Brasil vive um conflito por água a cada três dias

Os conflitos por recursos hídricos nas áreas rurais do Brasil atingiram um novo record em 2014. Ao todo, foram registrados 127 casos, segundo dados preliminares de um levantamento anual feito pela Comissão Pastoral da Terra (CPT).

Isso representa uma disputa por água a cada três dias. No ano passado, houve um aumento de 25,7% em relação a 2013, quando 101 conflitos foram identificados. Ao longo de dez anos, os conflitos hídricos no campo aumentaram quase 80%, uma alta expressiva.

Segundo a análise, a maior parte dos conflitos no período são provocados pelo uso e preservação da água (346), como ações de resistência para garantir a preservação do recurso. Outra fonte de conflitos é a criação de barragens e açudes (325), e, com menor incidência, a de apropriação particular (86).

conflitos-pela-agua-numeroEm 2014, também foi registrado o maior número famílias envolvidas nestes conflitos nos últimos dez anos: 42.815 ao todo (um crescimento de 40% em relação em 2013).

conflitos-pela-agua-familiasSegundo o CPT, o número de famílias atingidas tem sido maior nos estados onde há grandes projetos de hidrelétricas. “O Pará é o estado com o maior número de famílias envolvidas nesse período (69.302), a maior parte por conta da Construção da Hidrelétrica de Belo Monte”, avalia Roberto Malvezzi, assessor da Comissão.

“Além disso, o chamado Complexo Hidrelétrico Tapajós, que prevê a construção de sete usinas ao longo dos dois rios, no oeste do Pará, vai impactar diretamente 32 comunidades tradicionais, entre quilombolas, ribeirinhos, pescadores artesanais, extrativistas e cerca de dois mil quilômetros de território indígena, principalmente da etnia munduruku”, acrescenta.

CONFLITOS URBANOS
A contagem geral dos conflitos hídricos feita pelo CPT não leva em conta as disputas urbanas. Mas Malvezzi adianta que já é possível identificar dois tipos de conflitos nas cidades. O primeiro deles ocorre entre entes federativos, como a disputa entre Rio de Janeiro e São Paulo pelo Rio Paraíba do Sul, em meio à crise hídrica no Sudeste.

O segundo tipo, em parte também relacionado à escassez, é observado entre as empresas prestadoras de serviços de água e esgoto e os clientes atendidos por elas. “Isso ficou claro nos embates sociais em Itu e em outras cidades do interior de SP, por conta do racionamento e também pela pouca eficiência das empresas”, diz o assessor da CPT.

Conforme Malvazzi, a questão da escassez não é só quantitativa, mas também qualitativa, e envolve decisões políticas equivocadas. “Esta não é uma seca isolada, estamos modificando o ciclo das águas de forma insustentável. Os programas brasileiros são sempre baseados na expansão da oferta e no consumo predatório, sem pensar na sustentabilidade. É uma equação que não fecha”, conclui.

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