gelo, os pesquisadores precisam levar em consideração essas taxas de recuperação, de acordo com um relatório da NOAA publicado em dezembro de 2012.

Área coberta

É claro que a terra só está subindo nas áreas cobertas pelo manto de gelo. No hemisfério ocidental, essa região abrange quase todo o Canadá até a Nova Inglaterra, passando pelos Grandes Lagos e chegando à Região Centro-Oeste, às Grandes Planícies do norte e ao Noroeste do Pacífico.

Além do limite dos lugares em que o gelo empurrou o solo para baixo, existem áreas onde a superfície está, na verdade, assentando-se mais abaixo. O que aconteceu aí é que o terreno na beira dos mantos de gelo se comportou como a geleia que se esparrama para fora de um sanduíche esmagado.

As mudanças podem provocar pequenos terremotos, embora eles sejam muito fracos e passem despercebidos para a maioria das pessoas.

O movimento é acompanhado por meio de satélites de posicionamento global e é utilizado para assegurar que os mapas continuem sendo exatos, disse Damiani.

“A tarefa da minha agência, a NGS, é a de monitorar o formato do planeta”, disse Damiani.

Os países escandinavos também monitoram a lenta taxa de recuperação da superfície ao longo dos últimos 14.000 anos, um ou dois séculos a mais ou a menos, desde que os mantos de gelo atingiram o auge na última Era do Gelo.

A paciência é, sem dúvida, um dos requisitos para esse trabalho.

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Europa e EUA preparam missões espaciais ‘para o Inferno’

Nenhum satélite jamais chegou tão perto do Sol como pretendem chegar o Solar Orbiter e o Solar Probe Plus
Nenhum satélite jamais chegou tão perto do Sol como pretendem chegar o Solar Orbiter e o Solar Probe Plus

Elas provavelmente são as duas missões espaciais mais audaciosas em desenvolvimento atualmente. Solar Orbiter e Solar Probe Plus serão enviadas para entrar na órbita de Mercúrio com o objetivo de estudar o Sol.

De lá, a temperatura na superfície frontal desses satélites vai ultrapassar as centenas de graus. Seria possível dizer que essas missões são, literalmente, “missões para o Inferno”.

Projetar um sistema seguro para proteger as naves para resistirem a temperaturas tão altas é algo que tem dado trabalho aos engenheiros.

Eles precisam de algo que funcione como um “escudo de calor”. Para o Solar Orbiter, da Agência Espacial Europeia, a solução é usar titânio. Para o Solar Probe Plus, da Nasa, o material deverá ser composto por carbono.

Os instrumentos dos dois satélites terão de se esconder por trás dessas barreiras para fazer as medições que os cientistas esperam na tentativa de desvendar alguns dos maiores e mais duradouros mistérios do Sol.

As duas missões parecem estar progredindo.

A Nasa já escolheu o foguete para lançar o Solar Probe Plus. Um poderoso Delta-IV Heavy – o maior foguete do mundo – vai lançar esse satélite de 610 quilos em direção ao Sol no fim de 2018.

E a indústria europeia – pela Airbus Defence and Space – anunciou que conseguiu produzir o que chamou de “modelo estrutural e térmico” do Solar Orbiter.

Seria como uma cópia do satélite, com instrumentos representativos. Ela será aquecida, submetida a explosões de sons e receberá impactos em uma simulação para testar seu design.

Se a cópia do satélite sobreviver a tudo isso, os engenheiros saberão que tipo de modelo também resistiria às condições extremas que irão encontrar no ambiente espacial.

Esta não é a primeira missão solar – já houve algumas nos últimos anos. A nave espacial americana DSCOVR foi a última, lançada em fevereiro.

Mas a maioria desses satélites não se aventurou muito longe, preferindo estudar o “inferno” do Sol de uma distância segura, como a da órbita da Terra.

Objetivos

Os satélites Solar Orbiter e Solar Proble Plus, porém, querem “entrar no fogo” para valer – para observar a atividade solar de perto e provar diretamente os efeitos das partículas e dos campos magnéticos que as contêm.

“Nós queremos obter três medidas”, afirmou Tim Horbury, o principal investigador do Solar Orbiter. “Com o Solar Orbiter, queremos obter uma medida remota, queremos ver o que está acontecendo no Sol com nossos telescópios, e depois queremos obter uma segunda medida, para sentir o que está saindo dele.”

“A terceira medida viria do próprio Solar Probe, que avançaria um pouco o campo de visão muito rápido de vez em quando só para dar uma ideia do que estaria acontecendo lá também”, disse.

O Solar Probe chegará até a 43 milhões de quilômetros do Sol – significativamente mais perto de Mercúrio, que gira em torno do Sol a uma distância que varia de 46 milhões a 70 milhões de quilômetros.

Já o Solar Probe Plus é quem vai fazer o verdadeiro trabalho “infernal” quando correr pela superfície solar a meros 6 milhões de quilômetros de distância. E “correr” é a palavra certa porque a expectativa é que ele alcance velocidades de 200 quilômetros por segundo em partes da órbita.

E aproximações distintas como essas também precisam de estratégias distintas.

Ficando mais distante, o Solar Orbiter consegue liberar telescópios. E as imagens captadas por eles provavelmente serão espetaculares, revelando características do sol com uma resolução nunca conseguida antes.

Chegando bem próximo do Sol, o Solar Probe Plus poderá conseguir dados notáveis, mas olhar diretamente para o Sol é algo que está realmente fora de questão.

A pouco mais de 6 milhões de quilômetros, a temperatura da superfície deve atingir 1,3 mil graus. O Solar Probe Plus não pode sequer se dar ao luxo de ter pequenos buracos em seu escudo revestido com cerâmica e carbono.

Já o Solar Orbiter, de 1,8 mil quilos, pode. “Temos alguns orifícios de passagem”, diz Dan Wild, um dos engenheiros térmicos da Airbus. “Esses são apenas grandes cilindros feitos de titânio e revestidos de preto para o controle da luz, para que a gente não pegue muito reflexo.”

“E na frente dos cilindros têm portas. Nós podemos fechar essas portas e isso significa que não vamos perder a nave espacial se alguma coisa der errado”, afirmou.

O que pode dar errado? Uma coisa – é preciso apontar diretamente para o Sol o tempo todo para que o escudo térmico não pare de jogar uma sombra resfriadora no resto da nave.

“Se você perde a atitude – em outras palavras, se em algum momento, quando você está muito perto do Sol, você não está apontando diretamente para ele – então a nave pode ficar iluminada por trás do escudo térmico, com as consequências óbvias.”

“Então temos que ter um sistema de direccionamento para o Sol bastante robusto”, explica Philippe Kletzkine, gerente de projetos do Solar Orbiter.

“A parte frontal do escudo do Solar Orbiter vai experimentar temperaturas na ordem dos 600 graus, mas atrás elas devem atingir apenas 60 graus.”

Curiosamente, o instrumento de trás do Solar Orbiter, que carrega alguns experimentos magnéticos e de plasma, irá ficar tão na sombra, que ficará frio o suficiente – numa temperatura inferior a 10 graus – para requisitar um aquecimento ativo.

Possíveis conclusões

Então o que obtemos com essa engenharia dos extremos? Esperamos que a chance de solucionar alguns enigmas solares. Ao ficar posicionado diretamente na atmosfera externa do Sol – a coroa solar -, o Solar Probe Plus pode ajudar a explicar porque essa extensa região é tão mais quente do que a superfície do Sol. Isso é realmente um quebra-cabeças.

Já o Solar Orbiter deve nos dar melhores ideias sobre o que impulsiona seu ciclo de atividade de 11 anos. Sua órbita será alta o suficiente para ter uma visão polar do Sol. Pela primeira vez, poderemos ver corretamente o que acontece quando o campo magnético solar gira.

“Nós sabemos quando ele gira, mas não sabemos os detalhes porque nunca conseguimos chegar perto dos polos”, diz Louise Harra, do Laboratório de Ciência Espacial da University College London.

“Chegando na altura dos polos, teremos uma vista excelente e isso nos dará uma ideia muito melhor sobre o mecanismo que rege o ciclo solar e sobre por que esse ciclo começou a ficar mais fraco nos últimos anos.”

As duas missões juntas estão custando US$ 2,5 bilhões (mais de R$ 8 bilhões). A missão americana custa quase o dobro da europeia. Mas há um reconhecimento crescente de que conseguir compreender melhor o comportamento do Sol trará grandes benefícios para a Terra. Grandes tempestades solares têm o potencial de destruir satélites, comunicação de rádio e redes de eletricidade.

Há muitos cientistas trabalhando nas duas missões. E as duas serão enviadas ao espaço daqui três anos, em 2018.

Clube de Astronomia ÓrionClube de Astronomia Órion

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BH é eleita a capital brasileira da Hora do Planeta

Belo Horizonte foi eleita na segunda-feira a capital brasileira da Hora do Planeta em anúncio feito nesta semana na capital mineira. Segundo um júri internacional, a cidade venceu uma disputa interna com Rio de Janeiro e São Paulo pelo esforço direcionado para a sustentabilidade. Em sua terceira edição, o Desafio das Cidades elegeu capitais em 13 países que atuam na preservação ambiental sustentável. BH concorre ao título internacional em evento que ocorre hoje, em Vancouver, no Canadá.

“A primeira edição do Desafio no Brasil nos mostra que há excelentes exemplos de cidades que desempenham um papel de liderança, medindo suas emissões e construindo planos abrangentes para enfrentar as mudanças climáticas”, observou Florence Laloe, secretária executiva Câmara Internacional sobre desenvolvimento sustentável (Iclei, da sigla em Inglês).

O parecer técnico do júri apontou que Belo Horizonte “apresenta uma estratégia de baixo carbono integrada, guiada por uma visão forte e construída através de ações concretas”.

Segundo a prefeitura da capital mineira, entre os projetos que levaram a capital à vitória, está a Usina Solar Fotovoltaica, instalada na cobertura do Mineirão, um dos estádios da Copa do Mundo. O desenvolvimento adequado da energia solar térmica também foi fator determinante. “A capital mineira é referência na aplicação do coletor solar para aquecimento de água e em números de edificações multifamiliares existentes com a aplicação da tecnologia – aproximadamente 3 mil edifícios residenciais”, publicou a prefeitura após o resultado.

O prefeito Marcio Lacerda (PSB) avaliou ainda que a troca de lâmpadas na cidade influenciou na escolha. “A substituição das lâmpadas semafóricas tradicionais pelas luzes de led na cidade foi muito bem sucedida”, disse. Além disso, a cidade utiliza o BRT no transporte público, que utiliza diesel elétrico, combustível menos poluente em comparação aos tradicionais. “É o estágio mais avançado da tecnologia não poluente”, completou o prefeito.

Durante a participação na Hora do Planeta, no próximo sábado, serão apagadas as luzes em diversos pontos da cidade, como a Igreja São Francisco de Assis, a sede da prefeitura, a praça da Bandeira, a Assembleia Legislativa, a Cidade Administrativa, a Câmara Municipal e a Secretaria de Meio Ambiente, além de bares e hotéis.

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